Guilherme Briggs rouba a cena no Porto Geek 2026 em Belém
Ator de voz e dublador que imortalizou personagens de desenhos e de filmes interage com o público no Porto Futuro 2
Em meio a tantos personagens icônicos da cultura geek em cosplay pelos fãs, desde sábado (8), no evento Porto Geek Belém 2026, o ator de voz e dublador carioca Guilherme Briggs virou o protagonista, ou seja, roubou a cena da programação neste domingo (9). Tão logo chegou ao Porto Futuro 2, sede do evento, Guilherme foi saudado por fãs de idades diversas, concentrados no local. Após conversar com jornalistas, Guilherme Briggs seguiu para um palco central do Porto Geek, onde interagiu com o público e, ainda, por meio de vozes criadas por ele, possibilitou que a plateia batesse um papo com alguns dos personagens imortalizados por ele.
Guilherme também atua como diretor de dublagem, tradutor e criador de conteúdo, desenhista, youtuber e blogueiro. Ele se notabiliza como profissional que dá voz a personagens, como Superman do Universo DC, Buzz Lightyear do Toy Story e Mickey Mouse, entre muitos, mas muitos outros. Sobre essa profissão aclamada pelos fãs, Briggs contou como tudo se dá.
Ele atua como dublador há 35 anos. “Comecei com 21 anos de idade e, entre os personagens que eu faço, tem o Buzz Lightyear, tem o Mickey Mouse, tem o Superman, tem o Rei Julian, Optimus Prime, Han Solo e Yoda, da série Star Wars”. Guilherme nasceu no Rio de Janeiro, e não se recorda de a quantos personagens já deu voz. “Nenhum dublador tem ideia. A gente perde a conta, são muitos”, disse.
“Eu comecei na dublagem desde pequenininho com meu pai. A gente não tinha internet, não tinha assim essas distrações; celular não existia. Então, eu ficava gravando com ele radioteatro, né? A gente ficava criando historinhas e registrando em gravador”. O pai dele é Henriqe Briggs, já falecido. “E ele não viu eu me tornar dublador. Ele morreu em 1985, infelizmente; aí, eu entrei na dublagem em 1991. Mas ele queria que eu fosse dublador. E, aí, eu meio que treinei com ele, pratiquei em casa e me tornei dublador”.
Briggs detalha como consegue construir a voz para um personagem. “É sempre a mesma coisa, é buscar a verdade; parecer que o personagem está vivo, está com espírito, está respirando, não ser só uma vozinha, entendeu? Ah, vou fazer uma vozinha, um tipinho aqui para esse personagem e tá bom. Mesmo um personagem engraçadinho de desenho animado, ele tem que ter verdade. Mesmo um Pernalonga, mesmo um personagem bem bobinho, se você dá uma verdade nele, já é; é o pulo do gato, já é, entendeu? Você encontra a chave dele. Essa é a diferença de uma excelente dublagem para uma dublagem só de fazer tipinho e tudo, né?”.
“Você vive o personagem. É, tem que viver, virar o personagem mesmo”, completa. Guilherme diz que, entre muitos personagens de que gosta, tem um em especial. “Tem um que é, por quem eu tenho muito carinho, que é o Daggett, de ‘Os Castores Pirados', que eu fiz para Nickelodeon nos anos 1990, que foram 90 e tantos episódios, e aí eu botei muita besteira lá, coisa do Brasil. E, aí, tem Cosmo, do “Os Padrinhos Mágicos", o Freakazoide, tem vários assim”.
IA
Esse artista adorou o convite para participar do Porto Geek Belém 2026, porque, como disse, Briggs já conhecia a capital paraense. Destacou ter adorado conhecer o Mangal das Garças. “Acho a cidade bonita, a comida aqui é maravilhosa, o povo é caloroso, criativo, é engraçado, divertido. O povo do Norte e Nordeste, assim, eu acho que são os meus melhores fãs, que eles são muito engraçados, muito divertidos, muito calorosos, educados, animados”.
O Porto Geek Belém 2026 é promovido pelo Complexo Porto Futuro em parceria com o coletivo Anime Geek e foi iniciado no sábado (8) e se encerrou neste domingo (9).
O Porto Geek Belém 2026 é promovido pelo Complexo Porto Futuro em parceria com o coletivo Anime Geek e foi iniciado ontem (8) e se encerra neste domingo (9).
Ele acredita que a Inteligência Artificial (IA) não se configura uma ameaça a quem atua com dublagem. “Eu acho que não vai desenvolver, é, de tomar dublagem por completo, porque não tem como você passar toda a musicalidade, toda a adaptação do texto que a gente faz aqui no Brasil. Não vai conseguir. Como é que você vai ensinar uma Inteligência Artificial? Você vai ter que gastar dinheiro, tempo para fazer isso, e a dublagem é a reta final, é a rabeta da produção, entendeu? Finalzinho ali. Então, assim, vai gastar milhões de dólares para desenvolver uma coisa que é troco de pinga para eles, entendeu? Para os americanos, é troco mesmo, assim, a dublagem não é tão cara assim para ser feita. Você dublar um filme é melhor, é mais barato até do que você fazer toda uma engenharia para desenvolver uma inteligência artificial.
“E outra coisa, eu sempre falo isso nas palestras, um Denzel Washington da vida, assim. Você acha que o Denzel Washington vai permitir que a voz dele seja recriada em outros países por uma máquina? Acho que o Denzel Washington vai querer que seja um ator também. Um Martin Scorsese vai querer os filmes dele dublados por computador? Acho que não vai querer, não. E os atores lá nos Estados Unidos e em outros países vão querer que as vozes deles sejam recriadas? Eles sejam recriados? Se você recria a voz, você recria a imagem, daqui a pouco Hollywood não tem trabalho”.
Fãs
O estudante do 3º Ensino Médio, Vinícius Souza, disse que “eu só vim aqui para ver o cara que marcou a minha infância, o Guilherme Briggs”, com os personagens que ele dublou”. Já Rebeca Acácia, 24 anos, estudante de Direito, veio de Marabá “só para ver o Guilherme Briggs; sou muito fã”. Rebeca chegou ao Porto Futuro 2 por volta das 10h e somente no meio da tarde conseguiu ver o dublador. O menino Joaquim Valente, de 11 anos, segurou um cartaz com uma foto de Guilherme e pensa em fazer um curso de ator para seguir os passos do ídolo.
O secretário de Estado de Cultura, Bruno Chagas, reuniu-se com Guilherme Briggs no Porto Futuro 2. “O evento é um sucesso, a gente está muito feliz com a presença dele”, declarou. Bruno Nascimento, diretor de Eventos do Complexo Porto Futuro, ressaltou que a realização desse evento no local consolida a proposta de que o Complexo seja plural, recebendo eventos variados que contemplem vários públicos.
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