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Espetáculo 'Fale com estranho' une teatro e psicanálise

Com dramaturgia e atuação de Leoci Medeiros e direção de Andréa Flores, o espetáculo aborda o 'Infamiliar'

Emanuele Corrêa

O espetáculo teatral "Fale com estranho", será apresentado de 7 a 22 de junho, todas às terças e quartas-feiras do mês, às 20h, no Teatro do Desassossego, na rua Drº Malcher, 287, Cidade Velha. Inspirado no conto clássico “O homem da areia”, escrito por E.T.A Hoffmann, aborda a questão do "Infamiliar" - conceito cunhado por Freud - que, em termos gerais, pode significar o que é estranho, mas ao mesmo tempo, conhecido. Metáfora do próprio inconsciente.

A arte aproxima o ser humano de questões relevantes, sejam de cunho político, cultural, social e, também, psicológico. O teatro e a psicanálise se associam em performances, que requerem o mecanismo da consciência para aproximar o público e promover reflexão. A dramaturgia é do ator Leoci Medeiros, que interpreta Natanael, protagonista da peça. Para o multi-artista, a obra apresenta uma atmosfera de suspense e terror psicológico, visibilizando os traumas de uma criança, que reverberam em sua vida adulta. "É um conto que fala sobre um trauma que um menino sofreu na sua infância e isso atrapalhou durante a sua vida adulta. Freud estudou muito esse conceito do 'Infamiliar'. Tem uma cena que eu trago o próprio Freud para o palco", contou.

"O conceito 'infamiliar', vem do alemão. É a coisa do estranho, do desconhecido, que é algo que ronda a gente a vida inteira. Pois desconhecemos esse confrontar, essas estranhezas. É um espetaculo sensorial, trabalhamos com uma metodologia do teatro ao alcance do tato. O espectador consegue ver tudo: luz, sonoplastias, as ações. As pessoas vão se familiarizando com esse infamiliar", concluiu.

Questionado sobre o que o público pode esperar, Leoci revela que aguarda muitos questionamentos da plateia, pois um dos exemplos de "Infamiliar", é o sentimento que a pandemia de Covid-19 trouxe às pessoas. Apesar das medidas contra o coronavírus permitirem a volta ao "normal", a população vivenciou momentos angustiantes, diz.

"Podem esperar um espetáculo de suspense, terror, bem elaborado. É uma ação realista. Existe esse acordo entre a arte, psicanálise e o público... Estava me questionando com a direção, se esse era o momento deste espetáculo. Todos nós estamos adoecidos. Mas esses traumas só são passados, se enfrentarmos eles", afirmou o artista.

A realização do espetáculo é da Coletivas Xoxós, com residência artística nos dias  7, 8, 14, 15, 21 e 22 de junho (terças e quartas), no teatro do Desassossego - nos porões da Casa Cuíra. Com direção cênica de Andréa Flores e o suporte de uma equipe múltipla. O espetáculo utiliza a metodologia do teatro do alcance.

Andréa explica que o espetáculo é um mergulho no inconsciente, além de ser sensorial, o espaço provoca o espectador. "Um diálogo poético entre Teatro e Psicanálise, além de uma experiência de mergulho no próprio inconsciente. O espetáculo convida a entrar em contato com o infamiliar de todos nós, ou seja, o que é ao mesmo tempo conhecido e misterioso, inquietante. Fale com Estranho é uma vivência sensorial e perturbadora pela pique de um personagem que pode ser qualquer um de nós, mesmo que pareça tão diferente", arguiu.

Espetáculo "Fale com Estranho". (Reprodução / Danielle Cascaes)

O protagonismo da arte feita na Amazônia

Leoci Medeiros destaca que a arte feita fora do eixo Rio de Janeiro-São Paulo, no Pará, também quer se firmar enquanto arte feita na Amazônia. Para ele, o público terá a oportunidade de enfocar a experiência corpórea amazônida, por meio da sua personagem, da história de Natanael e das figuras que embaçam sua consciência e memórias.

"Por estarmos fazendo um espetáculo no meio da Amazônia, esse ator que está em cena, ele traz suas memorias afetivas para o espetáculo. Dramaturgia pessoal do ator. Meu corpo caboclo, como eu falo, nosso sotaque, como a gente anda. Como os nossos ancestrais contam para a gente. E o próprio expectador tem essa experiência corporal. Esta inserido na Amazônia. Ver como o ator amazônida se porta no palco, como é trabalhar fora do eixo RJ-SP e fazer um espetáculo de qualidade e de extrema importância", enfatizou.

A professora, atriz e diretora Andréa Flores relembra o processo e afirma que foi desafiador dirigir o espetáculo, ainda mais no contexto pandêmico. No entanto, ao mesmo tempo, gratificante. "Sem dúvida não foi fácil dirigir esse processo. Vivi muitos aprendizados ao longo dos anos em que foi montado e um deles foi esse diálogo com o campo psicanalítico. A assessoria foi fundamental para a construção do discurso do espetáculo e apontando pistas para o processo de criação pessoal do ator", pontuou.

A experiência da pandemia tem afetado profundamente nossa psique, diz Flores. Ela convida à população a prestigiar o espetáculo e se propor a refletir sobre as suas próprias cicatrizes. "De alguma maneira, todos sentimos o choque de tantas mortes, do medo, da insegurança e do desamparo. O espetáculo é tão forte e perturbador como talvez estejam nossas cicatrizes expostas desse tempo vivido, sejam aquelas provocadas pela pandemia, seja as que já carregávamos conosco", finalizou.

 

Serviço -

Espetáculo teatral “Fale com Estranho”

Quando: 7, 8, 14, 15, 21 e 22 de junho (terças e quartas)
Onde: Teatro do Desassossego (Rua Dr. Malcher, 287 – Cidade Velha)
Horário: 20h

Redes sociais: @teatrododesassossego

Como adquirir o ingresso: link no site

Palavras-chave

Cultura
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