Drama Psicológico de Fabiana C.O aborda a difícil relação entre mãe e filha
'Sra. Capa' convida o leitor a trafegar por um dos temas mais complexos da psicanálise e o mergulha numa jornada de amor, ressentimento e reparação
A figura materna é o objeto de fascínio de todo bebê, mas, para a psicanálise, a menina se afasta da mãe para que o Édipo aconteça. Tal distanciamento não ocorre de forma pacífica, e geralmente é imerso em hostilidades, contribuindo para que o forte laço entre mãe e filha trafegue pelo ressentimento, e até mesmo o ódio. Por outro lado, a relação com a mãe não será, de todo, abandonada, ela vai marcar o futuro da menina com o pai, o marido e a maternidade.
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Em "Sra. Capa", drama psicológico de estreia de Fabiana C.O, Sol é uma mulher que desde a adolescência fantasia sua mãe com uma imensa capa vermelha. Entre os sentimentos de amor e admiração, ela mergulha na própria história ao se deparar com mágoas ocultas. "A inspiração para o livro começou com a figura da minha mãe, ainda em 2019", explica a autora.
"Quando entendi que a minha observação era válida, eu construí e desenvolvi a história através do relacionamento da Sol e da Ana (mãe). Estruturei a história por meio do olhar da filha, e de como o uso da capa precisava ser questionado como algo familiar e enraizado nas gerações. Eu entendi que para falar sobre capas e afins, eu deveria começar com o primeiro relacionamento que temos: que é com a nossa mãe".
Narrado em primeira pessoa, Sra. Capa reflete sobre a depressão, o luto e as cobranças que cercam o universo feminino em um relato afetuoso e, por vezes, dolorido, que joga luz sobre a capacidade de ressignificar histórias, e partir para uma jornada de autodescoberta.
"Falar sobre depressão, tem sido uma missão de vida. Eu passei muitas crises desde os meus 15 anos. Posso dizer, que experimentei a doença e convivi em grau 'leve' com ela por mais de 15 anos", reflete Fabiana C.O. "Depois que me tornei mãe, percebi que precisava achar a minha cura. Foquei em fazer pelas minhas filhas e por mim. Mas entendi durante o meu processo, que precisava primeiro me amar e depois amar o próximo. Desde 2016, eu iniciei imersões em um curso de desenvolvimento pessoal. Já fazia terapia e estava nessa busca pelo autoconhecimento e consegui por meio das imersões conhecer os meus nós, e ressignificar parte da minha história e traumas".
'Sra. Capa' chega ao mercado editorial num momento em que nunca se falou tanto sobre saúde mental. É um livro que cutuca o leitor sobre a importância de ser ouvido e de saber ouvir. É uma obra sobre a aventura do autoconhecimento e que também tem como objetivo falar sobre a depressão.
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