Um ano após lançamento, apenas 18% das notas de R$ 200 produzidas estão em circulação
Estão retidas no Banco Central 371 milhões de cédulas. Ao todo, o governo gastou R$ 113,8 milhões para produzir as notas
Apenas 18% das notas de R$ 200 produzidas estão em circulação no mercado, após quase um ano de lançamento. O restante, que soma 371 milhões de cédulas, está retida no Banco Central (BC). As informações foram divulgadas pelo portal UOL.
Em 2 de setembro de 2020, o BC encomendou 450 milhões de unidades, o equivalente a R$ 90 bilhões. Entretanto, somente 79 milhões estão disponíveis para o uso dos brasileiros, totalizando R$ 15,8 bilhões. Ao todo, o governo gastou R$ 113,8 milhões para produzir as notas.
Procurado pelo UOL, o BC declarou que o ritmo de utilização da cédula de R$ 200 vem evoluindo de acordo com o esperado e que o fornecimento de cédulas é realizado de forma a atender a demanda da sociedade por notas. Questionado se tinha planos para tirar a nota de R$ 200 de circulação, o BC se limitou a dizer que qualquer nova denominação de cédula entra em circulação de forma gradual e de acordo com a necessidade.
Quando foi anunciado o lançamento da nota de R$ 200, a diretora de Administração do BC, Carolina de Assis Barros, declarou que a pandemia do coronavírus exigiu um maior número de cédulas em circulação no país e, por isso, sem uma nota de R$ 200, haveria o risco de falta de papel-moeda. Ainda segundo Carolina de Assis, o pagamento do auxílio emergencial levou mais pessoas a sacarem dinheiro nos bancos, caixas eletrônicos, lotéricas e correspondentes bancários, o que exigiu uma ação do BC.
Nota de R$ 200 facilitaria crimes
O lançamento da nota de R$ 200 foi marcado por diversas críticas que levaram partidos políticos e entidades ligadas ao combate à corrupção a ingressar com ações na Justiça para barrar a circulação da cédula. O principal argumento utilizado pelos críticos é que o crime prefere as notas de maior valor porque facilitam atividades ilícitas, como corrupção, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, ocultação e evasão de divisas, uma vez que facilita o armazenamento e o transporte de recursos e dificulta a rastreabilidade das respectivas transações.
A primeira ação contra a circulação da cédula, protocolada pelo PSB, Podemos e Rede, foi arquivada pela ministra Cármen Lúcia, do STF. Na decisão, a magistrada informou que não foi comprovada nenhuma relação do tema com alguma violação da Constituição.
Na outra ação, associações do Tribunal de Contas da União (TCU) e entidades ligadas ao combate à corrupção pediram ao STF para interromper a emissão de novos lotes de notas de R$ 200 ou que fosse dado um prazo para o fim da circulação. O processo ainda aguarda uma decisão da magistrada.
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