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'Flor de Gume', da paraense Monique Malcher, vence a categoria conto no Prêmio Jabuti

A lista com os vencedores foi divulgado na noite desta quinta-feira (25), em formato virtual

Bruna Lima

A escritora paraense Monique Malcher é vencedora do prêmio Jabuti na categoria conto. Ela venceu com a obra “Flor de Gume”, o primeiro livro publicado da escritora. A lista com os ganhadores foi divulgada, na noite de ontem (25), durante uma cerimônia virtual.

A reportagem entrou em contato com a escritora logo após o anúncio da premiação e ela estava com a voz embargada de emoção. Ela diz que a premiação é resultado de um trabalho coletivo e enxerga que a premiação não é apenas dela, mas sim de um coletivo de mulheres que pertencem ao norte do país e da Amazônia.

“Para mim é um momento coletivo, esse Jabuti não é apenas meu, ele é de uma escritora que pertence a um coletivo de mulheres, uma roda de mulheres, uma força de mulheres. De professoras, escritoras, leitoras do norte do Brasil, do Pará. Ele é de todas as leitoras que fizeram esse livro chegar onde ele chegou, que fizeram ele ir além. É um momento de muita emoção, pois há 50 anos quem ganhava o Jabuti era a escritora paraense Olga Savary, nossa poeta paraense que morreu no ano passado. Por isso, penso nela e penso em todas que estão e que ainda virão. Que a gente sempre possa ocupar esse espaço”, comemora Malcher.

Em Flor de Gume, a autora passeia pelas ruas e pelas águas do Pará, trazendo à tona as dores de meninas, mães e avós. Três gerações de mulheres fortes, em 37 contos da autora.

A jovem escritora, de 33 anos, diz que sempre teve como horizonte escrever ficção por um incômodo com a realidade, para falar sobre mulheres e tudo que se passa por ser uma mulher. “Minha vontade era contar uma história para falar sobre questões de violência doméstica, alienação parental, e claro, que se passasse nessa geografia paraense, que é plural. De asfalto, floresta, construída por mulheres pobres, ribeirinhas, mães. Eu quero ver mais mulheres do norte publicando e sendo lidas. Precisamos resgatar o que é e sempre foi nosso”, disse a escritora quando recebeu a informação de que estava entre as finalistas do Jabuti.

Monique Malcher é escritora e artista plástica nascida em Santarém, interior do Pará, mas viveu grande parte da vida em Belém (1988), atualmente residente em São Paulo. Tem um livro publicado pela Editora Jandaíra (antiga Pólen Livros) que se chama “Flor de Gume” com edição da escritora Jarid Arraes. É também uma das coordenadoras do Clube de Escritoras Paraenses.

Monique já fez capas para livros de Dia Nobre. Breno Machado, Dossiê LiterAmazônicas, Revista Cult e foi a responsável pela capa e projeto gráfico do catálogo do evento internacional Fazendo Gênero 2021. É mestre em antropologia (UFPA) e doutoranda interdisciplinar em ciências humanas (UFSC) pesquisando literatura e quadrinhos produzidos por mulheres. Tem contos publicados na Revista Desvario, Poça, Circular Campina Cidade Velha, Anuário Filipa Edições e Ruído Manifesto. 

Sobre o prêmio Jabuti

O Prêmio Jabuti é o mais tradicional prêmio literário do Brasil, concedido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). Criado em 1959, foi idealizado por Edgard Cavalheiro quando presidia a CBL, com o interesse de premiar autores, editores, ilustradores, gráficos e livreiros que mais se destacassem a cada ano.

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