Após encerrar maratona de Carnaval em SP e RJ, Milton Cunha vem para o Camarote Miltons em Belém
O renomado comentarista da TV Globo desembarca na Aldeia Amazônica nos dias 27 e 28 de fevereiro para celebrar carnaval paraense com a presença das vencedoras do Rainha das Rainhas 2026
O carisma e o conhecimento de Milton Cunha são destaques na cobertura do Carnaval 2026 da TV Globo anualmente, e em 2026 não foi diferente. O paraense é dono de um estilo único, que sempre contribui nas transmissões com comentários técnicos, mas cheios de emoção e entretenimento. Porém, seu domínio vai além do Carnaval; ele também é figura presente no Festival de Parintins, Natal Brasilidade, dentre outros.
“A cultura popular, ela é surpreendente porque ela expressa as urgências da população, do cotidiano, do dia a dia. O fio condutor é um ambiente vivido, a vizinhança, o imaginário daquele grupo; então eu vejo que escola de samba, boi e grupo de carimbó é o que dá para fazer, viver e experimentar. Você não tem as outras, então você faz, cria e expressa o teu. Então, essa ‘simplicidade’ extremamente sofisticada da narrativa dos valores do povo é o que está produzindo o discurso artístico. O povo se vira artista popular e dá nó em pingo d'água; ele vai fazendo, colocando e expressando. Com isso, você tem a cara daquela comunidade e daquele trabalho artístico; é também uma forma do periférico ocupar o centro, o espaço de poder que geralmente é do grupo privilegiado. Ele vai lá e coloca o boi dele, o carimbó e a escola de samba dele”, explica Milton.
Entre tantas formas de comunicação, o paraense usa a moda para se expressar. No Baile da Vogue deste ano, que teve o tema “Carnavália: O Abre Alas Fashionista da Folia!”, Milton Cunha e o marido, Vitor Moraes, surgiram caracterizados como o carnavalesco Joãosinho Trinta e o artista Jorge Lafond, respectivamente.
“Esses bailes da aristocracia apontam para roupa cara, fantasia de luxo, smoking... Só que, quando esse baile poderoso elege Carnavália, ele abre um flanco para a carnavalização da vida. Nesse sentido, quando eu passo em revista a história do samba, do Carnaval, me impressiona ‘Joãosinho Trinta - Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia’. Aliás, eu achava que ia ter gente vestida de mendigo lá, mas não tinha. A roupa que o João usa é a de gari; decido, então, eu ser o gari e meu companheiro ser o Lafond. Era uma dupla bem irreverente. Expor num baile de luxo a luta de classes, a invisibilização de grupos como o dos garis, isso é uma forma de você fazer pensar: por que que um gari não pode estar no Copacabana Palace? Uma profissão fundamental para o Carnaval porque, sem eles, nossa cidade explode, já que eles são imprescindíveis; e ainda tem o Gari Sorriso que dança na Sapucaí! Então, são tantas camadas, é um discurso tão poderoso que viraliza e está até hoje sendo repostado nas páginas. Tem mais é que usar esses espaços de poder para comunicar outros conteúdos”, pontua.
Milton Cunha é parte do Carnaval por todo o país, mas, para além disso, ele se tornou uma figura celebrada por onde passa. Sua sabedoria intelectual, cultural e generosa mostra que o pós-doutor é popular e uma das figuras mais amadas do Carnaval brasileiro.
Para celebrar a sua presença e posicionamento, pelo segundo ano consecutivo haverá o Camarote Miltons no Carnaval de Belém. O espaço temático VIP, criado pela Liga das Escolas de Samba Associadas (ESA), é inteiramente dedicado a homenagear a trajetória e a exuberância de Milton Cunha e realizar encontros.
Nos próximos dias 27 e 28 de fevereiro, na Aldeia Amazônica, antiga Aldeia Cabana, o paraense estará em Belém para assistir às apresentações das agremiações do Grupo Especial, literalmente de camarote.
“Olha, primeiro o que eu acho tão chique ser na Cabana! Acho um sambódromo tão lindo com aquele ovalado ali no centro onde passam as escolas e onde fica o meu camarote! É interessante pensar que eu saí de Belém para me tornar esse ícone da folia e, voltando com a ESA, eu abraço os meus irmãos sambistas e eu ajudo a visibilizar nacionalmente. Eu falei esta semana, no Encontro com Patrícia Poeta, que eu estou indo para o Carnaval de Belém! O glamour é o sambista, é a liga, e o poder do samba é o sambista. Então, eu me junto com eles, faço roda de samba, aplaudo, bato fotos... Isso tudo dá uma aura de nacionalização que é importante para o evento: ter essas imagens e participações para que cresça cada vez mais. Como é o camarote do Milton, isso inspira as pessoas, os influencers, os artistas, os sambistas a se enfeitarem, produzirem, fantasiarem e botarem blazer brilhoso, porque eu sou esse personagem enfeitado e colorido. ‘Se é do Milton, vamos produzir a nossa figura’”, enfatiza.
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Este ano, o camarote irá contar com presenças ilustres. A Rainha das Rainhas 2026 e as princesas irão prestigiar o espaço após parceria inédita entre o RR e a ESA. Layane Santos, representante do Guará Aqua Park, foi eleita a soberana do Carnaval paraense.
“O Rainha das Rainhas é uma lembrança da minha infância e juventude. Sou do tempo da Sheila Chady (1978 - Pará Clube), Nossa Senhora (risos)! O Rainha das Rainhas é ícone do Carnaval na Amazônia. Receber a vencedora é estar aplaudindo e fotografando; é junção de forças: eu, ela, os sambistas e a liga. O que que a gente quer? Fortalecer esse núcleo de alegria que o Pará tem de sobra. Quando a gente está lá dançando e celebrando, a gente está dizendo: ‘olha, nós somos um povo que sabe fazer a festa, a efeméride’, porque senão só sobra notícia ruim. A gente produz conteúdo positivo para poder mostrar que a gente é um povo bonito, feliz, dançante e cantante. A Rainha é fundamental, com a presença dela lá, linda! Acho que todas essas pessoas que são icônicas devem estar lá”, finaliza Milton Cunha.
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