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Foliões demonstram amor pelo Carnaval em maratona com desfiles em várias agremiações de Belém

Lourdinha Bezerra e Carlos Eduardo Barros compartilham a logística e a emoção de defender diversas bandeiras na Aldeia Amazônica em 2026

Bruna Dias Merabet

Eles conhecem cada batida, cada recuo de bateria e cada metro da Aldeia Amazônica, e sentem essa adrenalina de perto. Desfilar em várias escolas de samba em uma única jornada é para poucos, mas para quem vive o samba na alma, o cansaço é um detalhe diante do prazer de pisar no asfalto e cantar o samba-enredo do início ao fim. Lourdinha Bezerra e Carlos Eduardo Barros mergulham na vivência do período em sua plenitude, celebrando a diversidade dos enredos e provando que, no Brasil, é o Carnaval quem comanda o calendário e os corações.

“Desfilar em 6 das 8 escolas do grupo especial é um desafio realmente muito grande, mas o desafio maior que eu tenho é o amor que eu sinto pelo Carnaval. Como sempre fui esportista a vida inteira, joguei vôlei, sempre vivenciei essa rotina de atividade física. Mas desde que me conheço, me entendo e me denomino como sambista raiz, sou mangueirense de coração. A escola para a qual bato no peito e digo que sou é a Mangueira; tenho admiração pelo trabalho e pela comunidade forte que ela tem”, explica Lourdinha Bezerra, a Rainha do Samba.

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Se o amor da jornalista transcende o Pará para as diversas regiões do Brasil, já que ela "bate o ponto" por diversas cidades durante a folia de Momo, por mais que Lourdinha desfile em várias escolas, ela tem as suas preferências, mesmo que o que ela mais prefira seja vivenciar a comunidade.

“Aqui em Belém, eu sou o Carnaval. Eu costumo dizer que frequento todas as escolas e transito em todos os bairros. Esse sentimento de gratidão, reconhecimento e pertencimento do nosso Carnaval paraense é muito bacana. Por exemplo, quando eu vou ao ensaio técnico, dou uma volta para cá e para lá e parece até que sou uma artista ou um ser notável; é foto para todo lado. Quando falo perto de alguém, a pessoa logo reconhece minha voz: ‘ela é a Lourdinha Bezerra’. Isso é muito bacana, porque é uma homenagem em vida. Durante esses 35 anos à frente de um programa de samba de raiz, falar de Carnaval de janeiro a janeiro é gratificante”, pontua.

Lourdinha Bezerra comanda há mais de três décadas o programa “Clube do Samba”, da Rádio Cultura. O semanal tem como base o melhor dos clássicos e lançamentos do gênero, além de sempre levar artistas para bate-papos. Toda essa identificação da Rainha do Samba com o ritmo a coloca como uma referência local e nacional.

"O nosso Carnaval é diferenciado, é típico daqui. Como dizem: é no tempo dela, sempre com chuva. A gente sempre sai de casa sabendo que pode desfilar debaixo de chuva e, mesmo assim, a gente vai. Isso é a cara de Belém: desfilar com chuva, mas com muito amor por estar ali. Eu me preparo para desfilar em todas essas escolas com amor no coração e com a vontade de pular o Carnaval, de ser mais feliz do que eu já sou”, finaliza Lourdinha.

O defensor Carlos Eduardo Barros também é um folião ativo; ele compartilha toda a sua animação no perfil @dudu_festeiro, no Instagram. Em 2026, ele irá desfilar em três agremiações e, claro, sempre com dedicação.

“Participar de várias escolas no período dos desfiles me faz conectar com histórias, homenagens e trabalhos de profissionais diversos. Como conheço alguns carnavalescos e acompanho seus trabalhos pelas redes sociais, eu entro em contato e peço para participar do desfile. Quando escolho me integrar ao desfile de uma escola, sou levado pelo enredo, pela tradição que essa escola apresentou na avenida nos carnavais anteriores e pela alegria que ela demonstrou no desfile passado. Fica comigo aquela ideia: ‘olha, gostei da vibração! Ano que vem vou desfilar nela!’”, diz.

Este ano, Dudu, como é chamado, estará como destaque nas três escolas. Na Embaixada Pedreirense, realizará uma homenagem aos festejos pernambucanos no segundo carro alegórico; na Deixa Falar, virá no último carro, que remete a um baile de Carnaval; e na Matinha, estará no segundo carro, representando a entidade Exu Caveira.

“Eu consigo distinguir bem cada desfile, porque me vejo como alguém que vai contribuir para desenvolver aquele enredo por meio do figurino que estou vestindo na avenida. Quando estou ali, represento aquela comunidade com verdade e respeito. Sou movido pela emoção, então deixo a parte técnica para os jurados. A minha ideia é contribuir com muita alegria, cantando o samba e me entregando ao máximo naquele momento”, explica Dudu.

Com uma logística movimentada, o folião vive a intensidade do Carnaval entre trocar de roupa, correr para a concentração, cruzar a avenida com energia total e, minutos depois, recomeçar tudo de novo em uma agremiação diferente. Para ele, essas questões são mínimas diante de tudo o que envolve o período para as diversas pessoas que vivem do Carnaval.

“Eu acho muito importante continuar esse trabalho de valorização da indústria do Carnaval de Belém, porque ela não só mantém viva a nossa cultura e tradição, como também gera renda para muitas famílias. O crescimento do desfile de Belém é reflexo desse esforço coletivo de quem trabalha o ano inteiro nos barracões, nas comunidades e nas agremiações. Tenho percebido o crescimento, sim; a nossa festa e a valorização da identidade regional estão cada vez mais fortes. É nítido que se busca, ano após ano, fortalecer as nossas raízes, mostrando que é possível fazer uma festa popular, democrática e de qualidade. Eu, como testemunha desse esforço e dessa evolução, fico muito feliz por saber que é algo muito especial”, finaliza Dudu.

Os desfiles das escolas de samba do grupo especial de Belém serão nos dias 27 e 28 de fevereiro, na Aldeia Amazônica. Este ano, as sete escolas filiadas à Liga das Escolas de Samba Associadas (ESA), mais a Quem São Eles, se apresentam.