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Pássaros e bichos voam no Theatro da Paz para contar a Amazônia

Festival com 23 grupos culturais do Pará ocorre em Belém de sexta (26) a terça (30), com entrada franca

Eduardo Rocha
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Os saberes ancestrais da Amazônia são contados de geração em geração por meio de histórias que sensibilizam pessoas de todas as idades, em especial crianças e jovens, que se juntam, então, aos adultos para garantir a perpetuação dessas raízes culturais dos povos da região. E essas histórias, versando sobre a vida de ribeirinhos, indígenas e quilombolas em relação direta com a flora e a fauna desse bioma, ganham uma força maior quando Pássaros Juninos e Cordões de Bichos se apresentam no palco do Theatro da Paz, no centro de Belém. Esse momento da cultura popular da Amazônia na casa centenária ocorrerá a partir das 18h desta sexta-feira (26) até terça-feira (30) no V Festival de Pássaros e Bichos do Pará. Tudo com entrada franca.

Serão 23 grupos tradicionais no palco, e o evento será realizado em homenagem à professora Julieta Malcher de Castro, histórica guardiã do Pássaro Junino Rouxinol. O festival é promovido pela Associação Folclórica e Cultural Colibri de Outeiro e terá, na sua abertura oficial, o impacto visual de todos os porta-pássaros e porta-bichos do estado reunidos simultaneamente no palco do Theatro.

O festival tem à frente de sua organização a mestra Laurene Ataíde, que assina a direção geral do evento. Laurene atua como guardiã do Cordão de Pássaro Colibri de Outeiro e como presidente da Associação. Como repassa a coordenação do festival, a realização dessa quinta edição do evento constitui-se em “um verdadeiro ato de bravura e dedicação à cultura popular”, diante da falta de recursos financeiros para fazer frente aos investimentos nos preparativos dos grupos culturais para as apresentações. Entretanto,  a manutenção do festival na agenda cultural de Belém foi viabilizada graças a uma parceria com o Governo do Estado do Pará, por meio do Theatro da Paz, que cedeu a pauta para apresentação dos grupos.

A homenagem à professora Julieta Malcher de Castro (1930-1985) justifica-se por ela ter assumido a guarda do Pássaro Junino Rouxinol — o grupo mais antigo em atividade em Belém — na década de 1930 e ter comandado uma verdadeira revolução estética na manifestação ao longo de 55 anos de dedicação. 

Pioneira, Julieta transpôs o chamado "luxo de salão" para as apresentações populares de rua, introduzindo o requinte dos bordados detalhados, pedrarias e o luxo das ornamentações nas indumentárias. Sob sua batuta, o Rouxinol viveu uma era de ouro entre as décadas de 1960 e 1970, conquistando dez títulos consecutivos nos certames oficiais e ganhando projeção na mídia nacional. 

Em suas apresentações, os Pássaros Juninos e os Cordões de Bichos compõem uma ópera cabocla em que  dão voz à identidade de territórios periféricos e insulares. Para isso, contam com música, encenação dramática e saberes ancestrais, o que é sempre algo enriquecedor para a plateia.

“Cada pássaro escolhe o tema do espetáculo, e essa história pode se passar numa floresta, em um reinado, numa fazenda, depende do autor. É uma peça de teatro musicada e tem todos os elementos da brincadeira do pássaro. Tem uma corte, fada, feiticeira, tribo indígena, uma matutagem. A matutagem é realizada para quebrar o tom dramático da peça, porque às vezes as peças são muito dramáticas. E aí se faz uma cômica para quebrar esse tom”, detalha Laurene Ataíde. 

Os pássaros têm formato para teatro, com a trama sendo contada em atos. Já os cordões de bicho se apresentam com os participantes formando uma meia-lua e, então, cada personagem conta a sua história. Numa alusão à preservação da Amazônia, nos espetáculos o pássaro é protegido do caçador. “O Pará é o único estado do Brasil que tem o seu teatro próprio, que é o Teatro dos Pássaros. E, então, a gente preserva uma cultura que só existe aqui, no Estado do Pará. É um teatro que tem a família como base. Tem gente de todas as idades. No meu caso, eu herdei esse trabalho da minha mãe (Teonila)”, destaca Laurene.

Voos

Nesta sexta-feira (26), às 18h, apresentam-se os grupos Rouxinol, Tangará e Tem-Tem (Guamá). No sábado (27), a partir das 11h, o público confere apresentações do Ararajuba, Borboleta Azul (Mosqueiro), Tem-Tem (Outeiro), Pavãozinho do Pará (Abaetetuba), Borboleta Encantada (Abaetetuba), Colibri de Outeiro e Cordão do Curió. Para o domingo (28), a partir das 11h, estão agendados o Cordão Urubu, Tem-Tem (Curuçá), Maçariquinho (Salinópolis), Japiim, Beija-Flor e Cordão Oncinha.

Na segunda-feira (29), às 18h, será a vez do Pequeno Guará, Cordão Bacu, Tucano e Suindara. E, no último dia do festival, na terça-feira (30), a partir das 18h, o público vai conferir apresentações do Pipira, Uirapuru da Liberdade e Pavão.

“A nossa missão é preservar essa cultura genuinamente paraense”, destaca a mestra Iracema Oliveira, 89 anos, guardiã do Pássaro Junino Tucano. Ela diz que se apresentar no Theatro da Paz  “é uma glória, é um prazer muito grande o pássaro tucano voando lá naquele teatro”. “O povo está lá dentro do teatro, porque o teatro é nosso”, completa Iracema. 

O V Festival de Pássaros e Bichos do Pará tem o apoio do Projeto Point Colibri de Comunicação, Pontão de Cultura Ninho do Colibri, Theatro da Paz e Secretaria de Estado de Cultura (Secult/Governo do Pará). 

 

Serviço:

Evento: V Festival de Pássaros e Bichos do Pará 2026

Data: De 26 a 30 de junho de 2026

Horário de Abertura: sexta-feira (26/06), às 18h 

Local: Theatro da Paz (Rua da Paz, s/n - Centro, Belém - PA)

Entrada: Gratuita 

Classificação: Livre para todos os públicos




 

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