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Longa estrelado por Caco Ciocler leva debate sobre exposição digital ao Cine PE

Filme apresenta um futuro distópico em que debates online definem o destino dos participantes

Amanda Martins e Ismaelino Pinto

O Cinema do Teatro do Parque recebeu, na última quarta-feira (3), mais uma rodada das mostras competitivas de curtas e longas-metragens da 30ª edição do Cine PE – Festival do Audiovisual, no Recife. A programação reuniu produções de Pernambuco, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e Rio de Janeiro, transitando entre gêneros como ficção, animação e suspense psicológico. 

Um dos destaques da noite foi a presença do ator Caco Ciocler, que participou da exibição do longa-metragem “Resta Um”.

Dirigido e roteirizado por Fernando Ceylão, o filme apresenta uma narrativa ambientada em um futuro distópico, onde cidadãos são obrigados a participar de debates online promovidos pelo governo. Nesse universo, os participantes são avaliados segundo critérios definidos pelas autoridades e o derrotado é executado ao vivo diante do público.

Segundo o diretor, a obra surgiu a partir de reflexões sobre a forma como as discussões acontecem atualmente nas redes sociais e no ambiente político. “A gente está em um momento onde o debate morreu, as pessoas não se escutam mais, elas estão só brigando na internet. Estamos vivendo uma guerra cultural e uma guerra de ideias em que ninguém se ouve”, afirmou.

Fernando explicou que a proposta do longa foi provocar reflexões sobre os limites dos confrontos virtuais e o impacto da polarização na sociedade. “Pensei que era um bom momento para falar nisso e, quem sabe, o espectador sair dali pensando que precisamos rever a forma de discutir ideias na internet”, disse. 

O diretor acrescentou que também buscou construir uma narrativa de suspense capaz de envolver o público. “No final das contas, o que a gente quer com o cinema é que as pessoas fiquem eletrizadas.”

Personagem entre anonimato e notoriedade

No longa, Caco Ciocler interpreta Álvaro de Assis, um professor desempregado que leva uma vida discreta até ser envolvido no programa de debates que movimenta a trama.

Segundo ele, a história dialoga com questões contemporâneas relacionadas à exposição pública e ao impacto das redes sociais na construção da identidade. “É um filme que se passa em um futuro, mas não tão distante. A vida privada tem ficado muito apagada em detrimento de uma vida pública construída pelas redes sociais”, afirmou.

O ator destacou ainda que a narrativa acompanha a transformação do personagem à medida que ele conquista reconhecimento dentro desse universo. “O personagem vai se transformando através do poder que consegue nessa persona pública”, observou.

Para Ciocler, o filme também propõe uma reflexão sobre a pós-verdade e a valorização da imagem em detrimento dos fatos. “É um filme que fala também sobre como, nesse universo da pessoa pública, a verdade pouco importa, pouco interessa”, concluiu.

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