De Batanga a Barro Preto: Conheça os universos visuais de ‘A Nobreza do Amor’
Nova produção da TV Globo aposta em figurinos exclusivos e pesquisa histórica para retratar a nobreza africana e o charme dos anos 1920
Nesta segunda-feira, 16, estreia na faixa das seis a novela ‘A Nobreza do Amor’. A trama da TV Globo faz a conexão Brasil-África. O país e o continente se aproximam para abrigar uma história de amor e aventura, em um universo de reis e rainhas africanas, batalhas, disputa de poder, luta por justiça e o despertar do amor entre uma princesa africana e um trabalhador de engenho do Nordeste.
No lançamento da novela, que ocorreu na Ilha Fiscal, no Rio de Janeiro, o Grupo Liberal estava presente e conversou com o elenco. Batanga, reino fictício africano que abriga o lar de nobres e guerreiros, foi uma colônia portuguesa e retomou sua liberdade no final do século XIX em uma guerra liderada por seu futuro rei, Cayman II (Welket Bungué), com o apoio de Niara (Erika Januza), a futura rainha, e Jendal (Lázaro Ramos), que se tornou primeiro-ministro do país.
“A novela, como diz o título, está focada nesse grande desafio que é fazer com que o amor prevaleça. Ao mesmo tempo que temos uma história, ao meu ver, de base shakespeariana, em que nós temos também muita ambição, traição, coragem e aventura, nós temos também uma história guiada por uma princesa que se desloca do seu reino e vai para um outro território que é o Brasil. Naturalmente essa é a motivação dela, justamente se manter viva e reunir uma equipe de pessoas que possa voltar ao reino de Batanga para se rebelar contra o grande vilão”, explica Welket Bungué.
Na obra, o ator é pai de Alika (Duda Santos) e marido de Niara. Filho caçula de Cayman I, assume a coroa de Batanga após a vitória na Guerra de Independência do país. É deposto através de um golpe de Estado do primeiro-ministro Jendal e morre durante a fuga com a família real, ainda em terras africanas.
“Esse é um projeto volumoso; eles fizeram um levantamento extenso sobre a herança africana no Brasil, mas também dos grupos étnicos que poderiam ter um destaque mais emblemático. Temos também um consultor histórico que nos dá informações mais concretas do ponto de vista criativo; isso influencia na forma como nos comportamos e atuamos, como se trata a hierarquia em um reino, embora se trate de um reino fictício. Como eu nasci na Guiné-Bissau, um país da África, a referência daquelas pessoas que estão em papel de liderança foi algo sempre embutido na minha cultura. E agora poder interpretar um personagem que inicialmente começa como um guerreiro, mas depois se vê na função de rei, é engrandecedor”, acrescenta.
Batanga foi concebida com uma estética cheia de referências ao continente africano, com um mosaico de influências de povos como iorubá, bantu e masai. A família real veste peças com padrão exclusivo desenvolvido em tear, inspirado no Aso Oke, tecido artesanal iorubá associado à nobreza. Tons de dourado e vermelho, as cores do reino, predominam e reforçam a imponência do grupo.
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Já em Barro Preto, cidade fictícia brasileira da história, a estética muda com inspirações em balneários franceses dos anos 1920; a paleta mistura os tons terrosos das falésias com azuis e verdes do mar, refletindo o encontro entre sertão e litoral. Com muito jeans, roupas de alfaiataria sob medida, figurinos inspirados na estilista Madeleine Vionnet, referência da alta-costura francesa, e elegância art déco com listras, estilo al mare, dentre outros.
É no Nordeste, em Barro Preto, no Rio Grande do Norte, que a princesa Alika e a rainha Niara vão encontrar refúgio e passam a ser Lúcia e Vera. De início, quem mais presta atenção na jovem é Tonho (Ronald Sotto), um rapaz simples e honesto, trabalhador da maior fazenda de cana-de-açúcar da região, que sonha em conquistar um pedaço de terra para ajudar seu povo.
“‘A Nobreza do Amor’ está vindo com uma superprodução que vem para mostrar um lado sobre o amor e a conexão, sobre a história da Diáspora africana, que é um pouco dessa junção de Brasil e África que está culturalmente e fisicamente inserida. Eu espero que seja um projeto que vai fazer muitos de nós sonharmos com esse protagonismo e com essas pessoas em abundância conquistando seus objetivos”, disse Ronald Sotto.
Esse protagonismo do ator é dividido com Duda Santos. A atriz revelou que interpretar uma heroína é a realização de um desejo pessoal.
“Tem sido um exercício diário para mim olhar para esse lugar da minha nobreza, da minha grandeza, entender que isso é uma coisa que vem de muito tempo; é uma história que não contaram para a gente”, afirmou.
A atriz Erika Januza também vive essa emoção de interpretar uma rainha africana, mostrando “o povo preto em um outro recorte”. Outro destaque da artista é a riqueza existente no ambiente; elementos visuais, figurinos e referências culturais fazem parte da construção de um universo nobre.
“Essa novela chega como um marco importante; para mim é. Mostrar a África na TV aberta. Mostrar o povo preto vivendo na realeza e que o seu dilema é recuperar o reino ou não; é muito legal poder mostrar um outro ponto de vista na TV brasileira do povo preto, que por tanto tempo foi contado de uma mesma forma e ponto de vista. É muito importante o que vamos deixar para as novas gerações sobre o que foi mostrado e o que vamos mostrar a partir de agora: sobre quem pode protagonizar uma novela, ter um papel de destaque, ser uma realeza, estar em lugares de poder, valorização e figurinos lindos. Estou feliz mesmo de estar fazendo parte desse marco; acho que estamos abrindo as portas de coisas lindas que estão por vir”, explica Erika Januza.
Produzida nos Estúdios Globo, ‘A Nobreza do Amor’ é uma novela criada e escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Júnior, com colaboração de Dora Castellar, Alessandro Marson, Duba Elia e Dione Carlos, pesquisa de Leandro Esteves e assistência de roteiro de Dimas Novais. A obra tem direção artística de Gustavo Fernandez, direção geral de Pedro Peregrino e direção de Ricardo França e Mariana Betti. A produção é de Andrea Kelly, a produção executiva é de Lucas Zardo, e a direção de gênero é de José Luiz Villamarim.
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