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CARLOS FERREIRA

Jornalista, radialista e sociólogo. Começou a carreira em Castanhal (PA), em 1981, e fluiu para Belém no rádio, impresso e televisão, sempre na área esportiva. É autor do livro "Pisando na Bola", obra de irreverências casuais do jornalismo. Ganhador do prêmio Bola de Ouro (2004) pelo destaque no jornalismo esportivo brasileiro. | ferreiraliberal@yahoo.com.br

A virada de chave que está faltando

Carlos Ferreira

É inegável que Paysandu e Remo tiveram avanços conceituais, estruturais e organizacionais, mas nada além de atenuante à defasagem que mantiveram por décadas. Ainda são clubes que patinam em erros de planejamento e gestão, principalmente no futebol. Isso é mais grave no Leão, que evoluiu em diversos aspectos, mas não completa a transição. Os dois rivais seguem excessivamente atrelados, um tomando decisões em função do outro, com a rivalidade acima da racionalidade.

Falta uma virada de chave nos dois clubes mais populares, mais viáveis e mais poderosos da Amazônia. Virada para uma mentalidade profissional, menos vulnerável à influência de palpiteiros, menos passional, com menos apostas e mais firmeza em projetos que os desenvolvam.

Por que a temporada 2023 é promissora?

A temporada 2023 vai trazer alguns diferenciais importantes, pela volta do Mangueirão com 51 mil lugares, pelo maior fôlego financeiro do Remo com a quitação da dívida trabalhista e mais ainda se o Paysandu subir à Série B. Além disso, está nascendo a Liga Nacional de Clubes e haverá ganhos financeiros para a dupla Re-Pa.

São fatores que podem potencializar os dois clubes e o futebol paraense, em última análise, desde que haja competência na gestão de ambos. O Papão pode se dar muito bem se ascender à Série B e fizer boa campanha. O Mangueirão vai elevar as possibilidades de faturamento e tornar o clube mais atraente ao mercado. O Leão Azul deu passos à frente e recuou por pecados agora escancarados na falta de comando no Baenão.

BAIXINHAS

* O NASP (Núcleo Azulino de Saúde e Performance) e outras dependências do Baenão e a estrutura dos departamentos de saúde, fisiologia e administração da Curuzu, como também os ônibus, traduzem bem o salto nas condições de trabalho para os profissionais azulinos e bicolores nas duas últimas décadas.

* O Remo deu um salto ainda maior ao comprar o Centro de Treinamentos do Carajás, beneficiando também as categorias de base. O Paysandu segue no ritmo das suas condições financeiras construindo o seu CT. São obrigações cumpridas com atraso. Os dois clubes desatolando aos poucos.

* A sonhada mudança de patamar, na esteira de Atlético Goianinense, Ceará, Fortaleza e outros, Remo e Paysandu só darão quando virarem a chave para uma mentalidade profissional, especialmente no trato às categorias de base. Essa é a causa dos excessos nas contratações.

* Como a formação na base é um arremedo, os garotos sobem precisando de longo estágio no elenco profissional para correções e aprimoramentos, e até mesmo para a construção de base muscular. Isso tudo implica em perdas no processo.

* Se um dia virarem SAF (Sociedade Anônima de Futebol), Leão e Papão terão grandes rompimentos de conceitos, hábitos e rumos. Até agora, nada foi mais importante que a rivalidade. Essa visão paroquiana seria descabida em gestão afinada como a nova realidade mercadológica do futebol.

* Sobre a perspectiva de SAF, o ideal agora seria uma política de associação das marcas dos clubes com a Amazônia, tão visada pelo mundo todo com preocupações ambientais. O caminho parece óbvio, mas as iniciativas de marketing nesse rumo são muito tímidas. 

Carlos Ferreira
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