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Artistas paraenses expõem obras inspiradas na Amazônia em mostra em Los Angeles

O evento internacional destaca o impacto social da iniciativa voltada para a ampliação do acesso à leitura em comunidades ribeirinhas com obras das paraenses Renata Segtowick e Mama Quilla

O Liberal

A produção artística com origem na Região Norte integra a mostra internacional The Art of Access, sediada no Consulado-Geral do Brasil na cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos. A coletiva reúne criações das artistas paraenses Renata Segtowick e Mama Quilla, cujas propostas visuais tomam como referência elementos da cultura local, o hábito da leitura e as estruturas de bibliotecas comunitárias regionais.

A organização do evento é de responsabilidade do projeto Readers of the Amazon, em cooperação com a organização não governamental Vagalume. O foco da exibição consiste na apresentação de modelos reduzidos de bibliotecas decoradas por criadores brasileiros, que reproduzem as linhas arquitetônicas dos centros de leitura comunitários da localidade. Paralelamente à exibição das peças, o evento divulga o histórico e as transformações sociais decorrentes da ação, voltada à disseminação do livro em núcleos populacionais ribeirinhos da Amazônia.

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A coordenação curatorial e o planejamento do espaço expositivo foram assinados por Cris Barretto. O acervo, composto por itens cedidos voluntariamente pelos autores em suporte à causa, agrega composições de Renata Segtowick e Mama Quilla a trabalhos de nomes como Denilson Baniwa, João Lelo, Lu Otto, Luluta Alencar, Paulo Ito e Smael Vagner.

Na visão de Renata Segtowick, profissional da ilustração nativa do território amazônico, a inserção no circuito internacional configura um canal de difusão para o acervo cultural da área de origem. “A leitura sempre esteve presente na minha vida como ilustradora, não apenas como hábito pessoal, mas como fonte de imaginação. Quando recebi o convite para criar essa série de ilustrações para as bibliotecas do projeto, quis traduzir esse universo em imagens lúdicas que fossem ao mesmo tempo poéticas e acessíveis”, declarou.

 

A ilustradora pondera também a relevância da projeção de seus trabalhos no ambiente externo ao Brasil. “Para uma artista da Amazônia como eu, ter meu trabalho exposto em outros lugares significa levar a riqueza cultural da minha região para além da fronteira, trazendo atenção para os nossos temas, mas também chamando atenção para questões universais”, apontou.

Mama Quilla, também de origem paraense, associa o ato de ler a processos de interlocução e consolidação das identidades culturais. O histórico da artista inclui atuações diretas em campo junto à ONG Vagalume, espaço onde coordenou laboratórios práticos de artes visuais e intervenções de pintura coletiva nos espaços de leitura comunitários que recebem suporte da entidade.

“Falar sobre leitura também é falar sobre troca, conexão e ampliação de conhecimento. A Amazônia é um território extremamente potente culturalmente, com comunidades que produzem arte, saberes, histórias e tradições de forma muito rica”, avaliou.

 

A expositora complementou que a realização do evento na Califórnia estende a repercussão da temática abordada. “Poder levar esse diálogo sobre arte, leitura e cultura amazônica para outro país amplia a visibilidade sobre a potência criativa da Amazônia e sobre a importância de iniciativas que fortalecem esses intercâmbios culturais”, concluiu.

A exposição The Art of Access fica aberta ao público até o dia 5 de junho, de segunda a sexta-feira, das 9h às 13h, no Consulado-Geral do Brasil em Los Angeles.