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MAIRI reúne produções do Brasil e de outros países em mostra de cinema experimental em Belém

Idealizado por mulheres da Amazônia,mostra aposta na experimentação audiovisual e no fortalecimento do cinema independente na região

Riulen Ropan (Estagiário sob supervisão de Abílio Dantas)

Belém recebe, nesta sexta-feira e sábado, 13 e 14, a MAIRI – Mostra Internacional de Cinema Transbordante, iniciativa de cinema independente que aposta na experimentação estética e na criação de novas formas de narrar e perceber o mundo. Com programação gratuita, o evento será realizado no Sesc Ver-o-Peso e reúne sessões audiovisuais e encontros formativos voltados à reflexão sobre arte, território e política.

A proposta da mostra é ampliar o espaço para o cinema experimental e fortalecer esse campo na Amazônia. Inspirada na força simbólica das águas amazônicas, especialmente no período das chamadas “Águas Grandes”, quando o inverno amazônico eleva o nível dos rios e transforma a paisagem urbana, a programação reúne obras que buscam “transbordar o convencional”.

Serão exibidos curtas, médias e longas-metragens selecionados por uma curadoria formada por mulheres da Amazônia. Entre os títulos escolhidos estão produções do Brasil e de outros países, como Bolívia, Alemanha e Líbano, que abordam temas relacionados a território, memória, ecologia e dissidências.

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Idealizada por mulheres da região, a MAIRI tem produção de Xan Marçall e curadoria da antropóloga Geo Abreu, da atriz Marcione Pará e da roteirista Rayo Machado. Além das exibições, o evento prevê momentos de formação e troca com o público, reforçando o compromisso com a construção de novas plateias para o cinema experimental.

“Inspirada na ideia de transbordamento, MAIRI se propõe como um espaço de encontro entre arte, corpo e território, onde o cinema é entendido como gesto poético, político e ambiental, capaz de provocar deslocamentos e imaginar futuros comuns”, afirma Xan Marçall, pesquisadora e antropóloga envolvida na criação da mostra.

O nome do evento remete a uma camada profunda da história amazônica. Segundo Marçall, “MAIRI” remonta ao período do Cacicado Marajoara e designava um importante entreposto comercial e migratório localizado às margens do Lago Arari, na Ilha do Marajó. O assentamento teria entrado em declínio por volta do ano 410 d.C., possivelmente após uma grande catástrofe climática associada ao transbordamento das águas.

Narrativas históricas indicam que, ao longo do tempo, a referência a MAIRI foi deslocada para a área onde hoje se encontra o Forte do Presépio e seu entorno, espaço que já funcionava como área de comércio indígena antes da chegada dos europeus.

Registros apontam ainda que o aglomerado urbano formado por áreas de terra firme e palafitas era conhecido como “Maery”, palavra de origem tupinambá que pode ser traduzida como “visão tremida”, em referência às miragens provocadas pelas diferenças de temperatura entre o Lago Arari e o solo ao redor.

Ao recuperar esse nome, a mostra propõe também uma reflexão sobre memória, ancestralidade e pertencimento, dialogando com as contradições históricas de Belém, cidade marcada pela força das águas e pelos desafios do planejamento urbano.

Serviço

MAIRI - Mostra Internacional de Cinema Transbordante

Programação: 13 de março (sexta-feira), com exibições das 15h às 21h e 14 de março (sábado), com exibições das 15h às 18h30

Local: Sesc Ver-o-Peso (Blvd. Castilhos França, 522/523 - Campina)

(Riulen Ropan, estagiário de Jornalismo, sob supervisão de Abílio Dantas, coordenador do núcleo de Cultura)