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CINE NEWS

Por Marco Antônio Moreira

Coluna assinada pelo presidente da Associação dos Críticos de Cinema do Pará (ACCPA), membro-fundador da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE) e membro da Academia Paraense de Ciências (APC). Doutorando em Artes pelo PPGARTES/UFPA; Mestre em Artes pela UFPA. Professor de Cinema em várias instituições de ensino, coordenador-geral do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC), crítico de cinema e pesquisador.

A versatilidade da obra de Fritz Lang em streaming

Marco Antonio Moreira

O canal Telecine incluiu uma série de filmes do cineasta Fritz Lang (1890-1976) na programação e ainda deixou as obras disponíveis no seu catálogo online. Essa é uma rara oportunidade de conhecer parte da vasta obra de um dos maiores cineastas do cinema. A carreira dele começa depois participar da primeira guerra mundial, onde perdeu um olho durante o conflito. Enquanto se recuperava do episódio infeliz, começou a escrever roteiros para filmes e iniciou sua carreira no cinema em 1919, na direção do filme Halbblu.

Fritz Lang

Entre 1919 e 1921, Lang realizou oito filmes com notável influência do cinema expressionista. Nesse período, seu trabalho mais importante é a obra prima A Morte Cansada (também conhecido pelo título O Amor é mais Forte que o Ódio). No filme, a Morte resolve levar um jovem de um vilarejo europeu do século XIX quando ele estava prestes a se casar. A noiva implora pela vida do futuro marido e a Morte decide dar uma chance à jovem desesperada se ela conseguir evitar um de três falecimentos que estão prestes a acontecer. Belíssimo filme que considero um dos maiores filmes da história do cinema.

A partir de 1922, Fritz Lang se consolidou como um dos grandes diretores do cinema silencioso em filmes como Dr. Mabuse (1922), Os Nibelungos (1924), Metrópolis (1927), Os Espiões (1928) e A Mulher na Lua (1929). Nesse período trabalhou com sua esposa, a atriz, cineasta e roteirista Thea Von Harbouau, que ficou conhecida internacionalmente pelo roteiro do clássico de ficção científica Metrópolis. Muitos cineastas não conseguiram se adaptar ao cinema falado como Lang, que realizou outra obra prima em 1931: M O Vampiro de Dusseldorf (seu primeiro trabalho falado). O filme é baseado na história do alemão Peter Kürten e mostra a história de um assassino em série de crianças que é perseguido pela polícia. Este caso demonstra o caos humano, social e político da Alemanha nos anos 1930. Um dos destaques desse filme é a excelente atuação do ator Peter Lorre, que posteriormente teve participações importantes nos filmes Casablanca (1941) de Michael Curtiz e Relíquia Macabra (1941) de John Huston. Neste período, Lang foi convidado para produzir filmes do Partido Nazista, que estava em ascensão. Mas se recusou e fugiu para Paris, onde produziu filmes antinazistas.

Em 1934, ele se mudou para os EUA e iniciou uma nova fase como cineasta ao dirigir filmes de diversos gêneros - incluindo dramas e filmes noir. Entre vários títulos interessantes, destaco Fúria (1936) com Spencer Tracy e Sylvia Sidney, Vive-se Só Uma Vez (1937) com Henry Fonda e Sylvia Sidney, Um Retrato de uma Mulher (1944) e Almas Perversas (1945) com Edward G. Robinson e Desejo Humano (1954) com Glenn Ford e Gloria Grahame.

Desejo Humano foi reexibido em Belém no Cine Estação há muitos anos e tive a chance de revê-lo em tela grande. O filme é uma das melhores adaptações do livro A Besta Humana de Emile Zola para o cinema e mostra um drama de amor, violência e traição por meio da história de um engenheiro de ferrovias que se apaixona pela esposa de seu colega de trabalho. Desejo Humano tem um excelente roteiro, que permite diversas leituras sobre as características humanas de cada personagem sem maniqueísmos e julgamentos morais sobre suas atitudes. É um dos melhores filmes de Lang nos EUA.

No final dos anos 1950, ele desistiu do esquema comercial de Hollywood para voltar a trabalhar na Alemanha, onde dirigiu Os Mil Olhos do Dr. Marbuse (1960), seu último filme. A obra de Fritz Lang sempre foi uma excelente referência para críticos de de cinema e cinéfilos, incluindo algumas fases de sua carreira em que ele dirigiu trabalhos com potencial artístico inferior ao que seu talento poderia produzir. Mas, de alguma maneira, a maioria de seus filmes foram revistos por novas gerações, que têm valorizado seu estilo de filmar e contar histórias de maneira inventiva e criativa. Ele deixou um legado importante que marcou a história do cinema e influenciou cineastas como Alfred Hitchcock, Luís Buñuel e Orson Welles, entre outros artistas.  

A exibição de filmes de Fritz Lang no Telecine é uma iniciativa que merece ser louvada. É fundamental criar oportunidades de exibição de filmes feitos por excelentes diretores como ele, que tem uma enorme relevância na história do cinema. Dessa maneira, pra além do entretenimento, o espectador pode conhecer e reconhecer obras diferenciadas que podem despertar o interesse na pesquisa e no conhecimento sobre outros artistas, ampliando assim a cultura cinematográfica.  

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