Edição on-line da Mostra de Tiradentes debate cinema e pandemia

Filmes podem ser vistos de 22 a 30 de janeiro no site do festival

Agência Brasil

Em meio à pandemia de covid-19, a tradicional Mostra de Cinema de Tiradentes terá sua 24ª edição realizada de forma predominantemente virtual, com apenas ações pontuais na cidade histórica mineira.

A programação do evento, que começa nesta sexta-feira, 22, e vai até o dia 30, foi divulgada na semana passada e é totalmente gratuita. Os filmes poderão ser assistidos por meio do site do evento, onde também já é possível conferir as datas de exibição e as sinopses.

Nos debates, um dos temas que estará em evidência diz respeito aos impactos da pandemia do novo coronavírus no cinema, a começar pela reflexão sobre a própria produção do evento. A programação on-line, experimento inédito na história da mostra, poderá servir de base inclusive para se repensar o modelo dos próximos anos.

O coordenador curatorial do evento, Francis Vogner, acredita que o on-line está vindo para ficar. "Ainda iremos discutir as próximas edições, mas acho que caminharemos pra um modelo híbrido. O presencial é fundamental, porque oferece uma experiência particular de vivenciar o festival. Mas acredito que o formato virtual tende a se estabelecer também. Pelo menos em parte da programação, porque é a oportunidade de alcançar novos públicos. Há pessoas que querem estar em Tiradentes, mas às vezes não têm essa oportunidade. Isso nunca havia sido feito em nenhum dos grandes festivais no Brasil. E agora estamos sendo obrigados pela realidade a pensar sobre esse formato".

A opção inédita pelo on-line também foi feita por outros eventos que são referência no calendário cinematográfico brasileiro, como o Festival de Gramado, em setembro do ano passado, e o Festival de Brasília, que ocorreu há pouco menos de um mês.

A Universo Produções, que organiza a Mostra de Tiradentes, também adotou o modelo em eventos que organizou no segundo semestre de 2020: as mostras de Ouro Preto (CineOP) e de Belo Horizonte (CineBH).

A Mostra de Tiradentes foi criada em 1998 com a proposta de colaborar com o chamado "cinema de retomada", expressão usada na historiografia para se referir ao reaquecimento da produção nacional, ocorrido na segunda metade da década de 1990.

Rapidamente se consolidou como responsável por abrir anualmente o calendário audiovisual brasileiro, o que faz com que suas discussões influenciem outros festivais ao longo do ano. 

Mesmo com a edição virtual, as principais características estão mantidas. A Mostra Aurora, ponto alto do evento por abrir espaço para diretores que estão lançando o primeiro ou o segundo longa-metragem, vai exibir este ano sete obras de cineastas de cinco estados: Bahia, Santa Catarina, Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro.

Foi quando completou dez anos que o evento decidiu criar uma categoria específica para exibição de filmes inéditos de novos realizadores. De 2008 para cá, essa mostra competitiva foi atraindo mais interesse e se firmou como uma das mais importantes vitrines do evento.

Vogner destaca a força do cinema baiano nesta edição. Três trabalhos do estado, sendo um em coprodução com Minas Gerais, foram selecionados. Ele também observa que são obras que souberam encontrar boas saídas para lidar com o baixo orçamento, já que não foram contempladas por editais.

Para cada um dos sete filmes, será disponibilizada uma janela de 48 horas em que o público poderá assisti-lo online. Haverá um debate com o diretor da obra sempre na manhã seguinte ao dia em que se inicia esse período de acesso.

Além da Mostra Aurora, o festival tem muitas outras categorias. Oito delas são somente para os curtas-metragens: 79 títulos foram escolhidos em um universo de 748 inscrições. Em relação aos longas-metragens, serão exibidas 27 obras. Ao todo, são 114 filmes de 19 estados.

A programação on-line de nove dias inclui outras atividades, como as mesas de debate e os shows musicais de Arrigo Barnabé, Chico César, Adriana Araújo, Sérgio Pererê, Fernanda Abreu e Johnny Hooker.

A homenageada deste ano é a cineasta e artista plástica Paula Gaitán, que tem trabalhos com prêmios importantes como o longa-metragem Exilados do Vulcão, eleito o melhor filme do Festival de Brasília de 2013. Ela é também viúva do cineasta Gláuber Rocha, com quem teve dois filhos. "Foi uma escolha sintonizada com a temática".

Serão exibidos oito filmes da diretora, três deles inéditos: o curta Ópera dos Cachorros e os médias-metragens Se hace camino al andar e Ostinato. Este último abrirá a programação nesta sexta-feira (22) à noite.

Cinema
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