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Paraenses criam revista digital para contar e documentar a história do rap no estado

‘Gabinete do Rap’ será lançada em abril com conteúdos sobre artistas e movimentos da cena

Amanda Martins

A cena do hip-hop no Pará ganha um novo espaço dedicado à documentação e análise do movimento. A revista eletrônica “Gabinete do Rap” (GBRAP), que será lançada em abril, surge como a primeira publicação digital voltada exclusivamente ao rap do estado, com a proposta de registrar, por meio de conteúdos editoriais e audiovisuais, a trajetória da cultura na capital e na Região Metropolitana.

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Contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc, o projeto iniciou suas atividades nas redes sociais em fevereiro de 2026 e prepara o lançamento oficial do portal para o fim de março. A primeira edição será acompanhada também do vídeo-manifesto “A Memória Viva da Resistência”, com participação dos rappers Bruna BG e Moraes MV.

No ambiente digital, o público poderá acompanhar coberturas especializadas de eventos, resenhas críticas, lançamentos e entrevistas, além de conteúdos que abrangem outros elementos do hip-hop, como DJs, grafiteiros e manifestações da cena urbana.

Segundo a jornalista Andreza Dias, diretora geral da revista, a proposta parte da compreensão do hip-hop como um movimento historicamente ligado à resistência. Apesar de já existir documentação, ela avalia que ainda há barreiras estruturais que impactam a visibilidade do gênero. “Enxergamos nosso papel de documentar, de entrevistar e registrar mesmo as histórias de atuação desses artistas”, afirmou.

Andreza também destacou que a revista busca dialogar com diferentes públicos dentro do movimento. “As pessoas podem esperar uma comunicação de qualidade produzida para esse público, desde quem consome o rap no fone de ouvido até quem vive na pele nas batalhas de rima”, disse. Sobre a primeira edição, ela adiantou que o conteúdo chega “encorpado”, reunindo desde a história do rap em Belém até discussões atuais. “Trazemos temas relevantes, dados, cena LGBTQIA+ e muito mais”, completou.

Hip-hop como cultura e identidade

Para o publicitário, DJ e produtor musical Flawess, o projeto dialoga diretamente com a essência do hip-hop, estruturado em diferentes elementos. “O movimento hip-hop é união dos quatro elementos: ritmo e poesia (Rap), DJ, breaking e graffiti. Os DJs são a base da cultura”, afirmou. Ele também destacou a importância da construção coletiva e da identidade regional. “Fazer hip-hop na Amazônia neocabana é entender que esse cenário é a única escolha para uma cena cada vez mais autossuficiente”, disse.

Manifesto e memória da cena

O vídeo-manifesto que acompanha o lançamento reforça essa perspectiva. De acordo com o produtor cultural Michel Chermont, o rap atua como um instrumento de preservação de memória e expressão social. “O manifesto parte da nossa visão do rap como um agente da memória. Ele atua como guardião de condutas, vivências, ensinamentos e, acima de tudo, de lutas”, afirmou.

Michel também ressaltou que o rap produzido no Pará carrega características próprias, marcadas pela contestação e pelo contexto social da região. “Nosso trabalho não apenas comunica, mas registra historicamente o rap de Belém, servindo de base futura para pesquisadores e entusiastas do gênero”, disse.

Na avaliação do produtor cultural Luiz Horizonte, o movimento vive um momento de crescimento gradual. “Projetos como o ‘Gabinete’ e outras iniciativas que vêm surgindo têm um papel fundamental nesse processo, pois ajudam a ampliar os espaços, fortalecer a cena e impulsionar essa expansão de maneira mais consistente”, destacou.