Na disputa pelo samba-enredo da Beija-Flor de 2027, compositores pesquisam a vida de Zeneida Lima
A trajetória de Zeneida Lima inspira um os sambas-enredo que disputam vaga na Beija-Flor de Nilópolis para o Carnaval de 2027
A trajetória de Zeneida Lima, pajé marajoara e referência dos saberes tradicionais da Amazônia, inspira um dos sambas-enredo que disputam vaga na Beija-Flor de Nilópolis para o Carnaval de 2027. O projeto, identificado como Samba 02, é fruto de uma parceria entre compositores do Pará e do Rio de Janeiro.
A obra é assinada pelos paraenses Ailson Picanço e Marcelo Moraes, além dos cariocas Junior PQD, Junior Billy Mandy, Geraldo M. Fenícios e Marquinho Paloma. Esses compositores possuem experiência em disputas nas principais escolas do Grupo Especial.
Eles transformam em versos e melodia o enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”. Este samba levará à Marquês de Sapucaí uma homenagem à escritora, compositora, ambientalista e fundadora do Instituto Caruanas do Marajó Cultura e Ecologia.
Mais que uma disputa, a parceria apresenta um projeto aprofundado. Ele é construído a partir de pesquisa histórica e imersão cultural. Uma produção audiovisual foi desenvolvida para aproximar o público do universo simbólico da homenageada.
Pesquisa aprofundada embasa a obra
Para criar a obra, a equipe imergiu na trajetória de Zeneida Lima. Eles também exploraram os elementos que compõem a identidade cultural do Marajó. A pesquisa incluiu o estudo da história da homenageada e gravações em Soure, município ligado à sua vida.
Gravações adicionais ocorreram no Rio de Janeiro. Elas foram realizadas em parceria com a Imagina Rio, visando ampliar o alcance do projeto.
A concepção artística do videoclipe é assinada pela produtora paraense Altar Sonoro. A direção criativa é de Guilherme Takshy e Naré. Eles foram responsáveis pelo roteiro, direção artística, fotografia, produção, figurino e edição.
Altar Sonoro e a produção audiovisual
Reconhecida nacionalmente, a Altar Sonoro desenvolve projetos para diversos artistas. Entre eles estão Gaby Amarantos, Dona Onete, Jaloo, Zaynara e Viviane Batidão.
A produtora conquistou o Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira de Melhor Obra Audiovisual. Também recebeu o MVF Awards de Melhor Videoclipe – Narrativa. Ambos os prêmios foram pelo videoclipe “Rock Doido”, de Gaby Amarantos.
Ailson Picanço: Trajetória vitoriosa no samba
Professor da Universidade do Estado do Pará (UEPA), Ailson Picanço é um dos compositores amazônicos mais vitoriosos. Ele se destaca na atualidade por sua trajetória no samba-enredo.
Dedicado ao samba-enredo há mais de 15 anos, Picanço iniciou no Carnaval Virtual. Sua estreia em disputas presenciais foi na própria Beija-Flor. Isso ocorreu no concurso que definiu o samba do enredo "Iracema", em 2017.
Desde então, Picanço acumulou participações em importantes escolas de samba. Ele esteve presente em agremiações do Rio de Janeiro, São Paulo e Belém.
Na capital fluminense, disputou sambas em escolas como Beija-Flor, Grande Rio e Imperatriz Leopoldinense. Também participou com Porto da Pedra, Salgueiro, Vila Isabel, São Clemente, Cubango e Maricá.
Em São Paulo, integrou parcerias da Mancha Verde, Vai-Vai e Nenê de Vila Matilde. Outras agremiações foram Acadêmicos do Tucuruvi e Dragões da Real.
No Pará, assinou obras para Rancho Não Posso Me Amofiná e Quem São Eles. Além disso, colaborou com Mocidade Olariense e Deixa Falar.
Ao longo de sua carreira, Ailson Picanço participou de mais de 30 finais de samba-enredo. Ele emplacou seis sambas na Marquês de Sapucaí. Um samba foi para o Sambódromo do Anhembi e quatro para o Carnaval de Belém.
Em 2025, venceu a disputa da Beija-Flor de Nilópolis com “Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas”. Essa obra foi eleita Melhor Samba-Enredo pelo tradicional Estandarte de Ouro.
No mesmo ano, conquistou a disputa da Acadêmicos do Grande Rio com “A Mina é Cocoriô”, ao lado de Marcelo Moraes. Em 2026, Picanço venceu novamente a disputa da escola de Duque de Caxias.
"A Beija-Flor faz parte da minha história. Voltar a disputar um samba na escola com um enredo que homenageia Zeneida Lima é motivo de muito orgulho", afirmou Picanço. "Fizemos um trabalho sério de pesquisa e imersão para construir um samba que represente, com respeito, a força da cultura marajoara e da Amazônia. Esperamos emocionar a comunidade e honrar essa história."
Para Ailson Picanço, as conquistas recentes também representam o reconhecimento da tradição do samba produzido no Pará.
"O Pará sempre foi um celeiro de grandes compositores de samba-enredo", declarou. "Esta é a terra de Manito, Alcyr Guimarães e Ruy Barata. Temos uma discografia que nos enche de orgulho. O reconhecimento e as conquistas dos últimos anos abrem espaço para que mais compositores sonhem e conquistem vitórias na Marquês de Sapucaí."
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