ACP cria Câmara de Óleo e Gás para novos negócios na perspectiva da exploração da Margem Equatorial

Câmara quer funcionar como um vetor estratégico para economia paraense 

Valéria Nascimento
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A Petrobras já iniciou a perfuração de poços na Margem Equatorial, área entre os estados do Amapá e Rio Grande do Norte, com potencial de 5 a 7,5 bilhões de barris de petróleo. Diante deste próspero cenário, a Associação Comercial do Pará (ACP) lançou, no final de abril, a Câmara Setorial de Óleo e Gás e Energia. A iniciativa quer desenvolver expertise para fortalecer a economia estadual, de olho na força da cadeia petrolífera no Pará, destaca o presidente da ACP, Isan Anijar. 

“O movimento da ACP é no sentido de entender os impactos da exploração da Margem Equatorial no Pará para fomentar os negócios locais. Os empresários paraenses precisam se preparar para aproveitar o boom que será a exploração da Margem Equatorial no Pará”, disse Isan.

Em duas reuniões técnicas, ocorridas no final de abril, com a parceria da Federação das Indústrias do Pará, a Câmara Setorial de Óleo e Gás da ACP começou um movimento que busca consolidar o Pará como um importante hub energético. Para tanto, diz Isan, “é preciso entender o cenário, compreender as necessidades que vão vir para oferecer bens e serviços, e isso vale tanto para o setor público quanto para a iniciativa privada”.

Identificar oportunidades para internalizar recursos

A ACP quer identificar oportunidades para incentivar a captação de recursos e a criação de negócios a partir da cadeia de gás e petróleo e energia. “A exploração da Margem Equatorial vai pagar royalties para os municípios. O Pará tem entre 10 e 15 municípios impactados diretamente com essa exploração pela Petrobras, a exemplo de Salinas, Vigia, Colares e Chaves, na Ilha do Marajó. É preciso estar preparado”, enfatiza Anijar.

Em 29 de abril, a Câmara Setorial de Óleo e Gás e Energia da ACP e a Fiepa reuniram empresários do setor, pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) para discutir os desafios e as perspectivas da cadeia o território estadual.

Neste encontro, a ACP apresentou os objetivos da Câmara e também firmou um convênio com a Federação das Indústrias do Pará (Fiepa) para o fomento da indústria paraense de óleo e gás e energia. 

Conforme Isan Anijar, a Câmara quer construir ações que contribuam com a economia paraense. “Queremos entender as necessidades de qualificação, as dificuldades de logística, para encaminharmos soluções, fornecer informações e incentivar as empresas”. Também participaram dos encontros técnicos, pela ACP, Regina Vilanova, presidente do Conselho das Câmaras Setoriais; Nara D'Oliveira, coordenadora da Câmara Setorial de Óleo, Gás e Energia da ACP.

Municípios com direito a royalties

Anijar recordou que o Pará abriga a Serra dos Carajás, no município de Parauapebas, sudeste paraense, a maior província mineral do planeta. Em razão dessa rica reserva, os municípios paraenses com exploração minerária recebem os royalties da indústria mineral, a chamada Cfem (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais), o que vai se repetir com a exploração petrolífera.

"Os municípios precisam saber o que será esse momento para internalizar os recursos que vão vir e investir na infraestrutura das cidades, construir hospitais e escolas para a população, mas também hotéis, pousadas”, disse o titular da ACP. Nas últimas reuniões, os integrantes da Câmara, que tem a coordenação de Nara Oliveira, decidiram buscar diálogos com o governo estadual e a própria Petrobras para avançar em ações práticas.

Isan informou que em breve deve haver uma reunião com o governo estadual para que a Câmara apresente seus objetivos e obtenha apoio do estado. Uma reunião também deve acontecer em junho com a Petrobras para maior conhecimento das etapas do projeto da Margem Equatorial, no Pará.

Fiepa busca ampliar conhecimento sobre a atividade no Pará

Presidente da Federação das Indústrias do Pará, Alex Dias Carvalho, afirmou que a Fiepa é favorável à exploração da Margem Equatorial e tem procurado conhecimento sobre o processo. “A Fiepa tem buscado dados que tragam maior certeza da importância da atividade para a realidade do nosso estado, seja na agregação de novos empregos, desenvolvimento de novas cadeias produtivas e geração de impostos, através de royalties, imprescindíveis para a aceleração do desenvolvimento socioeconômico da nossa população”.

"Temos mantido uma relação profícua com a Câmara Setorial de Óleo e Gás da ACP. Uma parceria que nos oportuniza transcender o universo industrial, abrangendo outros setores devido à pluralidade de representatividade da Associação Comercial. Isso fortalece a nossa defesa e dá a todos nós mais estrutura institucional e essa estrutura certamente trará benefícios a um leque amplo de empresas, empresários e trabalhadores locais para os atendimentos da demanda dessa virtual atividade, que em breve será uma realidade no Pará e estados vizinhos”, completou Alex Carvalho.

Entenda o que é a Margem Equatorial

A Margem Equatorial é o nome dado à região litorânea que se estende do Rio Grande do Norte a Oiapoque no extremo Norte do país. A região inclui as bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar. Essas bacias se estendem pelo litoral de seis estados: Pará, Amapá, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte.

São cerca de 2.200 quilômetros. A linha do Equador passa pertinho, daí o nome: Margem Equatorial. Ela pode ter reservas de petróleo e gás com tamanho similar ao que existe na Guiana e no Suriname, a área pode produzir de 5 a 7,5 bilhões de barris de petróleo, o que equivale a quase metade das reservas provadas de todo o Brasil até o final de 2021.

A Petrobras pretende investir 2 bilhões de dólares na exploração da região em cinco anos, se o tamanho das reservas for comercialmente viável, a companhia vai conseguir manter ou até aumentar a sua produção nos próximos anos.

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