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Festival Cinefront exibe 'Adeus, Capitão', filme sobre o legado do líder Gavião no Sul Pará

O diretor Vincent Carelli, indigenista e antropólogo, participa da sessão em Marabá, nesta sexta-feira, 22.

Enize Vidigal

O Festival Internacional Amazônida de Cinema de Fronteira (FIA Cinefront), sediado no Sudeste do Pará, exibe nesta sexta-feira, 22, o documentário biográfico “Adeus, Capitão” (2022), com a presença do diretor Vincent Carelli, que registrou por muitos anos o empenho do líder do povo indígena Gavião, do Pará, Krohokrenhum, no resgate das tradições ancestrais. No sábado, 23, o Cinefront exibe o filme "Pureza” (2019), também na região, com a participação do diretor Renato Barbiere e da atriz paraense Dira Paes.

O festival criado em 2015, promove mostra e debates sobre obras cinematográficas que abordam a realidade amazônica e de outras regiões. A edição deste ano, teve início no último dia 15, com a exibição do filme "Mulheres em Luta, semeando resistência", produzido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que é homenageado, este ano.

“Adeus, Capitão” será exibido no Teatro Cine Marrocos, em Marabá, às 16h. Mas a estreia do filme ocorreu na véspera, na aldeia Parkatêyê, da Terra Indígena Mãe Maria, no município de Bom Jesus do Tocantins, Sudeste Paraense, onde viveu Krohokrenhum. A exibição foi realizada para indígenas residentes em cerca de 20 aldeias, incluindo da etnia Gavião.

Antropólogo, indigenista e documentarista franco-brasileiro, de Pernambuco, há 35 anos ele produz filmes com povos indígenas e também forma cineastas indígenas em todo o país. “Fiz mais de 50 filmes, já perdi a conta”, diz Carelli, em entrevista exclusiva a O Liberal. Os indígenas que ele formou já estão replicando o conhecimento para outros indígenas. “Foi uma semente que frutificou”, constata. “Os indígenas entenderam a importância dessa ferramenta como autoconhecimento (...) o reconhecimento como povos distintos com cultura específica e o reconhecimento no país. Isso é muito importante para eles”.

“A minha história do vídeo com o Capitão começou nos anos 80, quando os Gavião estavam retomando a autonomia financeira e política, reassumindo o controle do castanhal Mãe Maria. Ele começou o plano de refazer cerimoniais que eles faziam antes do contato (com não indígenas), que os jovens (da aldeia) nunca tinham visto. Portanto, ele estava reconstruindo a memória do povo Gavião. Eu cheguei com o projeto de vídeo e ele falou imediatamente: ‘É disso que estou precisando’”, recorda o cineasta.

Vincent Carelli registrou vários cerimoniais na T.I Mãe Maria entre os anos de 1987 e 1994. Após uma pausa de 15 anos, o diretor retomou as filmagens dos últimos anos de atividade do Capitão, que faleceu em 2016, e seguiu registrando as filhas e netos dele dando continuidade ao trabalho de perpetuação da cultura dos Gavião. “Acompanhei os últimos seis anos de vida dele, que estava dando aula para os jovens aprenderem a cantar. Ele dizia: ‘Não posso morrer de graça. Tenho que deixar alguma coisa para o meu povo’. Ele tinha a obsessão na reconstrução da memória do povo e a ferramenta de vídeo foi fundamental”, recorda.

O Cinefront é realizado por várias instituições, incluindo a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), Prefeitura de Marabá, MST e Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Palavras-chave

Cinema
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