GloboNews Documentário exibe 'Inajara' na TV e no Festival de Cinema de Alter-do-Chão

Longa de Renata Baldi registra encontro familiar após 30 anos de separação, em Alter do Chão, Santarém

Ana Carolina Matos

As belezas e singularidades de Alter-do-Chão, em Santarém, são o cenário do documentário "Inajara", que retrata o encontro de uma família 30 anos depois de uma separação. A produção conta a história do seu Inar, que conseguiu transformar a busca pelos filhos Inajara e Pachola em uma grande reunião - no sentindo mais unido da palavra - familiar.

O "GloboNews Documentário" exibe o longa neste sábado, 26, às 16h30. A produção também será exibida no Festival de Cinema de Alter-do-Chão, no domingo, 27, às 17h20, onde antecede o anúncio das premiações.

Diretora do documentário, Renata Baldi conta que tudo começou após uma amiga, Jordana Mendonça, publicar a história de seu Inar em uma rede social. "Ela o conheceu durante uma viagem a Alter-do-Chão e eles tiveram uma relação profunda, mística. Ele confessou que o maior desejo antes de morrer era de encontrar os dois filhos que não via há 30 anos e não tinha notícias há pelo menos 15. Então, ela se comoveu com aquela história e fez uma reclamação na Ouvidora de Justiça", relembra.

"Depois disso, um amigo me marcou na publicação e eu me interessei pela história. É uma história bem rocambolesca, bem surpreendente e que caiu no meu colo de paraquedas. Fui uma pessoa de muita sorte", acrescenta.

Digna de um roteiro de novela entre Pará e São Paulo, a história foi se delineando de forma quase natural por entre os desencontros da vida que desaguam em um único destino. Pouco tempo depois, o desabamento de um prédio ocupado de forma irregular em São Paulo colocou Inajara como personagem de uma matéria do Profissão Repórter, da Rede Globo, o que facilitou a busca dos órgãos já acionados. "Por uma dessas ironias da vida, ela era uma das personagens entrevistadas, mesmo que não morasse no prédio que desabou. Depois disso, começou um movimento de vaquinha pra tentar unir os filhos ao pai", detalha Baldi.

Primeiro foi o filho Pachola que, morando em São Paulo também em uma ocupação, conseguiu reencontrar seu Inar na região do Baixo Amazonas após a mobilização e doações de diversas pessoas. "Ele estava desempregado então ficou por lá com o pai. Abandonou a vida em São Paulo e ficou morando com ele", diz a diretora. "Já a Inajara saiu de São Paulo e foi morar em Cascavel, no Paraná, de onde ela foi depois para Alter do Chão conhecer o pai", explica.

Para além de um encontro emocionante, Baldi destaca ainda que o documentário é um retrato típico da brasilidade, mesmo no contraponto da calmaria amazônica com a correria da selva de pedra paulista. "Eles falam de um Brasil muito corriqueiro, que é esse Brasil gigante que a gente não conhece, que as famílias se esgarçam cada um pra um canto. Ao mesmo tempo, com toda a dureza da vida, eles mantiveram uma integridade, uma ética. São pessoas impressionantemente honestas, verdadeiras, fortes e guerreiras", declara.

O momento em que o país atravessa, de incertezas e violência, também é oportuno para que uma história como a dessa família seja registrada, aponta Baldi. "É importante para o país nesse momento onde as coisas estão tão sem sentido, sem valor, sem ética... E então você encontra uma família muito simples e ao mesmo tempo de uma integridade ímpar. A história deles me mostrou muitas coisas.Esse documentário fala de várias coisas importantes, como moradia, que é um problema seríssimo, da imensidão amazônica, do valor dessa mata.Tem generosidade, solidariedade, tem violência, mas tem muito amor envolvido", conclui.

Cinema
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