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'Um Lugar Pra ir': Novo trabalho de Íris da Selva chega às plataformas e antecipa álbum de estreia

Artista paraense aposta na fusão entre carimbó e MPB em faixa

Amanda Martins

Misturando elementos do carimbó com influências da Música Popular Brasileira (MPB), Íris da Selva apresenta “Um Lugar Pra ir”, seu novo single, que chega às plataformas digitais nesta sexta-feira (20) com o selo Budokaos. A canção é uma homenagem do cantor e compositor paraense às suas origens em Icoaraci, distrito de Belém, e antecipa aos fãs um “gostinho” do que virá em seu álbum de estreia auto-intitulado.

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Musicalmente, o single apresenta influências da cena contemporânea do carimbó, com arranjos que incorporam instrumentos tradicionais como o banjo, o curimbó e a flauta transversal, além do violão de nylon. 

Em entrevista, Íris conta que a faixa nasceu de um processo íntimo e espontâneo.  “Essa foi uma das poucas músicas que fiz começando sem instrumento. Eu comecei a cantarolar em um dia de manhã, quando acordei e me sentia muito cansado da rotina que eu tava levando”, lembra.

Ele explica que a composição surgiu a partir de um desejo de deslocamento e transformação.  “Eu queria viajar e pensei que o peso das coisas estava me transformando em pedra, aquilo que eu não queria que acontecesse”, continua. 

Por isso, na letra, de acordo com Íris, é apresentado ao ouvinte  uma reflexão sobre a busca por equilíbrio e pertencimento. “Sinto que, quando se trata de compartilhar com o público, minha vontade é quase sempre de trazer um acolhimento, gerando nas pessoas uma identificação”, diz. 

“É essencialmente um pedido de saída, deslocamento, mas de uma maneira consciente e não como fuga. ‘Um lugar pra ir’ como forma de se encontrar”, acrescenta o cantor. 

Para acompanhar o lançamento, a faixa ganha uma identidade visual marcada pela pintura da artista Barbara Savannah, que retrata Icoaraci ao mesclar a paisagem da orla com elementos da cultura popular nortista. 

“Posso dizer que as coisas mais importantes que aconteceram na minha vida foram em Icoaraci. O meu nascimento, as memórias da infância, a vivência de carimbó, minha relação com a composição”, afirma Íris. 

Álbum de estreia

Previsto para ser lançado ainda este ano, o projeto reunirá composições de diferentes momentos da trajetória do artista. “Esse álbum contém músicas que escrevi há 10 anos e músicas que escrevi há 2 anos. Por isso, quis que ele fosse autointitulado, pra mostrar um pouco dessa evolução da poética, mas ao mesmo tempo dizer que é tudo uma coisa só. É tudo ‘Íris da Selva’”, diz Íris.

O cantor adianta que já apresentou ao público três faixas do projeto, incluindo colaborações com Flor de Mururé e Borblue, e que a recepção tem sido positiva. 

“Basicamente, o disco é sobre relação com o território, cultura popular e processos internos. Tudo dentro de uma sonoridade bastante enxuta, mas feito de maneira intencional e com muito carinho pro público que vai receber”, adianta o artista. 

Trajetória na cena musical

Com dois EPs lançados - “Das Águas desse Rio” (2020) e “Zelo” (2022) -, Íris da Selva vem consolidando seu nome na cena musical do Norte do país. Ao longo dos últimos anos, participou de festivais como o Psica e o Se Rasgum, além de estabelecer parcerias com artistas como Nilson Chaves e o Arraial do Pavulagem.

Para o cantor, o momento atual da música produzida na região está diretamente ligado à valorização das identidades locais. “Esse movimento é de muitas vezes misturar sonoridades. Essa nova geração não descarta suas referências passadas, mas busca agregar”, explica.

Íris também ressalta que esse cenário exige responsabilidade artística.  “Isso dá um gás para a gente se apropriar da nossa cultura e falar sobre ela através das nossas vivências contemporâneas. Eu estou nesse lugar de misturar também, e,  ao mesmo tempo, reafirmando que esse fazer artístico não é simples e não é tudo igual”, acrescenta.