CONTINUE EM OLIBERAL.COM
X

RODOLFO MARQUES

RODOLFO MARQUES

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público.

Nove meses antes do voto, Lula mantém vantagem em cenário ainda indefinido

Rodolfo Marques

A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest confirma que, a nove meses das eleições presidenciais, o cenário nacional segue marcado mais pela estabilidade do que por grandes reviravoltas. O presidente Lula (PT-SP) aparece novamente na liderança em todos os cenários testados, com variações percentuais dentro de margens relativamente previsíveis para este estágio do calendário eleitoral. Trata-se de um quadro típico de pré-campanha, no qual o eleitorado ainda observa, compara e aguarda definições mais claras do campo oposicionista.

No cenário atual, Lula lidera com 35% das intenções de voto, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se consolida como principal nome da oposição, com 26%, enquanto que o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD-PR) aparece com apenas 9%. No cenário com a entrada do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Lula mantém a dianteira (36%), Flávio cai para 23%, e Tarcísio surge com 9%. Os números mostram que a oposição ainda não encontrou um nome capaz de reduzir de forma consistente a vantagem do presidente, unificando, eventualmente, os votos. A divisão eleitoral na direita beneficia o governo, em especial se o enfrentamento principal se der contra Flávio Bolsonaro.

Quando a análise avança para o segundo turno, a vantagem de Lula se mantém contra todos os adversários testados. As diferenças variam de cinco pontos percentuais, no embate mais competitivo, contra Tarcísio, até cerca de vinte pontos em cenários com nomes menos conhecidos nacionalmente. Contra Flávio Bolsonaro e Ratinho Júnior, o presidente venceria com uma margem de sete pontos percentuais, o que indica um favoritismo real, embora longe de ser irreversível.

Um dado relevante da pesquisa diz respeito à rejeição ao sobrenome Bolsonaro – algo que parece consolidado. Segundo os dados, para 43% dos entrevistados, um candidato de oposição fora da família teria mais chances de derrotar Lula, enquanto apenas 34% acreditam que alguém com o sobrenome Bolsonaro conseguiria vencer o presidente.

A respeito da avaliação do governo federal, a pesquisa revela um quadro de estabilidade relativa: 47% dos brasileiros aprovam a gestão de Lula, enquanto 49% a desaprovam, patamar que se mantém praticamente estável em relação a rodadas anteriores e indica um eleitorado no limite da avaliação positiva e negativa. Esses números mostram que o governo ainda conserva base de apoio considerável, embora enfrente desafios de percepção pública em diversas regiões e grupos sociais. Esse índice também é importante preditor eleitoral, considerando-se o contexto dos últimos pleitos presidenciais.

O desenho pré-eleitoral é muito parecido com o ambiente de 2022, em que o candidato vencedor deve ter uma pequena margem a seu favor. A diferença é que, desta vez, o bloco situacionista, liderado por Lula, “larga” com vantagens significativas. Em 2022, A rejeição a Bolsonaro era proibitiva, muito vinculado à gestão desastrosa de seu governo, no geral, além dos problemas econômicos e do enfrentamento da pandemia.

Como incumbente, Lula se beneficia não apenas da visibilidade do cargo, mas também da expectativa em torno de medidas com potencial impacto direto no bolso do eleitor nos próximos meses, como as mudanças na cobrança do Imposto de Renda para determinados grupos, a redução de custos para a emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e outras políticas públicas. Se essas iniciativas forem bem percebidas, a tendência é de leve alta na aprovação, reforçando o favoritismo da candidatura governista.

A nove meses do pleito, Lula segue favorito, mas o jogo está longe de encerrado. A grande questão que se impõe agora é se a oposição encontrará um nome competitivo e uma narrativa capaz de transformar estabilidade em confiança real — ou se a continuidade ainda será preferida pelo eleitorado brasileiro.

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Rodolfo Marques
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM RODOLFO MARQUES