RODOLFO MARQUES

RODOLFO MARQUES

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público.

Eleições presidenciais 2026: Quaest expõe eleição travada por rejeições e teto baixo da oposição

Rodolfo Marques

A última pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (11), reforça uma impressão que começa a se cristalizar na corrida presidencial: não será uma eleição decidida pelos atributos dos candidatos, mas pela aversão dos brasileiros a eles. O levantamento entrevistou 2.004 eleitores no estado entre os dias 5 e 9 de fevereiro e tem margem de erro de 2 pontos percentuais.

No centro do levantamento está o fato de que tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto o senador Flávio Bolsonaro (PL), os principais nomes da disputa, lideram os índices de rejeição entre os eleitores. Lula aparece com 54% de rejeição, índice praticamente igual ao de Flávio, que tem 55% de eleitores que dizem que não votariam nele de jeito nenhum.

O crescimento de Flávio Bolsonaro tem surpreendido, mas há limites evidentes. O senador carioca tem avançado nas intenções de voto e se consolidado como principal nome da direita, já absorvendo praticamente todos os votos de seu pai, encurtando a distância para Lula, que mantém vantagem no momento.

O “teto baixo” de Flávio Bolsonaro expõe um limite estrutural à sua candidatura: embora tenha espaço para crescer entre bolsonaristas fiéis e parte do eleitorado de direita, encontra resistência significativa fora desse núcleo, sobretudo entre eleitores que rejeitam o bolsonarismo em sua versão mais ideológica e conflituosa. Trata-se de um potencial de expansão restrito, condicionado à capacidade de furar essa “bolha” sem perder identidade.

Já Lula mantém a liderança nos cenários de primeiro e segundo turno. Em certo sentido, verifica-se uma base sólida e historicamente consolidada. Sob outra perspectiva, a rejeição elevada funciona como freio, dificultando uma ampliação mais confortável de sua margem.

Além disso, a avaliação do governo demonstra resiliência na desaprovação, com mais brasileiros desaprovando a gestão do que aprovando, ainda que dentro da margem de erro. Ou seja: Lula mantém o favoritismo no voto porque é o menos rejeitado entre as alternativas competitivas – e não porque é amplamente celebrado pelos eleitores.

O que a Quaest mostra hoje é que não existe candidato com “teto” confortável para ganhar sozinho. A direita vive um dilema: pode se consolidar em torno de Flávio Bolsonaro, mas paga o preço da alta rejeição do bolsonarismo dentro do eleitorado moderado. Para Lula, o desafio é converter a liderança em votos efetivos em outubro sem abrir espaço para o antipetismo que também cresce no país.

Com o início mais efetivo da campanha, nos próximos meses, a aposta do governo é dupla: intensificar as entregas na área social, buscando consolidar apoio junto ao eleitorado de menor renda, e, paralelamente, investir na desconstrução da imagem Flávio Bolsonaro, em uma estratégia que combina agenda positiva e enfrentamento direto do principal adversário no campo político.

Assim, 2026 começa a assumir o perfil de uma eleição movida mais pela rejeição do que pelo entusiasmo: nos próximos meses, os candidatos tendem a disputar menos corações e mais a condição de “menos pior” aos olhos do eleitor. Nesse cenário, pode levar vantagem quem conseguir sustentar um desempenho sólido e pouco volátil nas pesquisas.

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