Invicta no Bumbódromo, Marciele Albuquerque está pronta para mais um Festival de Parintins
Após participação no cenário nacional, a paraense de Juruti ressalta a importância do festival para a valorização dos povos originários e o fortalecimento do intercâmbio com o Pará
O Boi Caprichoso leva o projeto temático “Brinquedo que Canta seu Chão” para o Festival Folclórico de Parintins de 2026. A cunhã-poranga Marciele Albuquerque chega para a disputa deste ano com inovação e impacto visual nas três noites de apresentação no Bumbódromo.
Invicta, a cunhã-poranga do Boi Caprichoso encontra na sua dedicação o combustível para as suas próximas apresentações: “Eu recebo esse retrospecto com muita gratidão e responsabilidade. Cada ano é uma história diferente, um desafio diferente e uma oportunidade de me entregar ainda mais ao meu item e ao meu boi. O que me motiva é olhar para trás e pensar nas conquistas, mas também olhar para frente e buscar evoluir constantemente. Estar invicta é resultado de muito trabalho coletivo, porque ninguém constrói uma apresentação sozinha. Isso me dá confiança, mas principalmente aumenta o meu compromisso de honrar o Caprichoso, a minha ancestralidade e o carinho da torcida”.
Com destaque na cena nacional após o BBB 26, a paraense de Juruti consegue enxergar a dimensão e a importância do festival não só para o Norte, mas para o Brasil inteiro, como vitrine de visibilidade das identidades amazônicas para o mundo.
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“O Festival de Parintins é muito mais do que um espetáculo. Ele é uma vitrine da nossa identidade, da nossa ancestralidade e da riqueza cultural da Amazônia. Durante muito tempo, muitas histórias da região Norte ficaram restritas ao nosso território, e Parintins ajuda a levar essas narrativas para todo o Brasil e até para o mundo. Como mulher indígena Munduruku, eu vejo o festival como um espaço de valorização dos povos originários, das nossas tradições e da nossa forma de enxergar a vida. É um movimento que fortalece o sentimento de pertencimento de quem é da Amazônia e, ao mesmo tempo, educa e aproxima pessoas de outras regiões da nossa realidade”, pontua a cunhã-poranga.
Diante de tanta visibilidade, o festival atrai uma quantidade expressiva de turistas e artistas também do Pará. Esse intercâmbio cultural e econômico entre os dois estados, seja por meio do público ou dos profissionais da cultura, torna o espetáculo um exemplo de cadeia produtiva da cultura na região Norte.
“A relação entre Amazonas e Pará é muito especial porque compartilhamos muitas referências culturais, históricas e até afetivas. O Festival de Parintins cria uma ponte importante entre os dois estados, movimentando o turismo, a economia criativa, a produção artística e gerando oportunidades para centenas de profissionais. O público paraense acompanha o festival com muito entusiasmo e participa ativamente dessa celebração. Esse intercâmbio fortalece a cultura amazônica como um todo, porque mostra que a nossa diversidade é uma potência. Quando artistas, artesãos, músicos, produtores e empreendedores circulam entre os estados, toda a região Norte cresce junto e ganha mais visibilidade nacional”, avalia Marciele.
Performativa, a apresentação da paraense é avaliada pelos jurados. Sendo o item 9, a cunhã-poranga é considerada a moça mais bonita da tribo, representante da força, da beleza nativa e guerreira guardiã; por conta disso, sua avaliação é individual e tem critérios técnicos que englobam sua dança, performance e indumentária.
“Tudo começa pela narrativa que queremos contar. Cada movimento, expressão, figurino e elemento cênico precisa conversar com a proposta artística daquele ano. Eu procuro construir uma apresentação que una técnica, emoção e verdade. Como cunhã-poranga, carrego a missão de representar a força da mulher indígena, então cada detalhe é pensado para transmitir essa mensagem. É um processo muito colaborativo, que envolve artistas, coreógrafos, artesãos e toda uma equipe comprometida em transformar uma ideia em uma experiência marcante para quem está assistindo”, finaliza Marciele.
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