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‘Pé de Caju’: livro de Thabata Vecchio nasce de memórias de Belém e chega aos leitores

Bate-papo e sessão de autógrafos ocorrem neste sábado (21), no Livraria Travessia

Amanda Martins
fonte

Entre mangueiras, cores e sabores, a cidade de Belém conquistou mais uma vez as páginas literárias. É nesse cenário que nasce “Pé de Caju”, o primeiro livro da pesquisadora, cineasta e arte-educadora Thabata Vecchio, que estará na capital paraense entre os dias 20 e 23 de março para apresentar ao público a obra infantojuvenil guiada pelas culturas populares. E a autora já tem um primeiro encontro marcado com os leitores: no sábado (21), participa de um bate-papo seguido de sessão de autógrafos na Livraria Travessia, localizada no bairro do Umarizal, das 18h às 20h.

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“A ideia é estar próxima dos leitores, ouvir percepções e compartilhar um pouco do processo de criação da obra, que também dialoga com referências culturais do Norte”, adiantou em entrevista exclusiva ao Grupo Liberal.

Encontro em Belém

Essa não é a primeira vez da escritora na capital paraense. Thabata esteve em Belém no fim de 2021 e define a experiência como um ponto de virada em sua trajetória pessoal e artística. Segundo ela, estar na cidade foi como viver um ‘encontro marcante’, que transformou sua forma de perceber o mundo.

“Belém foi paixão na primeira visita. Uma paixão sonora desde a primeira musica que me visitou, da culinária que comi e das danças que assisti na televisão mesmo antes de conhecer este chão”, afirmou Thabata.

image Capa do livro 'Pé da Caju' (Divulgação)

Thabata afirma que foi no Pará que percebeu que a cultura que tanto admirava nos livros e nas telas estava ‘viva, pulsando nas ruas’. “Desde então, toda vez que volto, fico com a sensação de querer retornar. Como se eu não tivesse mais uma casa só, mas dois polos que me movem. ‘Pé de Caju’ nasce dessa vontade de enxergar esse movimento, enxergar todo Brasil que está presente no meu cotidiano, enxergar o Pará que vive aqui na minha memória comigo”, declarou.

Leitura propõe uma viagem pelo Brasil  

Publicado no ano passado pela C.I.Editorial/Cuca Insana, o livro tem 56 páginas e propõe uma experiência que mistura fotografia, narrativa e ilustração. Na obra, o leitor irá acompanhar Sandra e seu amigo Lico, dois jovens que sonham em conhecer o Brasil. Partindo de Suzano, em São Paulo, eles embarcam em uma jornada imaginativa que revela símbolos da cultura popular brasileira, como o Boi-Bumbá, o muiraquitã, uma fita azul misteriosa e um pé de caju encantado.

A autora explica que ao longo da história, o livro constrói uma travessia que dialoga com diversidade, pertencimento e memória, convidando o leitor a observar o país a partir de suas múltiplas expressões culturais. As fotografias são assinadas por Larissa Souza e Lorraine Moreira, enquanto as ilustrações são de Natalia Rodrigues, criando uma estética que mistura registros urbanos com intervenções visuais e elementos oníricos.

Durante o processo de criação, as fotógrafas foram incentivadas a registrar memórias de suas próprias cidades, enquanto as ilustrações buscaram traduzir, de forma sensível, referências das culturas populares pesquisadas por Thabata. Ela explica que esse universo sempre esteve presente em sua trajetória.

“As culturas populares brasileiras sempre estiveram muito presentes em mim, no meu fone, nas minhas telas, nas minhas roupas e na minha forma de falar”, contou, complementando que o livro surge justamente do encontro entre a sua  infância curiosa e a construção de sua identidade artística ao longo dos anos.

Processo criativo

Thabata também destaca que elementos naturais, como as árvores de Belém, funcionaram como ‘portais narrativos’. “O livro nasce dessa vontade de enxergar esse movimento, enxergar todo Brasil que está presente no meu cotidiano, enxergar o Pará que vive aqui na minha memória comigo. A arvore como símbolo central da historia faz uma relação com as mangueiras e as samaumas que via e ficava encantada. Todas essas arvores são portais para um Brasil absoluto”, explicou.

Lançamento

Para ela, a publicação do livro marca um momento significativo em sua trajetória. A autora relata que ver a obra impressa representou a materialização de um processo íntimo e afetivo. “Ver o livro impresso foi como olhar para uma parte da minha vida materializada”, disse, destacando que um dos desejos era justamente lançar o trabalho em Belém, o que agora se concretiza durante a programação na cidade.

Além de alcançar leitores, a escritora espera que a obra circule em espaços educativos e culturais. Em sua avaliação, transformar a pesquisa em literatura foi um processo natural, já que o material reunia imagens, histórias e sensações.

“Transformar a pesquisa em literatura foi um processo muito natural, porque ela já vinha carregada de imagens, histórias e sensações. O desafio foi organizar tudo isso sem perder o encantamento. Belém me ajuda nesse encanto”, disse Thabata.

Sobre a autora

Thabata Vecchio é mestra em Artes pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Sua pesquisa se dedica a produções que entrelaçam autobiografia, cultura popular
brasileira e narrativas periféricas.

Professora da rede pública e atualmente gestora escolar, desenvolve sua prática
educativa em diálogo com a arte e a literatura. Como integrante do coletivo Lentes Periféricas, realizou filmes premiados em festivais, entre eles “Que os Olhos Ruins Não Te Enxerguem” (2019) e “Onde a Terra Me Escreve” (2025).

SERVIÇO:

  • Sessão de autográfo e bate-papo literário


Data: sábado, 21 de novembro;
Horário: a partir das 18h;
Local: Livraria Travessia, localizado no bairro do Umarizal, em Belém;
Entrada gratuita.

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