Primeiro Arrastão do Pavulagem 2026 destaca histórias de quem faz o cortejo acontecer
Concentração começa às 9h, na Praça da República, e reúne veteranos e novos integrantes do Batalhão da Estrela neste domingo (14)
Depois de um mês de oficinas e ensaios, o Batalhão da Estrela está pronto para tomar as ruas de Belém no primeiro Arrastão do Pavulagem de 2026, que ocorre neste domingo (14). O cortejo reunirá cerca de 1.100 brincantes de todas as idades, entre veteranos e novos participantes das atividades do Instituto Arraial do Pavulagem.
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Segundo os organizadores, a concentração começa às 9h, na Praça da República, em frente ao Theatro da Paz, com a tradicional Roda Cantada. Às 10h, os brincantes seguem em cortejo pela Avenida Presidente Vargas, passam pela Rua Municipalidade e encerram o percurso na Praça Waldemar Henrique, onde será realizado um show especial da banda Arraial do Pavulagem e convidados.
Neste ano, os Arrastões têm como tema “Bandeira de Guarnição”, referência aos símbolos presentes nos grupos da cultura popular e às tradições transmitidas entre gerações.
Uma história que começou nos ensaios
Entre as pessoas que ajudam a manter essa tradição está Ygor Felipe Oliveira. Instrutor de dança do Batalhão há dez anos, ele relembra que sua trajetória na manifestação começou ainda na adolescência. Atualmente, integra a equipe responsável pelas coreografias apresentadas e pela preparação dos brincantes durante o período de oficinas e ensaios que antecedem os cortejos.
“Um dia, vi uma vizinha passando com o chapéu e a roupa do Pavulagem. Ela era amiga da minha mãe, então pedi para acompanhá-la aos ensaios. Foi assim que comecei a me envolver, construí amizades e, anos mais tarde, recebi o convite para integrar a equipe”, relembra.
Segundo Ygor, o interesse pela cultura popular amazônica foi determinante para sua permanência no projeto. “Hoje eu paro e penso: ‘Nossa, eu queria muito estar aqui’. Estou muito imerso nisso e considero um sonho realizado”, afirma.
Entre as lembranças que guarda da trajetória dentro da manifestação cultural, uma das mais marcantes para ele ocorreu durante a edição de 2025.
“Ouvi minha mãe gritar meu nome do meio da multidão. Eu olhei, chamei ela, nos abraçamos e tiramos uma foto. Aquilo me fez lembrar da época em que ela me levava para assistir aos cortejos. Foi um momento que resumiu o significado do Arrastão para mim: uma grande celebração da cultura, do afeto e da memória”, recorda.
Mesmo após anos conduzindo centenas de brincantes, Ygor afirma que a expectativa continua presente a cada nova edição.
“Sempre dá um frio na barriga, ainda mais este ano, com algumas novidades. Temos coreografias novas que serão apresentadas na concentração em frente ao Theatro da Paz. Também teremos músicas novas e, durante o cortejo, vamos fazer uma evolução no carimbó com uma grande roda”, adianta o instrutor.
Ao som das maracás
Integrante da percussão desde 2008, Carla Moraes se tornou uma figura conhecida entre os brincantes. Tocando maracás e dançando ao mesmo tempo, ganhou o apelido de "Carla Jackson", em referência ao Rei do Pop, dado pelo instrutor Rafael Barros.
“Eu sentia que não era só tocar o instrumento, precisava acompanhar o ritmo junto com o meu corpo. As músicas do Arraial do Pavulagem sempre tiveram uma energia tão grande, que não me deixavam ficar parada”, explica Carla.
Embora já tivesse ligação com a música popular, Carla conheceu o movimento por meio de um primo e passou a frequentar as atividades do Instituto Arraial do Pavulagem. Foi durante as oficinas que se encantou pelas maracás, instrumento que passou a acompanhar sua trajetória no Arrastão.
“Os instrutores da época ensinavam todos os dias e passavam cada detalhe sobre o instrumento. Aquela experiência me marcou muito”, relembra.
Além da percussão, ela já integrou outras formações do cortejo e esteve na gravação do programa "Sons do Pará - Especial Arraial do Pavulagem", no Theatro da Paz, exibido pela TV Liberal em maio. Recentemente, Carla foi convidada para participar da Roda Cantada que antecede a saída do Arrastão.
“Estou muito feliz por viver essa experiência”, diz.
Durante as saídas dos cortejos, Carla afirma que um dos momentos mais marcantes acontece quando os instrumentos se unem à resposta do público nas ruas.
“Quando o Batalhão da Estrela começa a tocar e eu escuto os tambores junto com o ritmo das maracás, vendo a multidão acompanhando, a gente sente amor, alegria e felicidade. É algo muito especial”, relata.
Para ela, o principal motivo para continuar participando dos Arrastões após quase duas décadas é a possibilidade de compartilhar essa experiência com outras pessoas.
“O que me faz sair todos os anos é o amor, a amizade, é saber que posso transmitir minha alegria às pessoas. O Pavulagem faz parte da minha vida e da minha história dentro da cultura popular paraense”, acrescenta.
Próximos cortejos
A temporada de Arrastões do Pavulagem segue nos dias 21 e 28 de junho e 5 de julho, quando novos cortejos ocuparão as ruas de Belém.
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