MENU

BUSCA

Com contação de histórias e mediações artísticas, CCBA integra programação do Circular em Belém

O evento reúne contação de histórias inspiradas na cosmovisão indígena com Ester Sá, oficinas de mosaico reciclável e mediações exclusivas com os artistas Emmanuel Nassar e Nay Jinknss

O Liberal

O Centro Cultural Bienal das Amazônias (CCBA) recebe, neste domingo (7), a 61ª edição do Projeto Circular, iniciativa que há 12 anos promove a ocupação cultural do Centro Histórico de Belém por meio da arte, da memória e da economia criativa. Com entrada gratuita, a programação reúne atividades voltadas para diferentes públicos, incluindo contação de histórias, mediações em exposições e oficina artística.

Para Vânia Leal, diretora artística e educacional do CCBA, a proposta é ampliar as formas de interação entre os visitantes e a produção artística contemporânea. “A programação deste domingo aproxima a arte do público ao transformar o espaço cultural em um lugar de convivência, escuta e descoberta. Entre encontros com os artistas Nay Jinknss e Emmanuel Nassar, oficinas e experiências artísticas, o público é convidado não apenas a observar, mas a participar ativamente da construção de sentidos, fortalecendo os vínculos entre arte, território e comunidade”, afirma.

VEJA MAIS

Mobilização em apoio ao Museu de Arte de Belém (Mabe) será realizada na Cidade Velha
Artistas e a sociedade civil promovem o ato “O Mabe pede socorro”, um manifesto com abaixo-assinado que cobra transparência na gestão e cuidados urgentes com o acervo do Museu de Arte de Belém

Economia circular: brechó de camisas de futebol cresce e atrai público fiel em Belém
Peças retrô e mais acessíveis impulsionam consumo entre torcedores na capital paraense

Roda de conversa reúne Jorge Eiró e Geraldo Teixeira em debate sobre a arte paraense
O encontro gratuito integra a programação paralela da exposição Trajetórias e propõe uma reflexão sobre a transição do modernismo para o cenário contemporâneo e o mercado de arte no Pará

As atividades começam às 10h com a apresentação “Histórias com a Água”, conduzida pela artista Ester Sá no espaço infantil localizado no térreo do CCBA. A programação conta com duas narrativas, entre elas “Netê Bekum e o Dilúvio”, história inspirada na cosmovisão do povo Huni Kuin sobre a grande inundação que transformou a vida na Terra.

Na narrativa, uma idosa ocupa o papel de protagonista e conduz o público por uma reflexão sobre os ciclos da natureza, o encantamento e o reencantamento do mundo. A proposta convida crianças e adultos a conhecerem diferentes formas de compreender a existência a partir dos saberes indígenas e da relação profunda entre floresta, água e vida.

“A história apresenta o olhar do povo Huni Kuin sobre o dilúvio e mostra como a presença das grandes águas transforma a vida. O público costuma ficar maravilhado e reflexivo ao perceber que existem outras maneiras de olhar o mundo. É uma oportunidade de se conectar com uma visão que vem da floresta e amplia nossa compreensão sobre a diversidade de cosmovisões”, destaca a artista.

Atriz, contadora de histórias, encenadora, escritora e cantora, Ester Sá é uma das principais referências da arte narrativa na Amazônia. Ao longo de sua trajetória, atuou em instituições como a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade da Amazônia (Unama) e a Fundação Cultural do Pará, além de dirigir espetáculos, festivais e projetos de formação voltados à valorização da cultura regional.

“As narrativas são ancestrais e carregam sentidos profundos sobre a existência. Sentar em roda, exercitar a escuta e deixar florescer o imaginário são experiências valiosas para viver em família. Os espaços culturais se tornam novos quintais de interação e afeto, ampliando repertórios e fortalecendo nossa comunicação com o outro”, acrescenta Ester.

Também às 10h, o público poderá participar de uma mediação especial na exposição “Meu tema sou eu”, conduzida por Vânia Leal e Emmanuel Nassar. O encontro será acompanhado por uma oficina de mosaico com materiais recicláveis, ministrada pela arte-educadora Isabela Miranda, promovendo uma experiência criativa que une arte, sustentabilidade e reaproveitamento de materiais.

A programação segue às 11h com a mediação da artista Nay Jinknss na exposição “A vida não é paisagem”, proporcionando ao público uma aproximação direta com as obras e os processos criativos presentes na mostra.