Layse apresenta a perspectiva feminina no brega saudade

Cantora da banda 'Farofa Tropikal' lança o seu primeiro trabalho solo, o EP 'Caso Raro'

Vito Gemaque

A cantora e instrumentista Layse, integrante do grupo “Farofa Tropikal”, lança o primeiro trabalho solo nesta sexta-feira, 19. O EP “Caso Raro" estreia em todas as plataformas digitais com quatro faixas inéditas em que assina a composição e produção.

O projeto será completado no dia 26 de fevereiro com o lançamento de um podcast em que a artista comenta faixa a faixa o novo álbum, explorando as histórias das canções e da produção em si.

O EP “Caso Raro” é um projeto contemplado pelo edital Prêmio Rede Virtual de Arte e Cultura, da Fundação Cultural do Pará, 2020, e conta com as faixas 'Caso Raro', 'Hit de Sucesso' e 'Papo Legal', além da faixa bônus 'Parece que o mundo vai acabar', produzida durante o início da pandemia em parceria com Armando de Mendonça Filho. 

Layse, que é cantora, instrumentista e DJ, trouxe do berço a paixão pela música como neta do maestro trompetista do município de Breves, Pedro Silva. O início da carreira ocorreu em Curitiba aos 19 anos, como produtora cultural realizando eventos que reuniam a comunidade paraense na cidade e posteriormente, a festa “Fervo do Jambu” que por três anos disseminou a música, dança, culinária e a cultura do Pará na capital paranaense.

Layse participou de diferentes projetos musicais, como a banda “Macaco Mel”, de MPB/Pop, como vocalista e percussionista. A banda, além de circular por Curitiba e litoral do Paraná, também realizou shows por Santa Catarina e São Paulo. Após o “Macaco Mel”, Layse começou com o guitarrista Lorran Valle o projeto que viria a se transformar no “Farofa Tropikal”, assumindo bateria e vocal no trio, composto também pelo contrabaixista Gabriel Dietrich.

Em Belém, Layse também atua em projetos como o Clube da Guitarrada, como compositora, coordenadora social e baterista. No Clube, fundado em 2017, dividiu palco com grandes nomes da música paraense como Aldo Sena, Mestre Curica, Mestre Solano, Ximbinha, Anaice da Guitarra, Felix Robatto, Jano Astete (Peru) e também os mestres do Carimbó, da percussão e do cancioneiro popular, como Mestre Damasceno, Mestre Diquinho, Nazaco Gomes, Marcio Jardim, Ronaldo Silva e etc.

O novo álbum tem como estilo predominante o brega saudade paraense. Neste universo romântico, Layse traz a mulher como protagonista das letras. As faixas se destacam por deslocar a mulher da posição de objeto de desejo masculino para ser a voz principal ao exprimir sentimentos e subjetividade.

“Dentre os gêneros musicais paraenses ligados ao universo da ‘saudade’, como o brega, o bolero e a guitarrada, as composições, que quase sempre são assinadas por homens, impõem à mulher o papel exclusivo de musa inspiradora ou alvo, um mero objeto de desejo do artista apaixonado e retratam em suas letras. Quase sempre um ponto de vista machista e ofensivo às mulheres”, argumenta. 

Além do lirismo das letras, Layse também se desloca dentro do cenário musical e tenta se firmar como compositora, arranjadora, produtora musical e instrumentista. O EP “Caso Raro” é um trabalho sustentado pelos desafios e estratégias que a artista encontrou ao longo da trajetória artística enquanto mulher do norte do país.

Música
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