Arlindinho celebra o Dia do Trabalhador em Belém com o espetáculo ‘Meu Lugar’
Evento contará com dois palcos e apresentações de Nosso Tom, Mariza Black e Arthur Espíndola, unindo a nova geração e ícones locais
Em celebração ao Dia do Trabalhador, nesta sexta-feira (1º), Belém terá um feriado embalado por muito samba. O evento Samba Trabalhador inicia a partir das 16h e terá como atração central o cantor Arlindinho, que traz a Belém o espetáculo intitulado "Meu Lugar".
Com dois palcos, o line-up terá também Nosso Tom, Mariza Black, Pagode do Bilão e Arthur Espíndola, e participações de Vaguinho DB, Juliana Sinimbu, Luciano Cabanagem e Alba Mariah.
Com mais de 15 anos de carreira e presença constante em Belém, o cantor, compositor e multi-instrumentista Arlindinho tem uma trajetória sólida no cenário musical. O artista, que desenvolve uma caminhada autoral conectada ao legado de seu pai, Arlindo Cruz, consolidou sua presença no gênero com o lançamento do projeto audiovisual "Meu Lugar".
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O projeto reuniu um público de cerca de quatro mil pessoas, com um repertório que mesclou clássicos e inéditas, e contou com participações especiais de Alcione, Xande de Pilares, Vou Pro Sereno, Karinah, Marquinhos Sensação e Ronaldinho (ex-integrante do Fundo de Quintal). Com uma proposta intimista e repleta de emoção, Arlindinho ainda prestou uma homenagem a Arlindo Cruz e consolidou a presença do filho como uma das vozes mais autênticas e promissoras do samba atual.
Sobre o repertório, ele garante que não vai precisar adaptar seu setlist para a apresentação, que conta com dezenas de hits consagrados. Além disso, o artista sempre esteve presente anualmente em Belém, apresentando seus shows e um repertório já consumido pelo público.
“Na verdade, não vamos precisar mexer em quase nada (do repertório). Afinal como você mesma disse, o público paraense é um grande consumidor de samba e todas as vezes em que estive em Belém fui muito bem recebido. Estar em Belém no Dia do Trabalhador é um grande presente para mim nesse momento tão importante da minha carreira”, explica Arlindinho.
Como citado, o novo projeto do músico exalta as suas raízes, mas também faz uma homenagem ao pai como referência à música escrita por ele: "Meu Lugar". A canção apresenta uma relação especial com o subúrbio carioca, celebrando o bairro de Madureira, onde fica a quadra do Império Serrano, que era a escola do coração de Arlindo Cruz. O cantor faleceu em agosto de 2025.
Arlindinho e Arlindo Cruz tinham uma forte ligação como pai e filho, brindada com muito samba. Após a morte do sambista, o filho desabafou sobre o aprendizado deixado por ele: “Uma das muitas coisas que aprendi com o meu pai foi que o show tem que continuar sempre! E o meu reencontro com o samba tinha que ser na nossa casinha, te amo.”
Maior discípulo do sambista, Arlindinho carrega no sangue e no nome a herança da música popular.
“Meu pai está comigo o tempo todo. Lógico que em algumas canções como ‘O Bem’ e ‘Meu Lugar’, por exemplo, essa ligação fica mais estreita. Eu procuro usar algumas frases que ele usava para interagir com o público e fazer uma homenagem a ele nesses momentos”, pontua.
Mesmo com toda essa conexão e admiração, Arlindinho trilha seu próprio caminho, consolidando-se como músico, cantor e compositor, independente do legado deixado por seu pai, mas celebrando esse aprendizado.
“Acho que o maior desafio foi me entender e me fazer entender como artista. As pessoas sempre vão procurar algo do meu pai em mim e nem sempre vão encontrar o que querem. Apesar do nome, da profissão e da semelhança física, são pessoas diferentes e meu pai era muito acima da média. Então eu entendi que eu podia me cobrar menos, me permitir um pouco mais e aos poucos o público está conseguindo entender também que no meu trabalho ele vai encontrar várias referências e semelhanças ao trabalho do meu pai, mas também vai encontrar minhas digitais, minhas referências e preferências”, explica.
Mesmo com toda a influência paterna e de outros grandes nomes, já que desde a infância foi criado em um ambiente musical e apadrinhado por Acyr Marques, Arlindinho cresceu cercado por referências como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Fundo de Quintal e Xande de Pilares. Hoje, o artista mantém viva a tradição do samba ao incorporar uma linguagem moderna e conectada à sua geração, unindo emoção, técnica e verdade em cada projeto.
Com 15 anos de estrada, o músico garante que sua essência na escrita permanece fiel às suas referências de vida, embora suas fontes de inspiração sejam cada vez mais diversas. Questionado sobre a manutenção de suas raízes, ele reafirma que a base de sua criação continua profundamente ligada ao samba tradicional.
“Acho que não mudou muita coisa. Música é inspiração e sentimento. A forma de escrever varia de acordo com o parceiro, com o assunto, enfim…. O que eu procuro sempre é falar numa linguagem que seja de fácil entendimento e que consiga tocar de alguma forma aqueles que estiverem ouvindo”, explica.
Com mais de uma década de estrada, Arlindinho consolida sua carreira ao equilibrar o respeito à tradição com o frescor da nova geração. O artista reafirma seu talento em composições românticas como "Me Belisca" e "A Sós", além de manter viva a herança de seu pai, Arlindo Cruz, em parcerias como "Bom Aprendiz". Suas obras refletem maturidade artística e uma profunda conexão espiritual e familiar.
Agende-se
Data: sexta-feira, 1º
Hora: 16h
Local: NaBêra - R. São Boaventura, 268 - Cidade Velha
Ingressos: Ingresso Fly
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