Embora imortal, a Alma pode ser corruptível , conforme a filosofia de Jesus Océlio de Morais 03.02.26 9h00 Um dos temas fascinantes da filosofia antiga, notadamente no mundo grego, era a imortalidade da alma, a qual era compreendida como “o princípio da vida individual, sede da personalidade, da vontade dos afetos, das emoções ou dos sentimentos". Essa concepção pode ser refletida a partir da leitura da obra “Fédon – A imortalidade da alma”, de Platão, onde também refere-se ao Espírito como a essência eterna do ser humano, porque “é o ordenador e causa de todas as coisas”, cuja função é a busca da felicidade com base verdade e da felicidade, que se alcança quando se desprende das necessidades corpóreas (físicas). Abro um breve parêntesis: recorde-se, o leitor, que, em Fédon, Platão narra o último dia de vida de seu mestre, o filósofo Sócrates, que havia sido condenado a beber cicuta, sob a acusação de subverter a juventude e de negar a divindade da da cidade e de introduzir novas divindades. Mesmo sem comprovação das acusações, Sócrates foi condenado pelo tribunal ateniense em 399 a.C., sob o comando de seus algozes no tribunal: Anito (um influente líder político), Meleto (um jovem poeta que, mesmo sem conhecer Sócrates, assinou a petição de acusação) e Lícon (orador representante do grupo dos oradores retóricos). Em Fédon, Sócrates dialoga com discípulos sobre a virtude da justiça, a imortalidade da alma, a sua ligação com o corpo e sua e a libertação dele. Fecho o parêntesis. Jesus também fala da imortalidade da alma, mas numa perspectiva filosófica e teológica diferente daquela encontrada em Fédon. A percepção e visão filosófica de Jesus, conforme relatos evangélicos, sobre Alma e Espírito, baseia-se numa distinção fundamental entre vida humana e princípio divino. Alma humana é apresentada como a referência ou núcleo central da existência pessoal, animando a vida corpórea em busca da verdade libertadora, daí a sua natureza imortal, como pode ser constatado no Evangelho segundo Mateus 10,2: “Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a aAma como o corpo.” Por seu turno, Platão via a alma como princípio racional e imortal, devido à dualidade entre o mundo sensível (a matéria) e o mundo inteligível (que era o mundo das ideias ou mundo externo), sendo que a Alma – por ser do plano intangível e incorruptível – era a própria essência divina do ser humano. Observemos bem – na perspectiva teológica de Jesus – que a eternidade da Alma não significa santidade angélica, por isso, a imortalidade não a torna isenta de “perecer no inferno”. Assim, diferentemente de Platão, o sentido filosófico, aqui, é que a Alma é corruptível. ou seja, a Alma imortal (passível de padecer no inferno) também pode ser corrompida. – visão que é complementada em Marcos (8:3), Mateus (16:26) e Lucas ( 9:25): “Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou o que o homem poderá dar em troca da sua Alma?" A perspectiva filosófica é a de que a Alma tem por fortaleza as virtudes como riquezas espirituais, pois, de outro lado, as mesquinhas e corrompidas conquistas materiais levam à perda da Alma, e, por isso, vem a consequência: a Alma corruptível vai “padecer no inferno” como espécie de purgação e reparação do desvio da sua essência.. Com oposição àqueles que consideram que a vida corpórea é apenas uma condição humana, que cumpre o ciclo natural (nascer, crescer, envelhecer e morrer, e nada mais além disso existe), a teologia de Jesus sustenta interligação entre corpo e Espírito, conforme narrado em 1 Coríntios: 16-20: – “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? E, ainda, em Eclesiastes (12:7): "E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu", Na filosofia da revelação de Jesus, o Espírito – diferente da Alma – é um princípio de Deus, portanto, é a essência superior da natureza humana, aquele que transcende a matéria, afirmação que é encontrada em João (3,6): “O que é nascido da carne é carne; o que é nascido do Espírito é espírito.” O que vemos aqui é que a pessoa humana holisticamente é matéria perecível pela simples condição biológica, representada pelo corpo; a Alma imortal (o princípio racional vida humana, intangível, mas corruptível ) e o Espírito (o princípio que advém de Deus, por isso, é a aquela inerente capacidade que o ser humano tem de entrar em comunhão com Deus). Isso faz todo sentido, à medida que Jesus apresentou-se com essa completude: corpo, Alma e Espírito. O exemplo cabal foi o momento crucial (e extraordinariamente divino de Jesus no último suspiro humano, na cruz lá no Monte Gólgota, naquela sexta-feira do ano 33 da tradição cristã: Fisicamente agonizante, disse Jesus: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito.” (Lucas 23,46). O espírito de Jesus despede-se do corpo, sendo entregue ao Criador. Podemos concluir assim: a Alma é corruptível porque é ligada à vida individual do ser humano, enquanto que o Espírito – como Aquele nasce de Deus – tem por princípio compulsório voltar do Senhor dos Mundos ao final da vida corpórea. Se , nas perspectivas filosófica e teológica, esta pensata fez algum sentido para você, deixou-lhe a última mensagem-advertência de jesus para os especiais com o corpo e com o Espírito: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mateus: 26, 41). ATENÇÃO: Em observância à Lei 9.610/98, todas as crônicas, artigos e ensaios desta coluna podem ser utilizados para fins estritamente acadêmicos, desde que citado o autor, na seguinte forma: MORAIS, O.J.C.; Instagram Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞 Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱 Palavras-chave colunas océlio de morais COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA Océlio de Morais . Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo! Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é. Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos. Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado! 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