Adriano Barroso lança livro infanto-juvenil e resgata imaginário indígena sobre criação do mundo

O livro 'Eras de Ti' vai ser lançado na sexta-feira, às 19h, na Na Figueredo

Amanda Martins

O imaginário amazônico sobre a criação do mundo e a origem da civilização são os temas que permeiam a nova obra do ator e escritor paraense Adriano Barroso. Intitulado como "Eras de Ti", o livro, voltado para público infanto-juvenil, será lançado na próxima sexta-feira, 24, às 19h, no espaço Na Figueredo, no bairro de Nazaré, em Belém. O evento, aberto ao público, também será marcada por apresentações de Allan Carvalho, Patrícia Lia e Monalisa da Paz. O trio trará um repertório de cantigas infantis do imaginário indígena e da cultura popular brasileira. 

Com ilustrações do cartunista Waldez Duarte, natural de Acará, a obra mergulha nas profundezas do imaginário amazônico, recontando as narrativas sobre a criação do sol, da lua, das estrelas e de todos os sentimentos humanos, frutos da imaginação de uma mulher criadora. 

"O livro é uma novela que conta a história da Vó do Mundo e sua necessidade de criação. Uma novela de fabulação cosmogônica contada de forma divertida para explicar como tudo nasceu. Indicado para crianças, jovens e adultos que se permitem rir, imaginar e tirar da memória novas histórias contadas por nossos avós em noites sem lua", explicou o autor. 

Conhecido por sua vasta experiência artística como ator, dramaturgo, escritor, roteirista e diretor teatral, Adriano, dedicou-se por anos à pesquisa de histórias e mitos da Amazônia. Todo esse esforço resultou na criação, livro que chega agora às mãos dos leitores. 

"Durante algum tempo fui professor de jovens e adultos que ainda não tinham se alfabetizado, e nesses municípios, após as aulas, não raro, nos reunimos para contar histórias. Eu ficava curioso e passei a gravar, transcrever e utilizando em outros municípios para mostrar a potência e a importância da oralidade", relembrou Adriano sobre a inspiração para escrever as histórias. 

"Em minha sala, havia muitas redes, com mães de todas as idades embalando e dando de mamar a seus filhos. Essa imagem foi disparadora para criar esse livro", acrescentou o escritor. 
Adriano disse ter usado de sua condição de ator para observar essa temática. Com trinta anos de carreira nos palcos e cinemas, escrevendo roteiros e documentários também, sempre buscou realizar uma produção artística voltada para a Amazônia. 

"Agora, em meu doutorado, estou navegando novamente sobre essas águas da Amazônia, falando de um teatro com estética do homem amazônida, ou seja, meu quintal sempre me interessou e é dele que falo e de quem eu falo", acrescentou.

CELEBRAÇÃO DA CULTURA AMAZÔNICA

Barroso enfatizou a importância de valorizar as histórias e tradições de sua gente. Vale ressaltar que oralidade é uma das formas mais utilizadas na Amazônia para se transmitir histórias. 

"Há muito aprendizado ouvindo nossos antepassados. Por isso decidi contar essas histórias. Quero realizar o sonho de tirar nossas crianças da tela do celular e propô-las olhar ao redor, recontar nossa gente", disse o escritor. 

Para atrair a atenção dos leitores mirins, ele utiliza uma linguagem ágil e bem-humorada, com frases curtas e parágrafos pequenos. A obra recria um clima de inventividade juvenil, partindo desde a criação do mundo até a descoberta de novos elementos, como um presente do tatu para os humanos. 

Todo esforça para conscientizar o público infantil é porque o autor diz acreditar no poder das crianças para salvar o mundo. "Mas para isso precisamos nos educar também. O livro é para as crianças de até 100 anos, gente que não perdeu a poesia da vida. Gente que entende sua cultura, aceita e passa adiante", declarou. 

Adriano explicou que o título do livro tem um significado profundo e pessoal. “‘Eras de Ti’ é uma interjeição muito utilizada em alguns municípios do Pará. Tem a mesma conotação de ‘Égua de ti’, mas é mais utilizada na capital, para expressar espanto ou ideias controversas. Mas ‘Eras de Ti’ também pode significar o tempo, as eras vivida, o entendimento de onde viemos, que determinará para onde vamos, um futuro ancestral”, complementou.

O escritor disse estar com boas respectivamente para o lançamento. “Todo filho que nasce temos sempre as melhores expectativas, não é? Desejo ser lido e comentado, naturalmente”, afirmou. 

Esse é o terceiro livro de Adriano. Ele também é autor de ‘A Farsa do Boi ou o Desejo de Catirina’, lançado em 2004; ‘Ato – A Paixão Segundo o Gruta’, em 2017; e os dois e-books ‘Passagem do Arame’ e ‘O Dia que Meu Pai Perdeu o Medo da Vida’". 

Sobre a colaboração com Waldez Duarte, Barroso elogiou a genialidade do cartunista. “Ele trouxe suas vivências de caboclo do Acará, do menino que nunca deixou de ser. Ele elevou realmente o livro à décima potência. As ilustrações, por si só, já contam as histórias e o melhor, não fecham o universo imaginativo de quem o lê em uma imagem. Ele consegue fazer o leitor partir da imagem e criar ainda mais seus próprios mundos”, afirmou. 

 

 

 

 

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