Amazônia pode virar polo industrial com foco em pessoas e estratégia local, diz diretor da CNI
Para Jefferson Gomes, desenvolvimento depende de ecossistema estruturado, projetos estratégicos e fortalecimento de startups na região
A Amazônia tem potencial para se tornar um polo estratégico de inovação industrial no Brasil, mas isso depende menos de estruturas formais e mais do desenvolvimento de pessoas, organizações e relações. A avaliação é de Jefferson Gomes, diretor de Desenvolvimento Industrial, Tecnologia e Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que em entrevista ao Grupo Liberal defendeu planejamento sistemático e foco em iniciativas locais para impulsionar o setor.
Segundo Gomes, o surgimento de ambientes inovadores está diretamente ligado à capacidade de articulação entre diferentes profissionais e setores. “No final das contas, são pessoas que fazem. Não são arcabouços. Não são marcas. São pessoas”, afirmou.
O diretor citou o exemplo da Califórnia, nos Estados Unidos, onde a inovação floresceu impulsionada pela indústria cinematográfica.
“Eles faziam um filme, e para ter filme tinha que ter advogado, tinha que ter ator, tinha que ter uma pessoa que soubesse o som. Você tinha um conjunto de pessoas responsáveis para fazer aquela missão acontecer”, explicou.
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Estratégias locais e fortalecimento de startups
Para Gomes, o desenvolvimento da Amazônia deve partir de estratégias adaptadas à realidade de cada cidade. Ele ressalta que copiar modelos prontos não é eficaz.
“Se eu quiser pegar a estratégia de Belém do Pará e simplesmente copiar e enfiar em Santarém, não vai funcionar”, disse.
O diretor aponta que iniciativas como o Parque Tecnológico de Belém e o fortalecimento de startups são caminhos promissores.
“O que eu preciso fazer para que essas 200 startups sejam grandes em um espaço temporal de 10 anos?”, questionou, ao defender metas claras de crescimento.
A ideia, segundo ele, é criar um ciclo sustentável de desenvolvimento econômico. “Eu quero que 10% dessas startups proliferem, montem centros de desenvolvimento, empreguem mais, vendam mais e paguem mais impostos. Assim, o Estado fica mais rico e reinveste em novas iniciativas”, afirmou.
Apesar do potencial, Gomes alerta que o processo é complexo e exige cooperação. “Isso depende muito da capacidade de muitos atuarem e poucos aparecerem. Quem tem que aparecer são as empresas que vão ser grandes”, concluiu.
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