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Pioneira do sertanejo, Roberta Miranda realiza show em Ulianópolis e aborda o legado feminino

Artista abre a programação da AgroFest no Pará com participações do público e analisa a evolução do mercado fonográfico após passar mais de duas décadas como a única mulher no segmento

Bruna Dias Merabet

A cantora Roberta Miranda se apresenta nesta quinta-feira (2), na 21ª edição do AgroFest Ulianópolis, em Ulianópolis, sudeste paraense. A feira agropecuária é realizada no Parque de Eventos João Buzzi e a entrada no show é gratuita. A AgroFest é considerada a maior feira aberta do Estado.

“Para mim, ter um espaço gratuito, eu fico mais feliz ainda, porque esse fã às vezes não tem condição de pegar um avião, de pagar uma entrada para assistir o seu artista, o seu ídolo. E essa oportunidade que vocês estão dando, isso para mim é algo maravilhoso”, diz a cantora.

Roberta Miranda já adianta que será uma noite de pura emoção. “Cantar no Pará é sempre bem um motivo de felicidade. Gostaria de adiantar que teremos participações especiais, que são vocês, meu público, meus fãs. Eu sempre falo que vocês são meu oxigênio! Juntos vamos fazer um show inesquecível no AgroFest em Ulianópolis. Conto com vocês”, afirma a artista.

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Com um estilo inconfundível, a cantora promete levar no repertório alguns dos maiores sucessos de seus 40 anos de carreira como “Majestade, o Sabiá”, “Vá com Deus”, “Meu Dengo”, “Sol da Minha Vida” e “Duas Taças”. Outros destaques vão para “Corajosa” e para a nova música de trabalho, “Pensando em Você”, além de releituras de clássicos como “Boate Azul”, “Cabecinha no Ombro”, “Ainda Ontem Chorei de Saudade” e um medley de forrós.

“Como eu avalio a recepção do público do estado do Pará maravilhosamente bem, a gente já tem essa relação de amor há 40 anos, exatos 40 anos. É um povo que eu amo, amo a cultura, amo a gastronomia, amo a forma de ser, amo a musicalidade de vocês, amo tudo”, diz.

A cantora Roberta Miranda iniciou a trajetória de inserção das mulheres no mercado da música sertaneja, atuando no mercado fonográfico em um período em que o gênero contava majoritariamente com a participação de intérpretes masculinos. As composições desenvolvidas pela artista e suas apresentações públicas serviram de base para a consolidação do espaço feminino e para a formação de artistas das gerações posteriores dentro desse estilo musical.

Atualmente, ela é reconhecida por ter transformado o mercado e as estruturas consideradas mais marcantes dentro do segmento. Esses pontos são confirmados quando se veem tantas mulheres em destaque.

“Me consagraram a rainha da música sertaneja, só que eu lutei muito. Eu não fui um tipo de artista, ser humano, que fiquei quieta. Não, eu ia para as rádios, para jornal, para os lugares e falavam, né, e falavam. Cadê a mulher no mundo sertanejo? E aí desbravei, né. Foram anos e anos, 21 anos, eu fiquei sozinha nesse mercado, nesse mundo sertanejo, entendendo que todo ano as gravadoras queriam fazer uma Roberta Miranda. Depois de 21 anos foi que começaram a entrar as meninas para o mundo sertanejo. Olhando para o mercado atual, e já faz anos, o feminejo, eu acho, eu sou de uma opinião seguinte, onde tem público aplaudindo, pessoas consumindo a música do novo sertanejo, eu também estou aqui para aplaudir. É um segmento diferenciado, com letras totalmente diferentes daquilo que eu faço. Musicalmente falando também, muito diferente, mas parabéns, parabéns para elas, né, parabéns porque tudo que vem a somar para o sertanejo, isso resvala em mim, eu fico muito feliz porque a gente deixa aí um legado”, finaliza a artista.