Festival dos Povos da Floresta leva música e resistência ao Teatro Gasômetro em Belém
Programação gratuita nos dias 26 e 27 destaca a potência artística da Amazônia e promove encontros entre tradição e contemporaneidade
O Festival dos Povos da Floresta chega a Belém com uma programação gratuita que reúne artistas da cena amazônica e nacional nos dias 26 e 27 de março, no Teatro Gasômetro. Com início às 18h, o evento propõe dois dias de celebração da cultura da floresta, destacando a diversidade de linguagens e a força das expressões artísticas da região.
Ao todo, serão disponibilizados 800 ingressos gratuitos, distribuídos ao longo da programação. A retirada ocorre no próprio teatro, a partir das 17h, e a organização recomenda que o público chegue cedo para garantir presença nas apresentações.
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A abertura, no dia 26, reúne nomes como Nat/Esquema, DDD 91, Djuena Tikuna, que convida Joelma Kláudia, Tambores do Pacoval e Naieme, com participação de Izabela Lima, de Rondônia. A noite também contará com o “Baile do Mestre Cupijó”, comandado por Felipe Cordeiro, em uma mistura de ritmos que dialoga com as tradições e releituras contemporâneas da música amazônica.
No dia 27, a programação segue com DJ Kabocla, Julia Passos, que recebe João Amorim, de Macapá, Jeff Moraes com Raidol e Ian Wapichana, além dos grupos Suraras do Tapajós e Felix Robatto, que se apresenta com Sandrinha. O encerramento fica por conta da cantora Tulipa Ruiz, ampliando o diálogo entre a produção local e nomes de projeção nacional.
Idealizado pela Rioterra – Centro de Inovação da Amazônia, o festival nasce com a proposta de integrar cultura, sustentabilidade e inovação. Segundo a presidente da instituição, Fabiana Barbosa Gomes, a curadoria foi construída de forma colaborativa, com participação de produtores dos territórios. “A seleção pela curadoria musical, bem como dos artistas da exposição são feitas buscando sempre reunir as múltiplas expressões e abraçando a pluralidade amazônica, garantindo a diversidade, conectando sempre o ancestral e o contemporâneo”, afirma.
A dirigente destaca que a iniciativa parte da compreensão de que arte e cultura são fundamentais para fortalecer o pertencimento e a consciência ambiental. “Precisamos de dados para sustentar decisões, mas precisamos de arte e cultura para sustentar pertencimento e conscientização ambiental”, explica.
Com entrada gratuita e acessível, o festival também aposta na ocupação de espaços culturais como forma de ampliar o acesso da população às produções amazônicas. Para Fabiana, a proposta é gerar conexões reais entre artistas e público, valorizando identidades e narrativas dos povos da floresta.
Realizar um evento dessa dimensão na região, no entanto, envolve desafios logísticos, como as distâncias e o acesso entre os territórios. Ainda assim, a organização aposta na circulação do projeto, que já tem continuidade prevista. Após a etapa em Belém, o festival segue para Brasília e deve ganhar novas edições em outras cidades amazônicas.
Mais do que apresentações musicais, o Festival dos Povos da Floresta, apresentado pela Petrobras e realizado pelo Ministério da Cultura e Governo Federal, se propõe a ser um espaço de encontro, memória e troca, reunindo diferentes linguagens artísticas e reforçando o papel da cultura como instrumento de resistência e valorização dos saberes tradicionais.
SERVIÇO
Festival dos Povos da Floresta - Belém
Quando: 26 e 27 de março (quinta e sexta-feira)
Horário: a partir das 18h
Onde: Teatro Estação Gasômetro (Av. Gov Magalhães Barata, 830 - São Brás)
Ingressos: 800 ingressos gratuitos distribuídos ao longo dos dois dias
(Riulen Ropan, estagiário de Jornalismo, sob supervisão de Abílio Dantas, coordenador do núcleo de Cultura)
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