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Re-Pa maior que a Seleção? Vídeo do Podpah com Mizael Silva mostra paixão do futebol em Belém

Entre Ver-o-Peso, açaí, carimbó e a tradição da Cremação, episódio revela como o futebol se mistura à identidade cultural paraense

O Liberal

Se alguém ainda duvida que o futebol no Pará é diferente do resto do Brasil, basta dar uma volta pelo Ver-o-Peso. Em Belém, a Copa do Mundo mobiliza torcedores, mas há uma verdade que muitos moradores fazem questão de deixar clara: antes da Seleção Brasileira, vem o Re-Pa.

É esse retrato que aparece no episódio "De Mala e Cuia em Belém", do Podpah com Mizael Silva, publicado nesta terça-feira (9). Entre vendedores, comerciantes, líderes de torcida e personagens populares da cidade, o vídeo percorre alguns dos principais cartões-postais da capital e revela um jeito único de viver o futebol.

Nas entrevistas, não faltam opiniões sinceras. Um torcedor resume o sentimento de boa parte dos paraenses ao afirmar que torce primeiro pelo Paysandu, só depois pela Seleção. Do outro lado, remistas aproveitam qualquer oportunidade para exaltar a força do Remo e provocar os rivais.

Ver-o-Peso vira arquibancada para o debate entre Re-Pa e Seleção

Entre bancas de peixe, ervas e castanhas, o Mercado do Ver-o-Peso se transforma em uma verdadeira mesa-redonda sobre futebol. O assunto vai da busca pelo hexa até discussões sobre qual clube tem a torcida mais apaixonada do Pará.

Como toda conversa entre torcedores, os números também ganham versões próprias. Há quem garanta que o Leão Azul consegue colocar mais gente no estádio do que a capacidade permite. Outros defendem que a solução para a Seleção Brasileira seria convocar alguns jogadores do Paysandu para reforçar o meio de campo.

Brincadeiras à parte, o vídeo mostra como o futebol funciona como uma extensão da identidade paraense. No Ver-o-Peso, falar de bola é tão natural quanto negociar peixe ou vender ervas medicinais.

Na Cremação, a Copa começa muito antes do apito inicial

Se existe um lugar onde a paixão pelo futebol ganha cores próprias em Belém, esse lugar é a travessa 3 de Maio, no bairro da Cremação.

Conhecida pelas ornamentações durante as Copas do Mundo, a rua volta a reunir moradores para pintar o asfalto, instalar bandeirinhas e transformar a paisagem em um cenário de torcida. A tradição atravessa gerações e segue mobilizando a comunidade.

Mais do que decoração, os moradores enxergam a iniciativa como uma demonstração de união. É a forma encontrada pela vizinhança para mostrar que o futebol continua sendo uma das principais manifestações culturais do bairro.

Açaí, maniçoba e o combustível do torcedor paraense

Mas nem só de futebol vive o paraense. O episódio também mergulha em outra paixão local: a gastronomia.

O açaí aparece como protagonista em diversos momentos. E logo surge um alerta para os visitantes: em Belém, a versão tradicional continua sendo acompanhada de peixe frito e farinha, bem distante das receitas que ganharam fama em outras regiões do país.

Além do açaí, o vídeo apresenta sabores que fazem parte do cotidiano paraense:

  • Maniçoba, considerada por muitos a "feijoada paraense";
  • Gurijuba, filhote, dourada e pescada-amarela;
  • Castanha-do-Pará em diferentes versões;
  • Farinha d'água e farinha de tapioca como acompanhamentos tradicionais.

Da Tigresa ao DJ Bacalhau: personagens que representam Belém

Parte do charme do vídeo está nos personagens encontrados pelo caminho. Entre eles está a Tigresa, também conhecida como Onça da Mata, figura popular ligada à animação das torcidas locais.

Outro destaque é o DJ Bacalhau, personagem do Ver-o-Peso que mistura o universo da música com a paixão pelo boxe e pelo futebol.

As tradicionais bancas de ervas também entram em cena com perfumes e essências de nomes curiosos, conhecidos por moradores e turistas que visitam o mercado em busca de proteção, sorte ou prosperidade.

de Belém': o orgulho que aparece em cada conversa

Além do futebol, o vídeo registra um traço marcante da cultura local: o orgulho de ser paraense.

Ao longo das entrevistas, moradores corrigem expressões usadas por visitantes, explicam costumes e reforçam tradições que fazem parte da rotina da cidade. Uma das observações mais repetidas é direta:

"É de Belém, não do Belém."

A mesma defesa aparece quando o assunto é a castanha-do-Pará, o consumo tradicional do açaí ou até mesmo a famosa chuva das 14h, considerada quase uma instituição da capital paraense.

No fim das contas, o episódio mostra que entender Belém passa necessariamente pelo futebol. Mas também exige conhecer o Ver-o-Peso, experimentar um açaí com peixe, ouvir Carimbó e compreender que, por aqui, a paixão pelo Re-Pa é quase tão importante quanto qualquer Copa do Mundo.

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