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Festival comemora 110 anos do Cinema Olympia

De hoje a quinta-feira, 28, haverá exibição de filmes gratuitos. Olympia entrou em reforma e permanece fechado.

Enize Vidigal

O cinema mais antigo de Belém, Olympia, completou 110 anos no último domingo, 24. Mesmo estando com as portas fechadas há cerca de dois anos e meio, a Prefeitura de Belém, por meio da Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel), promove um festival comemorativo com a exibição gratuita de filmes a partir desta terça-feira, 26, até a quinta-feira, 28. Atualmente o cinema passa por reforma do telhado. Por isso, o festival acontecerá no auditório Acyr Castro, no Memorial dos Povos.

Situado na Avenida Presidente Vargas, no bairro da Campina, o Olympia foi inaugurado em 1912, ainda na época do cinema mudo, ou seja, poucos anos após o surgimento da sétima arte no mundo, datado do final do Século XIX. O ano que o Olympia surgiu, era o período final do rico ciclo econômico da Borracha no Norte do Brasil que sustentou o movimento cultural europeu da “Belle Époque” na capital paraense.

“O prédio original em ‘Art Noveau’ sofreu uma série de mudanças nas décadas de 40 e 50, quando foi sofreu modificações até ficar com essa fachada modernista”, explica o historiador e presidente da Fumbel, Michel Pinho. “O Olympia é o retrato de uma era, é um caminho do audiovisual mundial. Hoje quase não temos mais os cinemas de rua (funcionando em um endereço próprio, com acesso direto da rua, sem ser no interior de um shopping ou galeria) funcionando no Brasil. É o (cinema de rua) mais antigo em atividade no Brasil”, destaca.

Esse cinema foi construído e mantido pelo setor privado até ser assumido pela Prefeitura de Belém, por volta de 2006, devido à crise nesse setor comercial. “Quando assumimos (a atual gestão), o Cinema Olympia já estava há um ano e meio fechado devido a problemas estruturais. E, no primeiro ano da nova gestão, não havia destaque orçamentário para fazer a obra, mas conseguimos incluir no orçamento de 2022”, explica Michel.

Programação Festival Olympia

O Festival Olympia vai exibir filmes seguidos de debates nesta terça-feira, 26, e também na quarta e quinta-feira, 27 e 28, sempre às 17h, com entrada franca, no auditório Acyr Castro, localizado no Memorial dos Povos.

A programação estreia com a exibição do filme histórico “Um Dia Qualquer”, de 1965, primeiro longa-metragem paraense, que foi dirigido por Líbero Luxardo, paulista que foi pioneiro no cinema na Amazônia. O enredo do filme traz o personagem Carlos que, ao voltar do funeral da esposa, Maria de Belém, recorda vários momentos vividos com ela na capital paraense dos anos 60. Logo após o filme, o professor e historiador Michel Pinho fará comentários sobre a obra de importância histórica para o cinema paraense.

Na quarta-feira, 27, será exibido o filme “Amador, Zélia”, do diretor Ismael Machado, um curta-metragem documental sobre a trajetória da professora, atriz e ativista histórica do movimento negro, Zélia Amador de Deus. Ao final, a jornalista Elza Rodrigues, titular da Coordenadoria Antirracista de Belém (Coant) e militante do Centro de Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), fará comentários sobre a obra e a homenageada.

E na quinta-feira, 28, será exibido o filme “Depois do Vendaval” longa- metragem de Luiz Arnaldo Campos, José Carlos Asbeg e Sérgio Péo sobre as mobilizações operárias, estudantis e a campanha pela Anistia no fim dos anos 70.

“O filme começou (a ser feito) há 40 anos atrás, quando os diretores, então jovens cineastas, começaram a filmar a agitação social que tomava conta do pais. Mas 40 anos depois, eles revisitaram os atores e as atrizes daqueles tempos, famosos e anônimos, para fazer um balanço destes tempos apaixonados”, conta Luiz Arnaldo, que estará presente à sessão e, ao final, vai comentar o filme.

“Estamos passando outra vez por um tempo em que é preciso derrotar as trevas, a ignorância, o autoritarismo. E as lições e experiências de brasileiros e brasileiras que, com coragem e paixão se atiraram à luta por um mundo melhor, podem ser muito úteis hoje”, completa.

Reabertura prevista para o próximo semestre

 “O cinema tem problemas estruturais muito sérios deixados pela gestão anterior, no telhado e no sistema elétrico. O sistema de refrigeração também é muito antigo e precisa ser substituído”, conta Michel Pinho. A primeira fase da reforma, considerada emergencial, acontece no telhado. O custo é de R$ 228 mil e a previsão de conclusão é de 50 dias. O serviço é realizado por meio da Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb).

A próximas fases da reforma serão as reformas elétrica e hidráulica e um novo sistema de refrigeração, que dependem de licitação para a contratação das empresas que farão os serviços, segundo informaram a Fumbel e a Seurb. “Vai demorar um pouco pra gente chegar lá (finalizar a reforma). Esperamos reabrir o cinema no próximo semestre”, destaca Michel.

A coordenadora de Patrimônio Histórico da Seurb, Débora Leite, destacou que os serviços realizados estão de acordo com a análise e aprovação dos demais órgãos patrimoniais, no caso do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional (Iphan), da Secretaria Estadual de Cultura (Secult) e da própria Fumbel.

"Nossa preocupação é com a qualidade do serviço. A equipe do Departamento de Obras da Seurb está acompanhando e fiscalizando diariamente essa etapa da obra.”, observa o secretário Municipal de Urbanismo, Deivison Alves.

Agende-se:

Festival Olympia

Dias: 26, 27 e 28/04

Hora: 17h

Local: Memorial dos Povos, Auditório Acir Castro (Av. José Malcher, 257)

Palavras-chave

Cinema
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