A filosofia da alegria e da renovação Océlio de Morais 28.01.26 13h32 Adota-se a seguinte tese para este breve ensaio filosófico-teológico: o poder da Boa Nova, Jesus, é específica filosofia da alegria à existência, que é o sentido finalístico espiritual da imortalidade àqueles que têm fé em Deus. A filosofia da alegria é a própria estrutura construtiva do poder Divino da Boa Nova. E como hipóteses, definem as duas a seguir: Se a filosofia da alegria liberta da ignorância, porque aquela é o próprio Jesus, pode-se afirmar que essa filosofia não é meramente emocional, mas, verdadeiramente um princípio teleológico essencial para a felicidade humana – possível de se alcançar pela fé em Deus, a fonte perene da plena realização espiritual. Se Jesus é a própria Boa Nova (a nova filosofia da alegria ou da felicidade), é coerente afirmar que a fé é a questão central (ou conexão ontológica) entre a vida corpórea e a imortalidade espiritual. Em quantas e tantas vezes já expressamos o seguinte pensamento: minha filosofia é a felicidade! Pode-se dizer que, por certa medida, está alinhada aos alinhada com os princípios do estoicismo consciente – sabedoria (prudência), justiça (ser justo), coragem (fortaleza) e temperança (autocontrole) – porque são princípios inerentes à excelência moral e à tranquilidade de Alma. Portanto, à falta de vivência concreta desses princípios sem sentido (inócua e vazia) seria a frase a “minha filosofia é a felicidade! Faz-se a referência aos princípios do estoicismo para também lembrar que esses princípios foram muito presentes no pensamento e na vida dos filósofos Sócrates e Platão e, por grande medida, no pensamento filosófico e teológico de Jesus, embora a filosofia de Jesus seja transcendente à vida terrena, eis que se apresenta atemporalmente como ascese à vida espiritual eterna. Vamos ver algumas dessas perspectivas diferentes . “Sócrates e Platão acreditavam na imortalidade para pelo menos alguns seres humanos, mas a ressurreição corpórea não tinha lugar nessa crença”, escreveu Paul K. Moser na introdução do livro “Jesus e a Filosofia” , ao ressalvar que, na concepção dos dois filósofos gregos, “a redenção corpórea não deve ser confundida com a ressurreição de um morto ou com a imortalidade”, (210, p. 15). Contrariamente, em relação à concepção socrática e platônica, a mensagem filosófica e teológica de Jesus modifica o pensamento exclusivista de que a imortalidade alcança apenas alguns seres humanos. Com o nascimento de Jesus, desde as profecias – onde é indicado como o Messias e o salvador, até a sua morte e ressurreição – o sentido da vida plena modificou: a crença sobre a vida deixa de ser meramente física (ou corpórea) e ganha a dimensão espiritual. E isso acontece por toda a concepção do projeto salvífico na pessoa de Jesus Cristo, que incluiu aquilo que a filosofia e a teologia da religião cristã denominam de “morte obediente de Jesus” para a redenção dos pecados da humanidade e para a necessária reconciliação entre o Ser humano e Deus, o Criador. É o que Paulo K. Moser explica como sendo a filosofia do “poder da Boa Nova”, apregoada por Jesus e por Paulo de Tarso; “(...) à luz da teologia das profecias hebraicas antigas (...) promoveram um movimento do poder da Boa Nova, que ofereceu às pessoas o poder da redenção espiritual, moral e até corpórea de Deus” (...) e a ressurreição completa incluía, assim, a encarnação”, (2010, p. 11-12). Observemos que, na filosofia de Jesus – e muito mais do que o seu pensamento filosófico e teológico – o sentido da sua vida é extra-humano, não obstante a sua breve experiência humana. A sua filosofia para a vida – vamos entendê-la aqui como a ressignificação daquilo que era para aquilo que promete ser sublime, nobre e extraordinário na espiritualidade com Deus – é baseada na Boa Nova, assim anunciada pelo evangelistas Lucas e Marcos: No relato de Lucas (2:10-11): "O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. Jesus é a própria Boa Nova, aquele que vai além do paradigma do sentido da vida judaico anterior (santificar a vida individual e coletiva), honrando-se a aliança como povo escolhido, mas com foco na vida terrena. Como “Boa Nova”, Jesus é a promessa “alegria” (..) para todo o povo”, ou seja, é a felicidade transcendente como Messias libertador do povo das escravidões. E por Lucas (4:18-19): “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração; para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor”. A filosofia da alegria baseia-se na eliminação ou na cura dos “contritos de coração” – ontologicamente inerente aos cegos e pobres espiritualmente – o que significa a libertação das escravidões terrenas e na consequente restauração da vista, a filosofia da imortalidade espiritual. E conforme Marcos, 1:15: “Enfim chegou o tempo prometido!', proclamava. 'O reino de Deus está próximo! Arrependam-se e creiam nas boas-novas!' A verdade filosofia nunca é única e inquestionável, nessa perspectiva espiritualista: o Reino de Deus é específico aos que acreditam (têm fé) em Jesus como Boa Nova; portanto, é disponível àqueles que aceitaram o desafio do novo sentido de vida, através do arrependimento (a conversão) da mentalidade aprisionada (ou cegueira e pobreza anteriores) para abraçar a vida nova (a filosofia da alegria, que é o poder espiritual da Boa Nova, o Messias = o Salvador = Jesus). Concretamente, esse caráter sublime, nobre e extraordinário na espiritualidade com Deus – Jesus é o caminho, a porta, a porta dessa conexão – na prática da vida cotidiana aponta para a natureza ético-moral nas relações humanas, para o poder espiritual da redenção espiritual, para a reconciliação e à comunhão dos homens com Deus, conforme relatado por Marcos (8:31-32). A filosofia central desta mensagem de Jesus permite concluir assim esse breve ensaio filosófico-teológico: o Reino de Deus é a Boa Nova, o próprio Jesus, o Salvador, que é a excelsa notícia prometida e esperada: aquele que veio para sarar os contritos de coração; libertar os cegos e pobres dos vícios e pecados escravizantes, e para ressignificar a vida terrena com alegria, transcendendo-a pela promessa (espiritual) de vida eterna. Então, a vida nova ou vida eterna é o sentido da imortalidade espiritual. É essa filosofia da renovação transformadora espiritualmente que vai além dos princípios do estoicismo, embora deles não prescinda, porque a conversão transformadora exige sabedoria para viver concretamente na prática da justiça com atributos da coragem e da temperança. ATENÇÃO: Em observância à Lei 9.610/98, todas as crônicas, artigos e ensaios desta coluna podem ser utilizados para fins estritamente acadêmicos, desde que citado o autor, na seguinte forma: MORAIS, O.J.C.; Instagram Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞 Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱 Palavras-chave colunas océlio de morais COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA Océlio de Morais . Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo! Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é. Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos. Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado! ÚLTIMAS EM OCÉLIO DE MORAIS Océlio de Morais Assim eles morreram, pelas virtudes 03.03.26 9h03 Océlio de Morais A ética é uma espécie de código de barras de cada indivíduo 17.02.26 8h00 Océlio de Morais Embora imortal, a Alma pode ser corruptível , conforme a filosofia de Jesus 03.02.26 9h00 Océlio de Morais A filosofia da alegria e da renovação 28.01.26 13h32