Grupo Mundo Azul e famílias com crianças atípicas acompanham cortejo do Pavulagem
Ação independente também chamou atenção para o Dia do Orgulho Autista, celebrado em 18 de junho
A Campina, espaço localizado no início do Arrastão do Pavulagem e dedicado às crianças e Pessoas com Deficiência (PcDs), recebeu neste domingo (14) uma mobilização independente de famílias ligadas ao Grupo Mundo Azul -uma rede de apoio e acolhimento para famílias e pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) -, à Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo e à Secretaria da Primeira Infância de Belém.
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Durante o primeiro Arrastão do ano, famílias vinculadas ao grupo estiveram presentes no espaço acompanhadas de suas crianças e adolescentes, participando da manifestação cultural.
Entre eles estava Flávia Marçal, representante da Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo, integrante do Grupo Mundo Azul e mãe atípica. Segundo ela, a escolha do espaço ocorreu porque o local oferece condições mais adequadas para a participação de diferentes públicos.
“Esse foi um espaço pensado porque fica um pouco mais afastado do som. É um ambiente mais tranquilo para crianças pequenas, pessoas idosas, pessoas com mobilidade reduzida, pessoas com autismo e outras deficiências. A expectativa é que um dos maiores eventos culturais do nosso Estado possa ser cada vez mais inclusivo para todos”, afirmou, acrescentando que a presença dos familiares também teve o objetivo de dar visibilidade ao Dia do Orgulho Autista, celebrado em 18 de junho.
Ela destacou ainda que a participação cultural também faz parte do processo de inclusão das pessoas com deficiência. Para Flávia, o acesso deve ser visto como um direito tão importante quanto outros já consolidados na sociedade.
“Quando a gente fala de direitos, normalmente pensa em saúde, educação e assistência social. Muitas vezes esquecemos da potência que a cultura tem na transformação dessas vidas e na inclusão. Meu filho tem 15 anos, é nível 3 de suporte [do autismo] e ama estar aqui. É importante que existam espaços que possibilitem essa participação cultural”, disse.
Dona Elisene Moia também participou do Arrastão ao lado do filho Tarso Moia, de 15 anos. Ela e o jovem vão há sete anos prestigiar a saída do Boi Pavulagem pelas ruas de Belém. Para a mãe, é importante que o filho tenha contato com as manifestações culturais da região.
“Acho importante para ele reconhecer a nossa cultura, se reconhecer nesses espaços e se sentir pertencente. É muito significativo perceber que também temos espaço dentro da cultura do nosso Estado”, relatou.
Segundo Elisene, o filho demonstra interesse pela programação e acompanha as músicas do cortejo. “Ele gosta bastante. Quando a música começa, ele canta junto e participa da festa”, afirmou.
Essa não é a primeira vez que a iniciativa marca presença. No ano passado, foi realizado o "Cortejo das Infâncias", no primeiro Arrastão de 2025, quando foi-se firmada uma parceria entre a Superintendência da Primeira Infância da Prefeitura de Belém, o Instituto Arraial do Pavulagem, o Grupo Mundo Azul, a Secretaria Municipal de Educação (Semec) e a Secretaria de Estado de Educação (Seduc). O objetivo era de ampliar a presença de crianças, especialmente aquelas com deficiência e neurodivergências, na programação da manifestação cultural.
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