O.J.C. MORAIS

OCÉLIO DE JESÚS C. MORAIS

PhD em Direitos Humanos e Democracia pelo IGC da Faculdade de Direito Coimbra; Doutor em Direito Social (PUC/SP) e Mestre em Direito Constitucional (UFPA); Idealizador-fundador e 1º presidente da Academia Brasileira de Direito da Seguridade Social (Cad. 01); Acadêmico perpétuo da Academia Paraense de Letras (Cad. 08), da Academia Paraense de Letras Jurídicas (Cad. 18) e da Academia Paranaense de Jornalismo (Cad. 29) e escritor amazônida. Contato com o escritor pelo Instagram: @oceliojcmorais.escritor

A ética é uma espécie de código de barras de cada indivíduo

Océlio de Morais

Todos sabem: o código de barras, com seus dados gráficos, é um “scanners óptico”,, útil para codificar números ou letras para identificação automática de produtos e informações.  A ética é uma espécie de código de barras.  Os “scanners ópticos” da ética são os valores e princípios que a pessoa humana escolhe aos objetivos e à direção de sua vida. O “scanners óptico” identifica o produto e o preço. A ética identifica o caráter da pessoa e a honorabilidade que ela pode ser conferida. 

 Jesus foi o maior e mais importante filósofo da ética do cotidiano de seu tempo.  Suas  metáforas e parábolas explodiram conceitos éticos-morais que respingaram para todos os lados,   atravessaram a história do tempo e dividiram o sentido ético nas relações humanas – relações marcadas pelas contradições que consequências das escolhas vão apresentando.

Jesus conhecia como ninguém a dubiedade humana e, provavelmente, essa foi uma das razões para ter colocado o amor lá no topo da pirâmide ética cotidiana. O amor é a métrica como sentido da vida plena, corpórea e espiritual 

O amor como filosofia de vida – ou como mandamento, mesmo na perspectiva teológica – é a referência prática, algo palpável e possível de viver: "Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei". Lembram-se deste mandamento, que é narrado por João (15:12), o qual tem por expressão sincera,   viver com ética e doar-se pelo bem dos outros.

Esse sentido ético do amor (que tem como paradigma o próprio Jesus filósofo, Jesus teológico, Jesus Messias, Jesus o Filho de Deus), no entanto,  enfrenta os mais variados desafios, os quais testam a resistência dos valores éticos de cada um.

São desafios que tornam a natureza humana vulnerável aos vícios e  às fissuras éticas e morais – várias delas são tão feias e graves, que o próprio Jesus não hesitou em expô-las ao dirigir-se aos homens corruptos de seu tempo: 

– "Raça de víboras, como podeis falar coisas boas, sendo maus? Pois a boca fala do que está cheio o coração." (Mateus,  23,27-32):  

— “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Sois semelhantes aos sepulcros caiados: por fora parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos, de cadáveres e de toda espécie de podridão. Assim também vós: por fora pareceis justos aos olhos dos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade. (Mateus, 27-28).

Quem mais genial e didático do que Jesus procuraria explicar o fenômeno das coisas e a filosofia da vida humana com os elementos que são componentes da própria vida –   víbora, sepulcros, semente de mostarda, pescador de homens e almas, bom samaritano, pastor de velhos – senão o próprio?  Por isso, sua filosofia é a representação mais pura ética do cotidiano.  Por isso, ele mudou o sentido ético de seu tempo com valores e princípios que avançaram e avançaram aos tempos atuais. 

As duas metáforas filosofias (raça de víboras e sepulcros caiados) realçam – e podem observar isso com bastante honestidade – aqueles dois lados bem escusos e inescrupulosos da natureza humana: a víbora representa a natureza ardilosa, traiçoeira e venenosa da prepotência humana, que sempre está à espreita para capturar a presa.  Se formos bons observadores da conduta humana, facilmente diversas víboras serão identificáveis! 

O sepulcro caiado representa a hipocrisia e a falsidade. Tudo é bonito e reluzente nas aparências e para o distinto público.  Tudo é destacado para ser tido como o melhor dos melhores – o paradigma desta e para as novas gerações – não importando os meios que foram utilizados para isso, tampouco sendo relevante se a mente pensante daquela concepção é desonesta ou se tem as mãos contaminadas pelo enxofre da corrupção. 

É como cirurgicamente disse Jesus: “(...) de toda espécie de podridão. Assim também vós: por fora pareceis justos aos olhos dos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.”

Ser comparado a uma víbora, ainda nos dias de hoje, é o que pode ser de mais terrível, porque a serpente é o símbolo da morte e das trevas, por atacar traiçoeiramente com o  seu veneno é letal.  

Logo, a metáfora adverte para a ameaça constante do perigo que as vozes das sombras podem estimular e levar à corrupção das  virtudes, por isso, a primeira resistência à corrupção está na honestidade recíproca:  

– "Tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós" – (Mateus, 7:12): O pensamento de Jesus é bem claro: condena diretamente a corrupção e a injustiça, ao mesmo tempo, em que promove a ética, pois a exige coerência honesta: se desejamos  a justiça, devemos ser justos. Nesta lição filosófica de Jesus, o magistrado honesto é o homem justo, que não integra a “raça de víboras”, que não é um “sepulcro caiado” e que não é uma “erva daninha” (joio) corrosivo da ética. 

A ética de Jesus – Ele esteve aqui para contribuir para a evolução ética-moral e espiritual da humanidade – adverte que o bem e o mal coexistem nas pessoas, justamente porque a natureza “víbora” (vingança, traição, perseguição), aliada à natureza hipócrita (aparências e fingimentos inescrupulosos), querem o domínio das coisas e do semelhante, não importando o massacre da dignidade alheia. 

Essa ideia filosófica da coexistência do bem e do mal nas pessoas é encontrada na parábola do joio e do trigo (Mateus, 13:24-30):

– “O Reino dos céus é como um homem que semeou boa semente em seu campo. Mas enquanto todos dormiam, veio o seu inimigo e semeou o joio no meio do trigo e se foi. Quando o trigo brotou e formou espigas, o joio também apareceu. "Os servos do dono do campo dirigiram-se a ele e disseram: 'O senhor não semeou boa semente em seu campo? Então, de onde veio o joio?' " 'Um inimigo fez isso', respondeu ele. (...)”.

Observemos bem: com o trigo, faz-se diversas iguarias alimentícias. Por isso, ele é bom e faz bem!  Da família  da família das gramíneas, o  joio  – embora se assemelhe ao trigo – é uma planta daninha. Ele não serve, porque produz sementes tóxicas.

Veja-se a objetividade do pensamento filosófico de Jesus: o corrupto é uma víbora; a pessoa corrupta é um sepulcro causado; o corrupto é uma erva daninha. E  diante de tudo isso, Jesus transforma a ética em vida prática. E assim o fez, porque viveu simples e humildade, dando exemplo de coerência do pensava, pregava e viveu.

Talvez – digo talvez porque cada um precisa dominar suas víboras, expurgar joios e limpar seus sepulcros – um dos sentidos práticos dessas metáforas e parábolas filosóficas de Jesus na vida de cada um é saber sobre a disposição aberta para abraçar e viver a ética cotidiana apregoada por Jesus.

Fica a pergunta final como sugestão reflexiva: quais os dados éticos do nosso scanners óptico? E a filosofia de Jesus faz algum sentido para você?

ATENÇÃO: Em  observância à Lei  9.610/98, todas as crônicas, artigos e ensaios desta coluna podem ser utilizados para fins estritamente acadêmicos, desde que citado o autor, na seguinte forma: MORAIS, O.J.C.;  Instagram

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