Quem é Ken Peplowski, ícone do jazz encontrado morto em cabine de cruzeiro

Aos 66 anos, Peplowski seguia em plena atividade artística, mesmo enfrentando câncer

Redação O Liberal com informações da AE

O mundo do jazz lamenta a perda de Ken Peplowski, renomado clarinetista e saxofonista tenor. O músico foi encontrado morto no domingo (1º) dentro da cabine de um cruzeiro, após não comparecer a uma apresentação.

Peplowski, aos 66 anos, estava a bordo do navio Celebrity Summit, no Golfo do México, participando do The Jazz Cruise '26, um evento musical de sete dias. A causa da morte ainda não foi divulgada oficialmente.

Apesar de enfrentar um mieloma múltiplo, um tipo raro de câncer, desde 2021, o artista mantinha uma agenda ativa. Sua vitalidade musical e presença em palcos e gravações eram constantes, mesmo com o histórico de saúde delicado.

Uma vida dedicada ao jazz tradicional

Nascido como Kenneth Joseph Peplowski em 23 de maio de 1959, em Cleveland, Ohio, ele cresceu em uma família musical. Seu pai incentivou a formação de uma banda de polca, e Ken se apresentava frequentemente em eventos comunitários ainda adolescente. Essa base moldou sua disciplina e respeito pela tradição musical.

A carreira de Peplowski ganhou destaque ao chamar a atenção do trombonista Buddy Morrow. Ele foi convidado a integrar uma formação ligada à Tommy Dorsey Orchestra, viajando pelos Estados Unidos entre 1978 e 1980. Essa experiência foi decisiva para sua formação profissional.

Ascensão no jazz e reconhecimento internacional

Nos anos 1980, em Nova York, Ken Peplowski rapidamente se destacou no circuito jazzístico. Seu domínio técnico e sonoridade elegante o estabeleceram como um herdeiro da tradição clássica do clarinete. Embora comparado a Benny Goodman, sua principal influência era Jimmy Hamilton.

Peplowski também desenvolveu uma voz própria no saxofone tenor. Seu estilo era contido, lírico e sofisticado, diferente do exagero comum ao instrumento. Essa abordagem discreta o tornou uma referência técnica e estética no jazz.

Discografia extensa e parcerias

Ao longo de mais de cinco décadas, Ken Peplowski participou de mais de 400 gravações e lançou mais de 70 álbuns como líder. Ele gravou pela Concord Records por mais de uma década, consolidando seu nome entre os intérpretes do jazz tradicional contemporâneo.

Entre seus trabalhos notáveis estão projetos do Great American Songbook, gravações ao vivo e tributos a mestres. O disco "Live at Mezzrow" destacou sua maturidade artística, reunindo interpretação refinada, swing preciso e domínio harmônico. Nos anos 1990 e 2000, colaborou com Leon Redbone, Hank Jones, Charlie Byrd, Rosemary Clooney e Mel Tormé.

Legado como educador e diretor musical

Além dos palcos, Ken Peplowski deixou sua marca como educador. Em 2007, foi consultor de jazz do Oregon Festival of American Music e diretor musical do Jazz Party at The Shedd por anos. Ele contribuiu ativamente para a formação de novos músicos e a preservação do jazz.

Reconhecido por sua abordagem pedagógica, Peplowski defendia a importância da respiração, apoio de ar e técnica clássica como fundamentos para a improvisação. Sua visão influenciou gerações de clarinetistas.

Os últimos anos e o legado de Ken Peplowski

Mesmo após enfrentar complicações de saúde, como um quadro severo de Covid-19 em 2020 e o diagnóstico de mieloma múltiplo em 2021, Ken Peplowski permaneceu ativo. Seu último grande projeto, "Unheard Bird", revisitou o repertório de Charlie Parker with Strings, mostrando sua maestria no saxofone tenor.

Durante o cruzeiro de jazz onde faleceu, o músico participou de apresentações, painéis e encontros musicais. Ele também apresentou seu álbum mais recente, lançado em 2024. Sua ausência inesperada em um show marcou o alerta que levou à descoberta de seu falecimento.

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