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Por Marco Antônio Moreira

Coluna assinada pelo presidente da Associação dos Críticos de Cinema do Pará (ACCPA), membro-fundador da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE) e membro da Academia Paraense de Ciências (APC). Doutor em Artes pelo PPGARTES/UFPA; Mestre em Artes pela UFPA. Professor de Cinema em várias instituições de ensino, coordenador-geral do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC), crítico de cinema e pesquisador.

O talento de Sidney Poitier e Peter Bogdanovich

Marco Antonio Moreira

O cinema é uma arte que evolui por meio de diversos artistas que, muitas vezes, são inesquecíveis pelo talento revelado em vários filmes. Por essa razão, entre outras, é necessário lamentar quando sabemos da partida de personalidades importantes para o cinema. No início deste ano foi anunciado o falecimento do ator Sidney Poitier, 94 anos, e do diretor Peter Bogdanovich, 82 anos. Inspirado pelo título de um texto de Luzia Álvares sobre esta notícia é perceptível que um tempo está partindo com a perda de talentos admiráveis como Poitier e Bogdanovich.

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Sidney Poitier iniciou sua carreira no cinema, no final dos anos 1940, após diversos testes em uma companhia de teatro americana. Poitier teve sua primeira grande oportunidade com Sementes de Violência (1955) de Richard Brooks e, a partir do sucesso de crítica e público deste filme, participou de produções que fortaleceram seu desempenho como ator em mundo cinematográfico restrito para atores negros. Entre os filmes que ele fez nos anos 1950 é necessário destacar Acorrentados (1958) de Stanley Kramer em que ele e o ator Tony Curtis interpretam dois prisioneiros que se odeiam e tem que se tolerar durante uma fuga em que eles estão acorrentados. Outro filme admirável deste período é o drama musical Porgy e Bess (1959) de Otto Preminger.  baseado na ópera de DuBose Heyward (letras) e George Gershwin (música).

Nos anos 1960, Poitier esteve em evidência em produções como O Sol Tornará a Brilhar (1961), Paris Vive à Noite (1961) e Uma Voz nas Sombras (1963), filme que venceu o Oscar de melhor ator e tornou-se o primeiro ator negro a ganhar este prêmio interpretando um operário desempregado que encontra um grupo de freiras missionárias alemãs que acredita que ele foi enviado por Deus para ajudá-las a construir uma capela no local. No final dos anos 1960, ele realizou Ao Mestre com Carinho (1966) de James Clavell, certamente, um de seus maiores sucessos de bilheteria, interpretando um engenheiro que decide lecionar em uma escola onde se encontra com um grupo de alunos rebeldes e consegue conquistar o respeito e a confiança de todos.

Outros filmes importantes de sua carreira como ator nos anos 1960 são A Maior História de Todos os Tempos (1965) de George Stevens (versão da vida de Jesus Cristo), Uma Vida em Suspense (1965) de Sidney Pollack, No Calor da Noite (1967) de Norman Jewison (ele interpreta um detetive de polícia negro da Filadélfia que se envolve em uma investigação de assassinato em uma pequena cidade racista no Mississippi) e Adivinhe Quem Vem Para Jantar (1967) de Stanley Kramer. Sidney Poitier, em 1972, iniciou a carreira de diretor no filme Buck and the Preacher. Em 1982, ele recebeu o Prémio Cecil B. DeMille e em 2002 se tornou o primeiro artista negro a receber um Oscar honorário pelo conjunto da obra. .

Peter Bogdanovich é um dos diretores da denominada Nova Hollywood, no final dos anos 1960, ao lado de cineastas como William Friedkin, Brian De Palma, George Lucas, Martin Scorsese, Steven Spielberg, Michael Cimino e Francis Ford Coppola. Ele começou como crítico de cinema na revista Empire, em 1968, inspirado pelos críticos/cineastas franceses dos anos 1950 da revista Cahiers du Cinéma. Com o produtor Roger Corman, trabalhou em algumas produções de baixo orçamento e, em 1968, realizou o elogiado Na Mira da Morte com Boris Karloff.  A Última Sessão de Cinema, realizado em 1971, gerou reconhecimento da crítica especializada. Este filme mostra a história de dois adolescentes, nos anos 1950, em uma cidade do interior dos EUA, onde a melhor diversão é uma sessão de cinema na única sala de exibição da cidade.

Em 1971, Bogdanovich foi diretor do excelente documentário sobre o mestre John Ford chamado Directed by John Ford. Em 1972, ele dirigiu Esta Pequena é uma Parada, um de seus maiores sucessos de público, com Barbra Streisand e Ryan O’Neal. Em 1973, o filme Lua de Papel ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante para Tatum O'Neal. Nos anos 1970, criou a produtora independente The Directors Company com os cineastas Francis Coppola e William Friedkin. Posteriormente, algumas produções não tiveram êxito de bilheteria como Daisy Miller (1974), mas apesar de problemas na sua vida particular e profissional, Bogdanovich manteve sua carreira como pesquisador e escritor com preocupações sobre legado do cinema. É dele a famosa frase: “Os melhores filmes já foram feitos”. Ele entrevistou cineastas como Alfred Hitchcock, Allan Dwan, John Ford e Howard Hawks. Muitas entrevistas que ele realizou com cineastas veteranos, inclusive do cinema silencioso, foram lançadas na publicação Afinal, quem faz os Filmes? (2000), livro essencial para os cinéfilos. Ele foi amigo de diversos cineastas, inclusive de Orson Welles, o qual lhe concedeu várias entrevistas que foram reunidas no livro Este é Orson Welles, lançado nos anos 1990 no Brasil com importantes opiniões de Welles sobre seu trabalho como diretor e o cinema. Imperdível!

Procure conhecer a obra cinematográfica destes dois admiráveis artistas da sétima arte. Obrigado, Poitier e Bogdanovich!

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