Equipe de 'Aeroporto - Área Restrita' é impedida pela PF de gravar no Rio
A proibição foi comunicada por meio de um ofício enviado pela PF à concessionária RioGaleão nesta sexta-feira, dia 30
A Polícia Federal (PF) impediu a equipe de filmagem da série Aeroporto - Área Restrita, exibida pela Discovery e HBO Max, de realizar gravações no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. A proibição foi comunicada por meio de um ofício enviado pela PF à concessionária RioGaleão nesta sexta-feira, dia 30, impedindo a atividade que estava programada para o sábado, dia 31.
O documento, acessado pelo jornal O Estado de S. Paulo (Estadão), é assinado pelo delegado José Paulo Martins Duval e endereçado a Patrícia Miranda Menezes Bichara Moreira, chefe alfandegária do Galeão. Nele, Duval estabelece que as equipes de filmagem não poderão ser credenciadas nem acessar as áreas de segurança do aeroporto carioca, locais onde a série é usualmente gravada. A produção tem como foco os bastidores de operações da Receita Federal e de outros órgãos em grandes aeroportos brasileiros.
Atrito entre Polícia Federal e Receita Federal
Segundo Kleber Cabral, presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), o ambiente entre policiais federais e auditores da Receita já apresentava tensão. Cabral aponta que, ao longo dos anos, a série passou a focar mais nos casos envolvendo a Receita do que nas histórias da própria PF. A série está atualmente em sua sétima temporada, com as gravações da oitava já iniciadas.
Em declaração à Coluna, Cabral descreveu a situação como uma "ciumeira institucional" e indicou que a ordem para proibir as gravações teria partido do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Questionado sobre o assunto, Rodrigues limitou-se a dizer que "o ofício é autoexplicativo".
"A série é muito conhecida e querida, e foi exatamente esse sucesso que criou uma ciumeira institucional na PF, que inclusive avançou sobre a competência da Receita, que é quem bloqueia credenciais", disse Cabral.
Clima de tensão e ação judicial
Servidores relataram que um clima hostil prevaleceu no aeroporto nesta sexta-feira, com policiais circulando armados pela área de inspeção de bagagens. Esse cenário teria causado constrangimento tanto a passageiros quanto a funcionários presentes no local.
A Moonshot Pictures, produtora responsável pela série, moveu uma ação na Justiça. A empresa alega cerceamento da liberdade de imprensa na tentativa de reverter a decisão. No entanto, até o momento, a produtora ainda não obteve autorização para retomar o acesso às áreas restritas do Aeroporto do Galeão.
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