A versatilidade de Rui Ricardo Diaz vai do auge de 'Impuros' à imersão no cinema amazônico
Entre as telas do cinema e a volta do policial Morello, o ator destaca o protagonismo do audiovisual feito fora do eixo tradicional
Rui Ricardo Diaz vive um dos períodos mais produtivos de sua trajetória em 2026. Com presença confirmada em produções que estreiam nos próximos meses, o ator transita entre o cinema e a televisão, interpretando personagens inseridos em contextos que vão da criminalidade urbana no Rio de Janeiro ao narcotráfico no Pará.
Embora o rosto de Diaz tenha ganhado destaque recentemente em diversas produções audiovisuais de alcance nacional e internacional, o calendário de lançamentos ainda reserva novidades. Além de atuar nos longas Anaconda e Cinco Tipos de Medo, o ator integra o elenco de Rio de Sangue e da nova temporada da série Impuros.
“Estou com esses dois filmes estreando agora em abril, que têm em comum o fato de não serem aqui do eixo Rio-São Paulo. Isso é uma coisa bastante especial. Gosto de filmar sempre, em todos os lugares, desde que você tenha um bom roteiro, um diretor que quer contar uma história, uma história que precisa ser contada, um personagem que é um desafio”, diz o artista.
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O ator destaca a conexão temática e a complexidade dramática de seus trabalhos mais recentes no cinema. Entre os destaques está “Cinco Tipos de Medo”, produção premiada no Festival de Gramado, e “Rio de Sangue”, gravado 100% no Pará, que chega ao circuito comercial de salas em todo o país. Ambos os projetos mesclam o gênero de ação com densas camadas de drama.
O thriller amazônico ambientado em Santarém, oeste paraense, será lançado no próximo dia 16. Na trama, ele vive o personagem Edenir, um indigenista que dificulta o trabalho ilegal dos garimpeiros no interior do Pará. O ator demonstra entusiasmo ao gravar em diferentes regiões do Brasil, valorizando a oportunidade de explorar e vivenciar diversas culturas locais diretamente nos cenários das produções.
“A região amazônica me instiga muito, a gente pode fazer todo tipo de cinema ali. Eu tenho filmado muito no eixo Rio-São Paulo. E, de repente, eu estou com dois filmes que estão estreando, que são fora do eixo, e, de repente, isso começar a acontecer também nessas outras regiões é muito especial. Para mim, independe até se é de gênero ou não, nesse caso era, e foi muito especial, muito legal, porque você tem um cenário deslumbrante, lindo, pronto, numa região surpreendente do país”, acrescenta.
No streaming, o ator retorna como um dos protagonistas da sexta temporada de “Impuros”, uma das séries brasileiras de maior repercussão internacional, com estreia confirmada para o dia 1º de maio de 2026.
“Essa série é um sucesso, isso indiscutivelmente é um sucesso. Uma série que chega na sexta temporada é, me parece, a série mais longeva do país. E é impressionante como ela se conecta com o público, como o público espera ansiosamente para assistir e assiste, como todo mundo assiste à série muito rápido. Um dia as pessoas terminam os dez episódios e ficam esperando a próxima temporada e cobram que a próxima temporada chegue logo (risos)”, avalia.
Na trama, Rui está desde o primeiro episódio; ele vive Victor Morello, um policial federal obsessivo, autodestrutivo e incorruptível no Rio de Janeiro dos anos 90. O antagonista caça Evandro do Dendê, mas, em paralelo, precisa lidar com o alcoolismo e dificuldades na criação da filha, Inês.
“O Morello, ele vai se afundando cada vez mais nos dramas pessoais, com a filha e essa gana, esse desejo, esse furor por capturar o Evandro. Essas são as molas propulsoras do Morello; é o que o movimenta, é o que faz ele agir. Acho que o segredo de manter o vigor como ator depois de tantos anos... primeiro é ter um material com tanta qualidade, assim como é o caso de Impuros. Os roteiros, as histórias, enfim, o material é muito bom. O personagem é um desafio e cada vez mais, a cada ano, é surpreendente como esse desafio se refaz ou aumenta. No geral, fica mais difícil, o que é muito estimulante, né? Muito estimulante”, explica.
Para o artista, Morello é definido por sua complexidade e profundidade, sendo construído através de múltiplas camadas emocionais. De acordo com o ator, uma das principais características é a ausência da divisão entre bem e mal. Em vez disso, os personagens carregam traços profundamente humanos e contraditórios, transitando entre o egoísmo, o afeto e o desejo de vingança.
No cenário do cinema mundial, após o lançamento de “Anaconda” no final de 2025, o ator iniciou o ano de 2026 filmando o longa “Amalia y El Diablo”, dirigido por Rodrigo Spagnuolo. A produção é uma colaboração internacional entre Espanha, Argentina, Uruguai e Brasil. Transitando entre o tráfico no Rio de Janeiro, o thriller no Pará e coproduções globais, Rui Ricardo Diaz vive uma fase de escolhas criteriosas, sempre em busca de roteiros que ofereçam novos e profundos desafios artísticos.
“O que me desafia é sempre alguma coisa que me interessa fazer, personagens que são desafiadores, que são dramáticos, que são complexos, histórias que precisam ser contadas, diretores e roteiristas que querem muito fazer um filme e contar aquela história, têm uma história de fato para contar, e a atualidade dessas histórias, o quanto essas histórias, o quanto esses personagens dialogam com o momento atual do nosso país e do mundo, o quanto a gente pode construir uma obra de arte que seja uma aldeia para o mundo, ou aldeia do mundo, onde ali, naquele cantinho, pode acontecer qualquer coisa que represente o mundo inteiro, que universalize aquela história. O desafio é sempre empolgante, sempre me atrai”, finaliza o ator.
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