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Federação Indígena do Pará cobra responsabilidade de aparelhagem sobre termos pejorativos

Organização se coloca à disposição para dialogar com produtores culturais sobre o uso indevido de iconografias e identidades originárias

O Liberal

A Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (FEPIPA) publicou um manifesto nas redes sociais direcionado à aparelhagem Tupinambá. A organização afirma que manifestações culturais não devem conter práticas, termos ou representações que remetam a violências ou estereótipos de origem colonial. A entidade defende que a cultura do Pará deve ser acompanhada de responsabilidade e escuta aos povos indígenas, colocando-se à disposição para o diálogo.


O manifesto declara: “A FEPIPA torna público o Manifesto pelo Respeito às Identidades Indígenas no retorno da aparelhagem Tupinambá, reafirmando que a cultura não pode ser espaço para a reprodução de práticas racistas, estereotipadas ou que desrespeitem os povos indígenas. O uso indevido da identidade indígena, a adoção de termos pejorativos e representações caricaturais reforçam violências históricas e desinformação. É fundamental avançar com responsabilidade, respeito e escuta ativa, reconhecendo a diversidade dos povos indígenas e suas identidades. A FEPIPA se coloca à disposição para o diálogo e reforça que o fortalecimento da cultura paraense deve caminhar junto com a valorização, o respeito e a proteção dos povos indígenas. Respeitar os povos indígenas é respeitar a história, a cultura e a vida”.

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A discussão teve início após a ativista Nice Tupinambá comentar um vídeo da Banda AR-15 produzido para a aparelhagem. Nas imagens, os vocalistas Harrisson e Carol Lemos e o grupo de dança utilizam pinturas no corpo, penas e cocares em movimentos que remetem a rituais. A letra da música utiliza palavras como "tribo" e "flecha". Nice afirmou que seu comentário busca a reflexão e o diálogo, e não um ataque ao movimento do brega. A ativista mencionou que a palavra "tribo" é considerada pejorativa e que a estética utilizada reforça a ideia de "fantasia", sem abordar temas como o desmatamento e a mineração. Ela sugeriu a inclusão de pessoas indígenas na produção das obras e citou o Festival de Parintins como exemplo de construção conjunta.

APARELHAGEM

A aparelhagem Tupinambá programa para o dia 11 de abril o lançamento do projeto "Icônico Tupinambá – O Altar Sonoro". A estrutura utiliza recursos tecnológicos e conta com a atuação do DJ Dinho, além dos DJs Toninho e Wesley, marcando também a entrada do DJ Betinho Apollo na equipe.

A trajetória da aparelhagem soma mais de 60 anos, com origem na década de 1970, no município de Abaetetuba, localizado no nordeste do Pará. O projeto foi iniciado por Andir Corrêa, pai dos atuais DJs Dinho e Toninho. Ao longo do tempo, a estrutura passou por modificações técnicas e visuais, mantendo a atuação de diferentes profissionais. O nome da aparelhagem faz referência direta ao povo indígena Tupinambá, e o grupo utiliza denominações como "O Guerreiro Treme Terra" e "Cacique da Tribo" para identificar a estrutura e seu principal DJ.

O anúncio do novo projeto motivou discussões sobre representatividade nas plataformas digitais. O debate concentra-se no uso de terminologias e iconografias que, segundo críticos e representantes de movimentos indígenas, reproduzem estereótipos de origem colonial.

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