Acessar
Alterar Senha
Cadastro Novo

Inquieto, Biratan transitou por várias artes com maestria

Cartunista compôs música, produziu obras plásticas e desenho animado em 3D

Vito Gemaque

O artista visual Biratan Porto será reconhecido como uma pessoa que transitou por várias artes. Bira, que faleceu ontem (10) vítima de câncer, se aventurou em outras áreas das artes. Também foi escritor, artista plástico, compositor e músico de chorinho. Bira nasceu em Castanhal no ano de 1950, e lá começou a desenhar aos 18 anos. Anos depois se mudou para Belém para estudar na Universidade Federal do Pará (UFPA) em 1978. Ele deixa um legado cultural paraense.

Bira foi um dos grandes incentivadores do chorinho em Belém, tendo inclusive composições no site da Câmara Federal. A amiga Silvana Loureiro, proprietária do Espaço Cultural Boiuna, lembrará para sempre do grande artista plástico e do músico. Há 18 anos, Bira participava com Silvana e outros amigos do bloco de Carnaval Irrecuperáveis.

“O Bira era uma dos participantes do bloco, ele fazia máscaras de artistas como Chico Buarque, de artistas de Belém e outros lugares para se fantasiar e sair no Carnaval”, lembra. Um dos primeiros contatos de Silvana com Biratan foi no bar Casa do Gilson, que o artista era um assíduo participante tocando chorinho no bandolim ou no cavaquinho. “Ele era um amor de pessoa, super atencioso, paizão e companheiro, até me emociono, porque estou com muita saudade. Ele amava o chorinho e tocava muito cavaquinho”, aponta.

Máscara de papel machê do cantor e compositor Adoniran Barbosa (Biratan Porto)

Dono de alma inquieta, como todo artista que se preza, Bira também criou o próprio salão de humor como um dos idealizadores Salão Internacional de Humor da Amazônia. O salão reuniu por dez edições trabalhos de artistas do mundo todo ao grito de existência da floresta.

“A história do Biratan é a história do humor. O Bira era músico, letrista, contista, escrevia também, trabalhou em publicidade, mas a sua alma era de cartunista. Mesmo com 70 anos, ele continuava desenhando entusiasmado”, conta o amigo J. Bosco. “A gente fazia de tudo para descobrir novas gerações de cartunistas para não deixar que o humor paraense ficasse restrito”, complementa.

Biratan se aventurou também pelas animações. Em 2006, lançou o desenho animado “Cadê o verde que estava aqui?” com direção e roteiro autorais. O curta de 12 minutos foi uma animação em 3D. A atriz, contadora de histórias e cantora Ester Sá trabalhou no projeto dublando uma das vozes. “Conheci o Bira no Bar do Gilson, eu era bem jovem e acompanhava a movimentação cultural do espaço. Comecei a cantar lá, inclusive. O Bira tocava bandolim e sempre foi reverenciado e querido na roda de choro”, lembra a amiga.

Mais tarde, Ester estudou teatro e trabalhou na dublagem de filmes de animação. Por causa da experiência, ela foi convidada para a animação paraense. O convite foi feito por intermédio de Cássio Tavernard, que também trabalhou com Biratan em “Cadê o verde que estava aqui?”. “O Bira foi um grande cartunista, músico, compositor e ser humano. Representou a arte do Pará no cartum com louvor. Deixou legado em todas as linguagens por onde esteve com suas criações”, assegura.

O amigo e jornalista Tito Barata, filho de Ruy Barata, também lamentou a perda. Ele compartilhou com Bira várias histórias e causos por meio do Confraria do Tucupi, grupo digital fechado que reúne artistas, jornalistas, publicitários e profissionais liberais, há mais de quinze anos. Bira também foi amigo de Ruy, a quem dedicou quatro caricaturas.

Caricaturas de Roberto Jares e Betinho com o traço do artista (Biratan Porto)

“O legado dele é internacional, como se não tivesse pátria. As caricaturas e cartuns podem ser entendidas por qualquer pessoa do mundo. A charge fala de uma circunstância temporal, já o cartum é atemporal e qualquer pessoa pode entender a sua contextualização. Ele foi um dos maiores traços que eu vi. Embora tenha ficado mais conhecido como caricaturista e chargista. Ele tinha um traço quase perfeito, na visão e no olhar”, enfatiza. 

Cultura
.

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM CULTURA

MAIS LIDAS EM CULTURA