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Thiaguinho mergulha na sua ancestralidade e lança ‘Bem Black’

Em entrevista do Grupo Liberal, o cantor fala sobre projeto que chega com referências da black music brasileira e internacional.

Bruna Dias Merabet

O público que viveu intensamente os 10 anos do Tardezinha, agora se prepara para mergulhar em um Thiaguinho ‘Bem Black’. O álbum, que chega com esse nome, já está disponível nas plataformas de música. Para esse trabalho, o cantor chega com canções inéditas inspiradas na black music dos anos 70/80 e também de visual novo.

Thiaguinho pontua que nunca se limitou musicalmente ao longo dos mais de 20 anos de trajetória. Mesmo imerso no mundo do samba e pagode, ele se permite evoluir na música e entregar projetos, como podemos citar a turnê “Meu Nome é Thiago André”, que entregava um espetáculo nos teatros do Brasil.


“Acho que [esse trabalho] é uma expansão natural da minha caminhada e do meu amadurecimento como artista. Nunca me limitei a rótulo nenhum, porque minha história sempre foi maior do que qualquer caixinha. Eu amo fazer música. Esse álbum reflete um entendimento racial que foi se construindo ao longo dos anos. A música preta sempre me atravessou, mesmo antes de eu conseguir nomear isso. Hoje, com mais consciência, entendo o peso e a responsabilidade de ser um artista negro ocupando espaços e valorizando uma herança que abriu caminhos para todos nós”, pontua.

O ‘Bem Black’, 23º álbum do artista, apresenta canções que mostram influências de soul, jazz e blues na trajetória de Thiaguinho através da sua identidade artística. Além disso, o projeto conta com participações especiais fora do eixo do pagode, como Sandra de Sá e Negra Li.
Vale lembrar que há pouco mais de dez anos, em 2015, o cantor lançou um álbum de estúdio chamado ‘Hey, mundo!’. O trabalho apresentou um Thiaguinho imerso ao R&B e outros gêneros da black music norte-americana, claro, com uma pitada de pagode.

“A black music é muito além de um tipo de sonoridade. Ela carrega resistência e identidade; isso conversa muito com quem eu sou e com a minha história. O som e a estética são incríveis, claro, mas nada disso vem vazio, tudo carrega propósito. O processo criativo desse álbum foi de muito respeito e cuidado. Eu não quis me afastar do que me construiu. O pagode é a minha base, então o caminho foi trazer essas influências de forma orgânica, deixando-as dialogarem com o pagode, sem forçar nada”, explica.

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A gravação do álbum ‘Bem Black’ ocorreu ao vivo em uma casa de shows em São Paulo no fim de 2025. São 14 faixas inéditas e sete regravações, misturando a essência do pagode a ritmos que movimentaram uma geração, como os traços do soul, jazz, afrobeat e R&B, reunindo performances e narrativas que ampliam o impacto do repertório.

Além das duas participações citadas, Gaab, Walmir Borges e Sampa Crew também estão presentes no álbum. Já o audiovisual conta com as atuações de Cris Vianna, Mumuzinho e Pathy Dejesus.


‘Bem Black’ busca “celebrar, mas, sobretudo, exaltar a pluralidade da música preta”, como disse Thiaguinho em uma das suas postagens sobre o projeto. O cantor enxerga esse momento como uma nova apresentação cultural dentro da música brasileira, mas sem se limitar, já que ele deixa bem claro que ainda existe muito o que explorar musicalmente.

“[Esse projeto] é sobre reconhecer de onde a gente veio e dar continuidade a esse legado. E ainda quero explorar muita coisa… sou movido pela música. Jazz, R&B, afrobeat, tudo isso me chama atenção. Mas não tenho nada definido ainda, porque cada som pede o seu tempo, escuta e entrega”, finaliza Thiaguinho.

Carregado de ancestralidade e resistência racial, ‘Bem Black’ brinda a trajetória do cantor através da multiplicidade da música preta. Um dia após a gravação do projeto, Thiaguinho usou seu perfil no Instagram para comemorar esse momento.

“Ontem… o tempo parou no compasso do som. O BEM BLACK nasceu. E nasceu forte. Carregado de ancestralidade, balanço e verdade, de vozes que vieram antes, de passos que abriram caminho, de corações que batem no mesmo tom. Na Paulista, o chão tremeu. O Club Homs virou templo. E cada nota parecia dizer: ‘Samba é Black. Brasil é Black. Tudo é Black.’ Hoje eu só agradeço… Por sentir o peso e a leveza de ser parte dessa história. Eu sou BEM BLACK. Aguardem…”, escreveu.
Essa descrição apresenta um artista com identidade, representatividade e expansão criativa nas artes.

Para 2026, ainda não se sabe se Belém vai receber a turnê ‘Bem Black’, mas o cantor está confirmado como uma das atrações do Marina Sunset, o evento do Círio. Tradicionalmente, Thiaguinho se apresenta na festa no dia da romaria principal.

INQUIETO

Além de viajar pelo Brasil em 2026 com o Tardezinha, na turnê de 10 anos, Thiaguinho ainda lançou o projeto “Banjo e Boné”. Os shows intimistas, realizados apenas em São Paulo e Rio de Janeiro, permitiram um artista imerso ao pagode e ao samba e “sem regras”.

Realizado sempre às quartas-feiras, Thiaguinho se apresentava sempre usando boné e tocando banjo, com um repertório descontraído, igual às apresentações que ele realizava em 2008 pelos bares.