Exposição 'Amostradas' traz a Belém uma revisão de identidades no Brasil
Seis artistas participam da mostra na Caixa Cultural Belém a partir desta terça-feira (24), no centra da capital paraense
Imagens são referências ao longo da história de um povo e, em particular, de um cidadão ou cidadã. Imagens em geral se inserem em discursos construídos por grupos e aceitos socialmente e têm a capacidade de reforçá-los ou mesmo gerar novos discursos na sociedade. Por isso, ganha relevo a exposição "Amostradas" que seis artistas do Norte e Nordeste do Brasil vão abrir em Belém nesta terça-feira (24), em que revisão registros oficiais da história brasileira. Essa trilha como convite a reflexões por parte dos espectadores da exposições será aberta na Caixa Cultural Belém, no Porto Futuro II, no centro da capital paraense.
"Amostradas" é um projeto inédito do Canal Arte1 em parcaria com a Caixa Cultural. Essa iniciativa multiplataforma inédita envolve três frentes principais.
São elas: uma exposição itinerante por três unidades da Caixa Cultural: Belém (PA), até 28 de junho, Recife (PE), de 17 de julho a 6 de setembro; e São Paulo (SP), de 22 de setembro a 6 de dezembro; uma série de documentários produzidos pelo Arte1 e exibidos na TV e no streaming do canal, o Arte1 Premium; e um conjunto de peças audiovisuais que os artistas participantes do projeto criarão especialmente para integrar a programação do Canal Arte1.
Identidades
Os artistas presentes em "Amostradas" são: Dacordobarro (AM), Gê Viana (MA), Labô Young (PA), Moara Tupinambá (PA), Roberta Carvalho (PA) e Silvana Mendes (MA). Esse grupo tem protagonizado reflexões sobre memórias e construção de identidades no Brasil. E tem atuado na elaboração de novas possibilidades de histórias e na recuperação de narrativas apagadas. Os artistas exploram diferentes linguagens e suportes, como pintura, desenho, vídeo, fotografia, colgem e lambe-lambe.
A artista visual paraense Roberta Carvalho destaca: " 'Amostradas' é uma exposição que chega num momento muito necessário. Ela reúne seis artistas do Norte e Nordeste do Brasil para falar sobre memória, identidade e as narrativas que foram apagadas da nossa história oficial".
"O que me parece mais potente nesse projeto é exatamente esse gesto de revisão: não se trata de contar uma história paralela, mas de ampliar o que entendemos como história. E fazer isso em Belém, que é o ponto de partida da itinerância, tem um peso simbólico enorme, pois é reconhecer que a produção cultural contemporânea mais relevante do país não está só no eixo sul-sudeste", ressalta Roberta.
Essa artista participa da mostra com a instalação “Symbiosis e Partilha”. "Essa obra condensa muito da minha pesquisa sobre outras possibilidades de superfícies para projeção. A obra traz duas superfícies distintas e profundamente simbólicas: uma tela produzida em palha de Ubim, material tradicional usado na construção de telhados de casas ribeirinhas, e vasos com água, que evocam meu trabalho anterior no Cinema Líquido, onde projeto imagens sobre os rios da Amazônia".
"A tela de Ubim foi produzida a partir de um saber ancestral resgatado pelo projeto Carpinteiros da Amazônia, e é obra dos mestres Edinaldo Monteiro da Silva e Edson Rodrigues Monteiro, e de Erick Silva da Silva e Miquéias Silva da Silva. Nessa superfície viva, feita de folhas entrelaçadas, a imagem projetada ganha textura, profundidade e memória, como se o rosto que aparece ali já estivesse guardado dentro da própria palha", diz Roberta.
"Nos vasos com água, a projeção encontra outra natureza: instável, reflexiva, sempre em movimento. A água distorce, pulsa, responde. Essa investigação sobre superfícies não convencionais é central no meu trabalho, a ideia de que a tela não precisa ser neutra, que ela já carrega história antes mesmo da imagem chegar", detalha Roberta Carvalho, com mais de 15 anos de carreira como artista visulal.
Possíveis versões
Gisele Kato, uma das curadoras do projeto e também editora-chefe do Arte1, destaca que "o projeto ‘Amostradas’ abraça a revisão dos registros oficiais da nossa história". "No centro da produção dos seis artistas convidados estão a investigação e a revelação de outras possíveis versões e protagonistas do nosso passado", complementa Gisele.
"O canal Arte1 é sinônimo de conteúdo de qualidade, e agora, com ‘Amostradas’, avançamos para além das telas e assinamos nossa primeira exposição, uma proposta que reafirma nosso investimento na formação do público com ações cada vez mais plurais.”
Já Celmar Batista da Silva, gerente nacional de Promoção e Cultura da Caixa, essa iniciativa dá visibilidade para seis grandes artistas contemporâneas das regiões Norte e Nordeste e propõe "reflexões sobre temas atuais de identidade e memória". E esses artista ampliam seus alcances ao ocuparem simultaneamente uma da unidades da Caixa Cultural e um meio de comunicação.
Como repassa a coordenação do projeto, a série de documentários terá seis episódios. Cada um com meia hora de duração e dedicado a apresentar a trajetória e o processo criativo de um artista. Os documentários vão estrear no canal Arte1 e no streaming Arte1 Premium neste ano. As peças audiovisuais criadas pelos artistas passam a integrar a identidade visual do canal e farão parte da programação do Arte1 também a partir deste ano.
Com curadoria de Gisele Kato e de Ulisses Carrilho, "Amostradas" propõe um debate amplo abrangendo a reconfiguração de imaginários.
Serviço:
'Amostradas' na Caixa Cultural Belém:
De 24 de março a 28 de junho
De terça a domingo, das 10h às 21h. Entrada gratuita.
Av. Marechal Hermes, s/n, Armazém 6ª, Reduto (Porto Futuro II) - Belém-PA
*As exposições acontecerão nas unidades da Caixa Cultural em Belém, de 24/3 a 28/6; Recife, de 17/7 a 6/9; e São Paulo, de 22/9 a 6/12
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