Volta às aulas mais cedo antecipa procura por material escolar em Belém
Com férias escolares encurtadas pela COP 30, papelarias esperam aumento de até 10% nas vendas já na primeira quinzena de julho.
A redução do recesso escolar em julho, causada pelo novo calendário letivo adaptado à realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), está mudando o comportamento de compra de pais e estudantes em Belém. Enquanto alguns lojistas ainda aguardam o crescimento na procura, outros já registram movimento no atacado e esperam aumento nas vendas de até 10% nas próximas semanas. A antecipação também trouxe atenção aos preços, que variam bastante conforme o tipo e a marca do produto.
Movimento deve aumentar na primeira quinzena de julho
A adaptação do calendário escolar devido à COP 30 — que encurtou as férias de julho até meados do mês — deve impactar diretamente o fluxo de clientes nas papelarias da capital paraense.
O diretor operacional Fred Braz, de uma papelaria no centro de Belém, explica que o momento atual ainda está voltado para as comemorações juninas, mas há expectativa de mudança no perfil de consumo em poucos dias.
"Nossa expectativa é que, a partir da metade do mês, com o retorno das aulas, haja aumento na procura por materiais escolares, de escritório e informática", afirma Braz. “O fluxo que normalmente viria no final de julho ou início de agosto vai ser antecipado.”
Segundo ele, embora muitos pais estejam priorizando o descanso em família durante o curto período de férias, a volta às aulas programada para a segunda quinzena de julho deve acelerar as compras.
Já Suzane Quaresma, gerente de outra papelaria da cidade, acredita que o impacto será positivo. Para ela, não haverá queda nas vendas, mas sim uma reorganização da demanda.
“As vendas vão ser antecipadas, não reduzidas. Esperamos um aumento de 10% em relação ao mesmo período do ano passado”, destaca.
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Atacado em alta e expectativa por papelaria fina
Além do varejo, o segmento de atacado já começou a sentir os efeitos da preparação escolar. De acordo com Suzane, as instituições de ensino já estão se reabastecendo com itens básicos e materiais decorativos para recepcionar os alunos, como EVA, papel carmim, pincéis e apagadores.
“As escolas já começaram a comprar. Independente do calendário dos alunos, o atacado já está em movimento.”
Ela também aposta no crescimento das vendas de produtos considerados mais "fofinhos", como cadernos personalizados, canetas sofisticadas e estojos com design diferenciado, que costumam atrair o público jovem na hora de montar o material escolar.
Preços variam, mas papelarias tentam segurar reajustes
Com relação aos preços, os relatos dos comerciantes indicam que, apesar da pressão inflacionária causada por insumos e fretes, o esforço tem sido manter valores acessíveis. Fred Braz aponta que oscilações nos preços dos combustíveis e da taxa Selic impactam diretamente nos custos, especialmente para produtos que vêm de fora do estado.
“A gente tenta manter os preços negociando com fornecedores, mas é difícil, porque muitas vezes o reajuste vem da matéria-prima, do transporte, das decisões do governo federal”, explica.
Já Suzane destaca que os preços seguem estáveis, justamente por uma estratégia de antecipação de compras para garantir estoques com valores antigos. Ela aponta uma ampla variação de preços conforme o modelo e a sofisticação dos itens:
- Mochilas: de R$ 50 a R$ 400;
- Cadernos: de R$ 5,90 a mais de R$ 40;
- Canetas: de R$ 0,60 a R$ 20;
- Lápis: de R$ 0,40 até R$ 12,50.
Estudantes já se preparam para o retorno antecipado
Com apenas 15 dias de recesso, muitos alunos já estão voltando às papelarias para se preparar para a retomada das aulas. É o caso de Rebeca Sousa, estudante do 1º ano do Ensino Médio em uma escola particular, que relata mudanças na rotina escolar por conta da COP 30.
“Minhas férias começaram no dia 27 de junho e vão só até o dia 15 de julho. A escola já adiantou o bimestre, então vim comprar o que precisava: caderno, lápis, borracha...”, conta.
Apesar de considerar os preços elevados em alguns itens — como cadernos entre R$ 30 e R$ 40 e fichários próximos de R$ 50 —, Rebeca reconhece que a compra é inevitável. Mas não esconde a insatisfação com o calendário apertado:
“Queria mais férias. Trinta dias, né? Agora só 15.”
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