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Festival Marulhada estreia em Belém e dá voz à cena independente

Primeira edição do festival reúne bandas da cena alternativa e propõe novos caminhos fora do circuito tradicional

Riulen Ropan

A noite deste sábado, 28 de março, marca a primeira edição do Festival Marulhada, evento que destaca a cena alternativa paraense e celebra o álbum coletivo “Marulho Vol. 1”. O movimento, que promete ir além de mais uma noite de shows, é construído por artistas independentes em busca de criar seus próprios espaços no cenário musical. O evento reunirá, em Belém, a partir das 19h, as bandas Chorume, Reagents, Os Renascentistas e Venus Vulgaris, no Núcleo de Conexões Ná Figueredo, localizado na Avenida Gentil Bittencourt, 449, no bairro de Nazaré.

Idealizado pelo Coletivo Marulho, o festival representa um momento de união entre as bandas, partindo de uma ideia que ganha forma nos palcos. De acordo com os organizadores, a proposta está diretamente ligada à construção de uma cena autoral, com foco em questões sociais, resistência e nas experiências de artistas que atuam à margem do circuito tradicional.

Para Rafael Fiel, integrante das bandas ReagentsVenus Vulgaris, iniciativas como esta são importantes para fortalecer a cena alternativa no estado, pois ajudam a incentivar outros artistas, bandas e projetos a persistirem mesmo quando não há oportunidades. “Nós estamos aí para mostrar que somos resistência. Não nos deram meios; nós os criamos”, declara.

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Fundadora do coletivo e integrante das bandas Chorume e Os Renascentistas, Sophia Quasar conta que a iniciativa começou a ganhar forma ainda em 2024, a partir de encontros entre os grupos. De acordo com ela, o projeto se desenvolveu ao longo dos meses até culminar no lançamento do álbum coletivo. “A ideia formou-se pequena, mas, com o passar do tempo, foi crescendo, e isso acabou resultando no ‘Marulho Vol. 1’. A bandeira principal é dar voz e corpo à revolta em sentido político, principalmente para quem está sendo deixado de lado”, afirma.

Diante de desafios como a escassez de espaços, tanto físicos quanto dentro do cenário musical, e das limitações financeiras, o evento surge com a proposta de ampliar a visibilidade dos artistas independentes da cena paraense. Sophia destaca que a iniciativa evidencia a resistência desses músicos, que, mesmo com poucos recursos, buscam tornar possível o encontro entre público e bandas. “A Marulhada é o momento em que o coletivo deixa de ser apenas uma ideia e passa a existir de verdade, com palco, público e encontro entre as bandas”, diz.

A curadoria do festival reúne bandas de diferentes sonoridades, que passeiam por estilos como shoegaze, punk, metal, blues e rock alternativo. Apesar das distinções estéticas, os grupos têm em comum o foco na música autoral e o compromisso com a construção de uma cena independente.

Segundo Sophia, o elo entre as bandas está no desejo de seguir trajetórias próprias dentro da música. Para o público, a proposta é oferecer um retrato plural da produção alternativa no Pará. “Existe uma cena autoral forte aqui. Muitas vezes, as pessoas olham para outras regiões, mas aqui também há qualidade, identidade e vontade de construir um movimento cultural próprio”, afirma.

A expectativa para a noite do festival é proporcionar uma experiência fora do comum ao público. “Posso dizer que o público de Belém nunca viu nada parecido”, finaliza Sophia.

SERVIÇO

Festival Marulhada – 1ª edição

Quando: sábado, 28 de março

Horário: a partir das 19h

Onde:  Núcleo de Conexões Ná Figueredo 

Ingressos: venda antecipada pelas redes sociais do Coletivo Marulho

(Riulen Ropan, estagiário de Jornalismo, sob supervisão de Abílio Dantas, coordenador do núcleo de Cultura)