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'Tempo Líquido': Clepsidra lança álbum nas plataformas com show em Belém

Encontro do público com o som do trio será neste sábado (30), às 17h, no Discosaoleo

Eduardo Rocha
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Nos primórdios da humanidade, era muito utilizado a clepsidra, um "relógio de água". O tempo era medido pelo escoamento desse líquido de um recipiente a outro. Em maio de 2026, não se tem notícia do uso atual desse tipo de relógio, mas o tempo e as águas prosseguem passando, assim como a própria humanidade, em especial, o cenário natural da Amazônia, maior bacia hidrográfica da Terra. A relação entre esses elementos serve de ponto de partida para o trabalho musical de uma das bandas mais expressivas da música paraense, o Clepsidra. E esse trio lança neste sábado (30), às 17h, no espaço Discosaoleo, em Belém, o álbum "Tempo Líquido",  pelo Selo Labidad Produções nas plataformas digitais. 

O disco, o segundo da Clepsidra, saiu em 2006 e agora ganha espaço no universo digital, ou seja, poderá ser descoberto por mais gente. "Esse longo tempo de 20 anos entre 2006 e 2026 tem a ver com o próprio título: um tempo fluido, líquido, que é o próprio tempo dos processos da banda Clepsidra, de como pensamos esse projeto desde 2001, eu e Panzera (Maurício Panzera, integrante do grupo). Nosso intento é que a banda fosse solta e fluida, como o tempo da própria amizade, sem uma cobrança extrema por resultados, sem pressa", diz o cantor e compositor Renato Torres. 

"A primeira versão tanto de 'Tempo Líquido' quanto de nosso primeiro álbum 'Bem Musical' (2004) foi em CD, porém feito de forma artesanal pela Na Music, por meio de processos de replicação (a matriz era copiada em drives de computador). Nenhum desses dois álbuns chegou a ser prensado em fábricas, isso só foi acontecer com nosso terceiro álbum, 'Independente' (2015), de modo que sempre foram pequenas tiragens. Quem tem o CD físico desses dois álbuns tem um item raro, de colecionador", diz Renato.

O som do Clepsidra, desde o primeiro álbum, como ressalta Renato Torres, se propõe a uma pesquisa musical centrada na canção popular, letra e melodia, ou seja, as influências são muitas, e passam por folk, jazz, fusion, rock, cultura popular, mas sempre na direção de um som com identidade própria, que não procura emular nichos específicos, que se transmuta e adapta, fluidicamente. "No que diz respeito ao conteúdo lírico, o fato de eu ser previamente um poeta dá o tom das letras: poemas musicados, que em sua maioria preservam a densidade do texto poético autônomo (que prescinde da melodia). Em 'Tempo Líquido' estávamos ainda aprofundando a pesquisa, que no primeiro álbum tinha um caráter mais eletrônico e eletroacústico, e que, nesse segundo, ganha um contorno mais orgânico e com várias camadas acústicas", detalha o compositor.

A banda mantém a crença estética firme de fusão da poesia e música no processo de criação de suas canções. Com diz Renato Torres, "poesia e música são irmãs de berço desde os gregos, e na canção popular brasileira, em especial, ganharam contornos de uma grandiosidade reconhecível em todo o mundo". "Tentamos perseguir essa excelência, não sendo, por exemplo, uma prioridade pra nós o sintetismo pop que busca um sucesso imediato de larga escala. Sabemos que nossas canções exigem escuta atenta, percepção de sutilezas, ou seja, um tempo de fruição. Quem tá com muita pressa, de forma geral, acaba passando batido no som que estamos fazendo. De todo modo, aqui e ali surge uma canção nossa que as pessoas acabam adotando como uma espécie de hit mais popular, como 'A Máquina do Tempo', a canção que abre o álbum", acrescenta.

Em "Tempo Líquido", o Clepsidra era um duo que convidava músicos pra gravar e performar ao vivo. Mas, foi nesse álbum que o baterista Arthur Kunz (ex Strobo), se juntou à banda, e tornou o Clepsidra um power trio. Arthur permaneceu no grupo até o terceiro álbum, "Independente", e foi o músico que mais colaborou com a banda. No entanto, em "Tempo Líquido" há outras participações importantes: Arthur Alves (cello), Charles Matos (bateria) e Antonio Abenatar (sax) que colaboraram desde o primeiro álbum. E mais: Giselle Griz (gaita), Waldiney Machado (percussão), Iva Rothe (teclados e voz), além do grupo Labidad (coro), formado por diversos ex alunos de Renato no Colégio Moderno, entre eles Márcio Moreira (parceiro na canção "Interno") e Daiane Gasparetto (parceira na faixa-título, além de cantar em "Mão e Mar").

No show deste sábado (30), além de músicas marcantes da trajetória da banda, o Clepsidra vai também mostrar a recente “Recordar”, single lançado em setembro de
2025, e algumas canções que estarão em seu quarto álbum ainda em produção, já com o novo baterista da banda, Ivan Vanzar (ex-Madame Saatan) ue se junta Renato Torres no violão e guitarras e Maurício Panzera no contrabaixo. 

Serviço:

'Tempo Líquido'(2006), inédito nas plataformas, 
chega dia 30 de maio de 2026

Show às 17h, na Discosaoleo, 
na travessa Campos Sales, 628 (porão)
Entrada livre - pix sugerido: R$ 20
Um lançamento Labidad Produções
Apoio: Guamundo Home Studio
Faça a pré save: https://labidad.lnk.to/TempoLiquido

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Cultura
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